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Penca de Filmes dos Anos 2010-15



Seguem curtas anotações sobre alguns filmes lançados entre os anos 2010 e 2015 (notas dos filmes entre parênteses – escala de 1 a 5):


A Man Called Ove (2015): Produção sueca. Velho rabugento tem que conviver com vizinhos e aprender a relacionar-se melhor. Não é muito engraçado, nem muito triste, nem muito crível e nem muito interessante. (2)


All Things Must Pass (2015): De uma pequena loja no interior da Califórnia, a Tower Records acabou se tornando o coração e a alma do mundo da música e uma força poderosa na indústria musical. Em 1999 a Tower Records faturou US$ 1 bilhão. Em 2006 a empresa pediu falência. Quem comprou discos na Tower Record no final dos anos 1990 vai apreciar este documentário. (3)


Asphalte (2015): Produção francesa com três histórias de encontros improváveis que pretendem ​​trazer ternura, riso e compaixão a um mundo de alienação urbana. Mais triste que divertido. (2)


Cartel Land (2015): Documentário sobre a calamitosa situação dos cartéis mexicanos de drogas que tenta colocar no mesmo saco a máfia, a reação da população e o governo. Nada esclarece e só confunde. (2)


Child 44 (2015): Oficial de segurança idealista pró-Stalin decide investigar uma série de assassinatos de crianças, e luta contra o Estado que não quer reconhecer a existência de um assassino de crianças e muito menos de um serial killer no “paraíso” comunista. Ele é rebaixado e exilado, mas decide, apenas com a ajuda da esposa, continuar investigando o caso. Baseado no romance homônimo de Tom Rob Smith, que por sua vez foi diretamente inspirado no serial killer da vida real Andrei Chikatilo (retratado no filme Citizen X (1995)). Pesado. (3)


Chuck Noris vs Communism (2015): Delicioso documentário sobre as agruras de dubladores e consumidores do mercado negro de filmes americanos na Romênia comunista. Um testamento ao poder da comunidade e da capacidade do cinema (artes da palavra) em inspirar e mover ideias (para o bem e para o mal). (4)


De Palma (2015): Noah Baumbach e Jake Paltrow coproduziram este documentário que explora a obra de Brian De Palma em suas próprias palavras. Um guia para seus filmes. (3)


Demon (2015): Terror polonês. Um noivo é possuído por um espírito inquieto no meio da celebração do seu casamento (versão da lenda judaica do Dybbuk – espírito malévolo preso a terra). O roteiro e a direção parecem desleixadas. Confuso e monótono. (2)


Deprogrammed (2015): Documentário não conclusivo sobre o trabalho de Ted Patrick para desprogramas jovens na década de 1970. Seu esforço deveria ser melhor apresentado e mais valorizado. (3)


El Clan (2015): Thriller argentino dirigido por Pablo Trapero. Narra os crimes de uma família de sequestradores após o fim do governo militar na Argentina. Além de bem executado, o filme ganha impacto por ser baseado em eventos reais. (3)


Experimenter (2015): A história romanceada de Stanley Milgram (1933-1954) e seus experimentos sociais. Vale para despertar o interesse por este tipo de experimento e proteger-se de sua aplicação sobre a sociedade. (3)


Fluoride: Poison on Tap (2015): O documentário argumenta contra a fluoretação do abastecimento de água, revelando riscos para a saúde, fraudes e corrupção corporativa. Faz perguntas pertinentes, mas ninguém as responde. (3)


Les Cowboys (2015): Quando sua filha desaparece, no leste da França, o pai e filho, saem em sua busca que parece sem fim. Na verdade a filha fugira com um muçulmano. Ao final mãe e filho se recuperam, e há uma reconciliação silenciosa entre os irmãos. Uma pálida tentativa de tributo a The Searchers (1956) de John Ford. (3)


