top of page

Penca de Filmes dos Anos 1960



Seguem curtas anotações sobre alguns filmes lançados ao longo dos anos 1960 (notas dos filmes entre parênteses – escala de 1 a 5):


La piscine (1969): Filme de roteiro pobre – falta energia e paixão – que explora a fama e beleza dos atores: Alain Delon, Rome Schneider, Maurice Ronet e Jane Birkin. (2)


Model Shop (1969): Jovem de 26 anos, aguardando convocação para o