Que Horas Ela Volta? (2015): O que poderia ser o drama de duas mulheres com problemas universais de maternidade nos é apresentado como contraste entre pobres e ricos. Os pobres todos bons, nobres e simpáticos e os ricos mimados, inconsequentes e estúpidos. A filha ainda faz um discurso laudatório da infame Pedagogia do Oprimido que teria aberto seus olhos para a realidade da luta de classes (o professor de história que “explico como são as coisas”) e termina resgatando a mãe da suposta escravidão. Uma história panfletária que não poderia deixar de ter personagens esquemáticos e estereotipados. (1)


Sicario (2015): Agente idealista do FBI é recrutada por força-tarefa do governo para ajudar na escalada da guerra contra as drogas na área fronteiriça entre os EUA e o México. O filme é potente em demonstrar que quanto mais as pessoas caem na esparrela da falsa moralidade (e.g. garantismo legal, desencarceramento) e pacifismo, mais elas se transformam em ovelhas numa terra de lobos. A cena da execução do chefe dos traficantes é antológica. (5)


Star Wars: Episode VII – The Force Awakens (2015): Um desastre. Descarado redesenho de uma franquia de sucesso para destilar na audiência todo o veneno de reengenharia social. E nem se preocuparam em renovar o enredo, repetindo o mesmo do episódio IV. Uma armadilha de propaganda ideológica do pior tipo. (1)


The Big Short (2015): Sobre a crise imobiliária de 2008 – segue um grupo de investidores que nos dois anos anteriores apostou contra o mercado hipotecário dos Estados Unidos, e descobre o quão falho e corrupto é o mercado. O filme tem bom ritmo e evita cair na armadilha ideológica do anticapitalismo. Contudo, ao focar-se no ataque aos bancos, o filme comete dois graves erros: não reconhece o grande envolvimento do governo federal na causa da crise financeira e a falta de responsabilidade das pessoas físicas tomadoras de empréstimo. (2)


The Visit (2015): M. Night Shyamalan nunca mais retornou ao nível de The Sixth Sense. Neste horror-thriller o roteiro é um tanto forçado, mas tem cenas assustadoras. (3)


Truman (2015): Produção espanhola dirigida por Cesc Gay. Comédia dramática entediante, com superficial discussão sobre a morte. Paga pedágio para lesbianismo, adultério e ateismo. (2)

Victoria (2015): Produção alemã filmada em um único take. E só. Trabalharam tanto na forma que esqueceram de contar uma história. Deveriam oferecer sacos de vômito para a audiência em função do movimento de câmera enausiante. (1)


Adieu au langage (2014): Jean-Luc Godard e mais uma bobagem ideológica disfarçada de cinema. Fico imaginando se este filme chegaria algum dia a uma sala de cinema se não tivesse a assinatura de Godard. O mantra do filme é “Abracadabra Mao Tse-tung Che Guevara”... precisa dizer algo mais? (1)


Amour Fou (2014): Baseado na vida do escritor, dramaturgo e poeta Heinrich von Kleist (1777-1811) que cometeu suicídio junto com sua namorada. A história de duas almas enfermas. No espírito do romantismo da época, as personagens principais demonstram exacerbado egoísmo e individualismo. Nem os debates políticos sobre a incapacidade das massas se governarem e da cobrança de impostos salvam o filme. (2)


Bilderberg: The Movie (2014): Relevante por tocar num tema importante, mas é muito superficial e mal-executado. (2)


Clouds of Sils Maria (2014): Uma atriz veterana (Juliette Binoche) encara a velhice quando concorda em participar de uma revivificação da peça que lançou sua carreira 20 anos atrás. As imagens são belas, mas o filme carece de coesão e algum evento realmente motivador. É filosoficamente axiológico, humanista e niilista, e moral e espiritualmente profano. O suicídio, a promiscuidade e o consumo de álcool são glorificados. Não há nada que sugira que a personagem principal algum dia enriquecerá espiritualmente. (3)

Corn Island (2014): Singela produção da Georgia que demonstra como passamos pela vida pouco aprendendo sobre o passado. Um erro sobre o qual Tucídides nos alertou há mais de 24 séculos. (2)

From Caligari to Hitler (2015): Documentário baseado no livro sobre história do cinema alemão de Siegfried Kracauer. Vale pelo interesse histórico, mas a tese do autor é errada. Kracauer, associado a Escola de Frankfurt, via o cinema como instrumento de reengenharia social (“I also believe that studies of this kind may help in the planning of films – not to mention other media of communication – which will effectively implement the cultural aims of the United Nations.”, diz Kracauer no prefácio do livro). (3)


Fury(2014): Sólido filme da II GG, versa sobre a reconciliação de ideais e realidade. As personagens precisam aprender o que significa lutar enquanto mantém os valores morais. O resultado é comovente e poderoso, mas a jornada é brutal – o filme só empolga no fim. (3)


Gett (2014): Filme israelense realizado para vitimar a condição da mulher sob as leis judaicas. Porém, se olharmos com atenção, vemos um sistema que valoriza a família. O caso extremo representado no filme em nada justifica mudá-lo. (2)


Gone Girl (2014): Em vez de apontar a absurdidade do enredo (a trama da esposa não se sustenta nem diante da polícia brasileira) a intelligentzia enaltece este filme. Por quê? Parece que viram na relação do casal um modelo para denegrir a instituição do casamento. Além disso, o ator Ben Aflleck é um darling da esquerda. Um trabalho menor do diretor David Fincher. (2)


In Order of Disapearence (2014): Filme de ação norueguês. Pai vinga morte do filho contando com uma boa dose de sorte. Os assassinatos são criativos e brutais, mas eventualmente toda a sua estrutura se torna um vazio exercício de estilo. (2)


Inherent Vice (2014): Em 1970, o investigador particular de Los Angeles, movido a drogas, Larry 'Doc' Sportello (Joaquin Phoenix) investiga o desaparecimento de uma ex-namorada. O diretor Paul Thomas Anderson faz uma longa e maçante apologia das drogas. (1)


It Follows (2014): O que representa esta maldição transmitida sexualmente? Por que, apesar das situações críticas, o filme nunca mostra os pais, focando todo enredo nos jovens? Estaria o filme atacando a banalização do sacramento sexual e a perda de hierarquia? A resposta poderia ser positiva se não houvesse aquela bobagem dos "8 miles" no meio do enredo. De qualquer forma é um filme de terror entretido. (4)


Jack Ryan: Shadow Recruit (2014): Mais uma tentativa frustrada de reativar a franquia cinematográfica com a personagem de Tom Clancy, desta vez encarnada por Chris Pine. Dirigido por Kenneth Branagh. (2)


John Wick (2014): Filme de ação com o batido tema da busca de vingança e do bandido que quer mudar de vida. Abuso das coreografias de matança. Cansativo (2)


La Sapienza (2014): La Sapienza é um louvor ao conhecimento e a beleza que apenas a luz e o amor podem proporcionar. Porém o filme apela a valores humanistas em sua loa. Em nenhum momento a luz vem de Deus ou o amor dos ensinamentos do Cristo. Talvez daí advenha a escolha de Francesco Borrimini como arquiteto reverenciado no filme em detrimento do gênio barroco Gian Lorenzo Bernini. Borrimini abandonou as formas antropogênicas, favorecendo as geométricas. Seria uma alusão ao abandono da criação divina pela criação humana? Apesar de criticar o materialismo e secularismo inicialmente enaltecidos pela personagem do arquiteto e sua esposa esquerdista, o filme peca ao apontar a uma Igreja Humana (o Templo da maquete do jovem irmão) como saída do buraco no qual o modernismo nos colocou. As falas são entregues em forma de declamação, muitas vezes direcionadas a audiência através do olhar fixo na câmera – aparentando um artifício para desviar a atenção da artificialidade dos diálogos, e também driblar a incapacidade de diretor e atores em representar as cenas. Nota-se também a velha mania rousseauniana de transferir aos jovens a salvação do mundo. (2)


Las Insoladas (2014): Num dia ensolarado seis amigas discutem seus planos enquanto bronzeiam-se no terraço de um edifício em Buenos Aires. Ocorre que as discussões são pueris e demonstram vidas vazias de sentido e propósito, com direito a disparatados comentários sobre inferno cubano. Apesar de ser uma comédia, Las Insoladas não deixa de pintar, mesmo que involuntariamente, um triste retrato da decadente sociedade portenha. (1)


Maps to the Stars (2014): Nesta crítica ácida às celebridades hollywoodianas o filme tenta, com pouco sucesso, replicar uma tragédia grega. Nestas, coisas ruins acontecem as pessoas sem que elas tenham culpa alguma, pois nosso destino não está em nossas mãos, e maldições familiares recaem sobre aqueles que cometem crimes graves. Maps to the Stars também parte de um crime grave que trará desgraça às pessoas diretamente ou indiretamente envolvidas naquele evento nefasto. Porém, o roteirista Bruce Wagner e o diretor David Cronenbeg, apesar de competentes, não são Ésquilo ou Sófocles, e fizeram apenas um filme fraco sobre pessoas horríveis. (2)


Maracaná (2014): O fracasso do Brasil na Copa de 1950 na perspectiva uruguaia. Infelizmente contém poucas cenas dos jogos. (2)


Memories of the camps (2014): Documentário sobre os campos de concentração com imagens capturadas em 1945. Para nunca esquecer do que o socialismo e suas mentiras são capazes. (3)


Nightcrawler (2014): A decadência do jornalismo merece um filme melhor. Este apenas dá um exemplo, em formato pouco crível de thriller, de como o que menos interessa a esmagadora maioria do jornalismo atual são os fatos e a verdade. (2)


Ode to My Father (2014): Interessante produção coreana sobre sacrifício pessoal em função de um sentimento de culpa e dever. Também apresenta um romanceado panorama histórico da Coreia do Sul. (4)


Pawn Sacrifice (2014): Ancorado na atuação do ator Tobey Maguire, é mais um filme inspirado no controverso mago do xadrez Bobby Fischer. Relevante para quem em 1972 acompanhava pelos jornais o embate entre Fischer e Boris Spassky pelo título mundial. (3)


Red Army (2014): Documentário sobre o famoso time de hóquei da União Soviética através dos olhos de seus jogadores. Aborda as manipulações políticas do esporte com pouca profundidade. Para fãs de hóquei. (3)


Relatos Salvajes (2014): Grande comédia argentina em seis historietas explorando os extremos do comportamento humano em situações críticas. Humor negro em grande estilo. Dirigido por Damián Szifron que condensou várias ideais de roteiro que tinha em mente e fez delas esta antologia. (4)


Transcendence (2014): Mais um filme que denota a revolta do homem com sua finitude. O enredo absurdo alinha-se com o patamar de loucura que acomete o homem moderno em sua ânsia de eternidade. Desperdício de elenco que conta com nomes como Johnny Depp e Morgan Freeman. (1)


Twin Peaks: The Missing Pieces (2014): Colagem de cenas inéditas dos filmes relacionados com a série de TV, chacoalhando a franquia por algumas moedas mais. Apenas para os fãs. (2)


Warsaw ‘44 (2014): Amor, amizade e aventura durante a sangrenta Revolta de Varsóvia em 1944 – a resistência polonesa e a traição russa. Romance algo forçado, mas bom para lembrar os horrores que o socialismo nazista e o comunismo soviético impuseram aos poloneses. (3)


What We Do in the Shadows (2014): Três vampiros compartem o mesmo lar e lutam com os aspectos mundanos da vida moderna, como pagar aluguel, cumprir as tarefas cotidianas, tentar entrar em boates e superar conflitos domésticos – tudo mostrado como num reality show. Gerou uma boa série de TV homônima com a mesma premissa e realizadores (Jemaine Clement e Taika Waititi), mas que foi destruída pela lacração a partir da terceira temporada. (4)


Antarctica: An Year on Ice (2013): Uma crônica sobre como é viver na Antártica durante um ano inteiro, incluindo invernos isolados do resto do mundo e meses de escuridão no lugar mais frio da Terra – uma monotonia da qual o documentário não escapa. (2)


Bach: A Passionate Life (2013): Documentário da BBC escrito e apresentado pelo maestro inglês Sir John Eliot Gardiner. Revela um homem de família caloroso que tem que lutar contra as hierarquias do estado e da igreja luterana para realizar sua arte. Infelizmente os comentários liberais do apresentador prejudicam o resultado final. (2)


Big Sur (2013): Nem a paisagem de Big Sur é bem explorada. O filme é tão ruim quanto a literatura de Jack Kerouac. Resta apenas a constatação do vazio da beat generation, mero símbolo de decadência instrumentalizado com objetivos revolucionários. (1)


La Migliore Offerta (2013): Do diretor de Cine Paradiso, Giuseppe Tornatore. Um enredo previsível e incoerente, e diálogos pueris frustraram as expectativas sobre o primeiro longa-metragem em inglês de Tornatore. Monótono e sem vida, desperdiçando um elenco talentoso. (2)


Nymphomanic Vol. I and II (2013): No começo de sua carreira Lars von Trier aparentava buscar novas propostas cinematográficas. O signatário do manifesto Dogma 95 já então era pura forma e pouco conteúdo. Suas histórias pouco tocavam nossa humanidade e só chamavam atenção visualmente. Porém com o tempo tudo piorou para o diretor dinamarquês, a rasa fonte da forma secou e ele teve que apelar ao intelectualismo pretensioso e o escândalo para chamar atenção e manter-se vivo comercialmente. Com Nymphomaniac ele ajuntou a grosseria e o mau gosto em sua já nefasta fórmula. Vemos o pior de Trier neste filme: as atuações arrastadas e desbotadas, os diálogos irreais e pretensiosos, o enredo forçado, e a falta de sentido mais profundo na história. E a isto Trier ainda somou pura pornografia. Assim ele tornou-se para o cinema o mesmo que E. L. James é para a literatura: um oportunista vulgar. (1)

Like Father, Like Son (2013): A premissa de bebês trocados ao nascer não é novidade nas telas. Mas o diretor japonês Hirokazu Koreeda evita todos os clichês e faz um filme sobre paternidade, abordando até que ponto a influência sanguínea (psicologia do destino de Lipot Zondi) e a convivência definem uma pessoa. O filme evita dar respostas, até porque a situação apresentada não tem solução, podendo apenas ser remediada. Mais um excelente filme de Koreeda. (5)


Palo Alto (2013): Mais uma exibição sem inspiração sobre adolescentes erráticos, sem nada de novo ou interessante a dizer. Mas não deixa de ser a “arte” refletido nossa realidade de decadência espiritual, moral e intelectual.Um desastre da filha nada talentosa de Francis Ford Coppola, Gia Coppola. (1)


Snowpiercer (2013): Bobagem distópica do diretor coreano Bong Joon Ho baseada em HQ de Jean-Marc Rochette. O festival de besterias vai de vagão em vagão entre luta de classes, hedonismo, geoengenharia, drogas, perversão sexual, coprofagia, canibalismo, até o final evolucionalista prostrado a Gaia. (1)


Tesis sobre um homicidio (2013): Especialista em direito penal, convencido de que um de seus alunos cometeu um assassinato brutal, inicia uma investigação obsessiva. Decepcionante thriller psicológico argentino. Os temas de justiça, imparcialidade, ética e lei são mencionados, mas nunca adequadamente discutidos. O diretor (Hernán Goldfrid) rapidamente perde o fio da trama atolando-se em intermináveis planos sem sentido, tornando o suspense superficial. (2)


Venus in Fur (2013): Polanski consegue piorar péssimo material (peça homônima de David Ives) escalando sua esposa (Emmanuelle Seigner) para o papel principal. A desairosa e quase cinquentenária Sra. Polanski (tinha então 48 anos) provoca apenas risos encarnado uma suposta jovem sedutora comparável à Afrodite, e pior que a falta de physique du rôle é sua escassez de dotes dramáticos para o papel. (1)


World War Z (2013): Nada original, mas entretida história de zumbis. O verdadeiro pavor é imaginar a ONU como a última esperança da humanidade. (3)


Act of Valor (2012): Apesar das atuações sofríveis e direção insípida, vale pelos valores morais e demonstrações de coragem. A leitura do enxerto do poema atribuído a Tecumseg (1768-1813) ao final é precioso: “So live your life that the fear of death can never enter your heart. Trouble no one about their religion; respect others in their view, and demand that they respect yours. Love your life, perfect your life, beautify all things in your life. Seek to make your life long and its purpose in the service of your people. When it comes your time to die, be not like those whose hearts are filled with the fear of death, so that when their time comes they weep and pray for a little more time to live their lives over again in a different way. Sing your death song and die like a hero going home.(3)


Barbara (2012): Barbara anseia pela liberdade desertando para o Oeste. Acaba encontrando a liberdade no amor e dedicação à sua missão como médica. Lembra a fórmula de Viktor Frankl, i.e. D=S-S. Ao encontrar sentido no seu sofrimento ela anulou seu desespero. (3)


Belle du Seigneur (2012): Terrível adaptação do romance homônimo de Albert Cohen. (1)


El Cuerpo (2012): Policial espanhol dirigido por Oriol Paulo. Morno e com trama mal construída (repleta de furos). (2)


Fill the Void (2012): A atuação da personagem feminina principal é excelente. A emoção que demonstra na celebração do seu casamento é contagiante. Mas bom mesmo é ver um mundo onde amor, família, casamento e hierarquia ainda valem o seu peso. Um mundo onde se valorizam, sacralizam-se, os corriqueiros aspectos de nossas vidas. (4)


Frances Ha (2012): Narrativa banal de uma jovem que perdeu totalmente o contato com a realidade. Se este é um retrato da atual juventude o mundo está irremediavelmente perdido. O filme funciona apenas como crítica involuntária ao comportamento social do nosso tempo. O fraco diretor Noah Baumbach tenta um misto de nouvelle vague e Woody Allen, e falha miseravelmente. (1)


Hannah Arendt (2012): Ao reportar o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém para o The New Yorker, Arendt conclui que o réu não era um monstro, mas um homem comum que enterrou impensadamente a sua consciência através da sua obediência ao regime nazista e à sua ideologia socialista, criando forte controvérsia – a expansão desta ideia geraria seu conceito de “banalidade do mal”. Oferece a oportunidade de tomar contato com um importante evento histórico. (3)


Jack Reacher (2012): Filme de ação com Tom Cruise encarnando a personagem literária criada por Lee Child. A película diverte e prometia ser uma franquia interessante, mas a baixa qualidade da sequência (Jack Reacher: Never Go Back (2016)) matou tal possibilidade. (3)


Museum Hours (2012): Uma obra de arte tem o poder de nos fazer parar e repousar o olhar na busca da elevação que o belo proporciona ou na busca de significados que estimulem nossa mente. O filme propõem que façamos isso também nas mais vulgares imagens cotidianas. Isso é possível até certo ponto, pois o feio, grotesco ou banal não tem o poder da obra de arte. Isto faz com que o filme corra o risco de soar moderno, ou seja, professar que a vida é feia e arte deve refletir isso. Porém a cena final apresentando uma velha subindo uma ladeira como se fosse uma obra de arte indica outra direção: a de buscarmos seletivamente o belo nas cenas cotidianas. Amizade do casal central é bela mas pouco crível. (2)


Ocuppy Unmasked (2012): Documentário demonstrando que o movimento Occupy Wall Street não passou de uma ação orquestrada pela esquerda para facilitar a agenda política de Obama desenhada por globalistas. (3)


Passion (2012): A rivalidade entre a chefe de uma agência de publicidade e sua talentosa protegida vai do roubo de crédito à humilhação pública e ao assassinato. Brian De Palma tenta resgatar seus temas preferidos (i.e. obsessão, voyeurismo, erotismo, assassinato e a mente distorcida de um assassino), mas eles nunca alcançam o nível dos seus melhores filmes do passado. Restou apenas uma enfadonha aberração lésbica e a torturante atuação da desairosa Noomi Rapace. (1)


Prometheus (2012): Infeliz adição do diretor Ridley Scott ao universo de Alien. Roteiro banal coroado com a insuportável Noomi Rapace como protagonista. (2)


September Eleven 1683 (2012): No verão de 1683, 300 mil guerreiros do Império Otomano iniciaram o cerco de Viena. A queda da cidade teria aberto o caminho para a conquista da Europa. Em 11 de setembro ocorreu a principal batalha entre a cavalaria polonesa e os otomanos. Para lembrar como os poloneses salvaram a cultura ocidental evitando a conquista da Europa pelos muçulmanos. Versão romanceada de uma história que todos deveriam conhecer, pena que a produção e maioria dos atores sejam tão ruins. Destaque positivo para a música tema The Future composta por Roberto Cacciapaglia. (3)


The Dictator (2012): Comédia escrachada bem ao estilo de Sacha Baron Cohen. Grosseiro? Sim, muito. Mas serve como um alívio à insuportável tirania do politicamente correto. (3)


The Hobbit: An Unexpected Journey (2012): Peter Jackson volta à obra de Tolkien depois de bem adaptar Lord of the Rings às telas. Mas desta vez não consegue transmitir os vários aspectos simbólicos do livro, ignorando, principalmente, a jornada de crescimento de Bilbo que mata o dragão materialista que habitava sua alma. Os outros dois filmes que completam a trilogia (The Hobbit: The Desolation of Smaug (2013) e The Hobbit: The Battle of the Five Armies (2014)) são ainda mais insípidos. (3)


The Hunt (2012): Professor vive uma vida solitária, enquanto luta pela custódia do filho. Sua vida melhora gradualmente à medida que ele encontra o amor e recebe boas notícias sobre o filho, mas sua sorte muda por uma mentira inocente. Filme dinamarquês dirigido por Thomas Vinterberg. Terrível história sobre os riscos do pensamento grupal. O pior é saber que isto é algo que está sendo amplamente utilizado como instrumento político. (4)


The Master (2012): Apesar das boas atuações, o enredo é pobre, o filme cansativo e o tema dos cultos e lavagem cerebral é mal explorado. Péssimo filme do diretor Paul Thomas Anderson. (1)


Una pistola em cada mano (2012): Produção espanhola dirigida por Cesc Gay. Provoca algumas risadas através do ridículo daqueles homens diante das óbices que vida apresenta. Mas cansa ver filmes, mesmo comédias, emasculando os homens. (3)


Vous n’avez encore rien vu (2012): Em seu penúltimo filme, dois anos antes de sua morte, Alain Resnais faz um filme íntimo reunindo seus atores favoritos – é um filme pessoal, uma despedida. Boas atuações em filme que distorce totalmente a simbologia de Orfeu e Eurídice. Pode ter funcionado para o diretor e seus amigos. (1)


Zero Dark Thirty (2012): Mais um filme desprezível da diretora Kathryn Bigelow (acertou a mão apenas no entretido Point Break de 1991). O tema (busca pelo líder terrorista Osama bin Laden) pode dar um bom filme, mas não é este. A protagonista feminina (interpretada pela péssima Jessica Chastain) é tão estereotipada e ridícula que torna difícil assistir ao filme – é a girl que pensa ser necessário blasfemar, cuspir no chão e peidar para mostrar power. A narrativa é demasiadamente benevolente com os terroristas, e aborda a tortura de forma equivocada, pois esta deveria ser muito mais violenta (equiparável a prática terrorista) para ser efetiva. (2)


A Separation (2011): Produção iraniana dirigida por Asghard Farhadi. Doloroso filme sobre como a mentira envenena as relações. Aborda uma realidade da vida que transcende qualquer barreira política ou cultural, ao mesmo tempo que oferece uma visão instigante sobre as leis religiosas e a estrutura social daquela parte do mundo. Atores e cinematografia de primeira. (4)


Atlas Shrugged Trilogy (2011-2012-2014): Desastrosa tentativa de adaptar o livro de Ayn Rand para o cinema. Produção de baixo custo, com péssimos atores que mudam a cada filme. Em 1949, quando a Warner Bros. filmou The Fountainhead, Rand ameaçou incendiar o estúdio se eles comprometessem seu romance. Caso ainda estivesse viva correria com um galão de gasolina em direção ao estúdio responsável por esta trilogia. (1)


Bobby Fischer Against the World (2011): Documentário sobre a vida trágica e bizarra do falecido mestre de xadrez Bobby Fischer, um das personagens mais infames e misteriosas na cultura popular do século XX. (3)


In Time (2011): A premissa é interessante: e se fossemos geneticamente modificados para viver eternamente aos 25 anos desde que adquiríssemos o tempo necessário para adicionar ao nosso relógio biológico? Poderia explorar a questão da mortalidade, mas transforma-se em uma baboseira de Bonny and Clyde contra o “sistema” com péssimos atores. (2)


Intouchables (2011): Interessante filme francês sobre amizade, mas algo previsível e com poucas piadas que funcionam. Bom-senso ao demonstrar o absurdo da autopiedade. (3)


Killer Joe (2011): O diretor William Friedkin descamba para o grotesco. (1)


Margin Call (2011): Mais um filme que pouco ajudam em elucidar as causas da crise financeira de 2008. Foca no banco de investimento e nada aborda sobre as ações governamentais, a atuação das agências reguladoras e de crédito, e nem sobre o comportamento do público investidor e tomadores de empréstimos. Seco e clínico, carente brilho de cinematográfico, e, como quase sempre acontece, a visão dos engravatados é deveras esteriotipada. (2)


Red Dog (2011): Baseado em lendária história verídica do cão que uniu uma comunidade enquanto perambulava pelo outback australiano em busca de seu mestre há muito perdido. Uma história comovente sobre o melhor amigo do homem. (3)


Carlos (2010): Minissérie de TV sobre o assassino Carlos e seus aliados terroristas narrada com incoerente benevolência. Vale notar o grau de irrealidade nos diálogos entre jovens terroristas, cujo ressentimento social e revolta metafísica foram facilmente manipulados à insanidade. (2)


Of Gods and Men (2010): A fé de uma congregação religiosa é posta a prova. Acabam descobrindo sua força interior e abraçam sua missão. (3)


Sound of Noise (2010): Começa com uma premissa curiosa, mas rapidamente perde a novidade e se arrasta para o nada. Produção sueca. (1)


The Way Back (2010): Baseado em episódio histórico sobre fugitivos do Gulag que chegam até a Índia. O diretor Peter Weir está em seu habitat de grandes paisagens e pessoas forçadas a situações críticas, mas as personagens pouco desenvolvidas tiram o impacto da jornada. (2)


Toy Story 3 (2010): Deliciosa sátira ao comunismo. Está tudo lá, o muro de Berlim, Stalin (urso Lotso) e toda a enganação e terror socialista. (3)

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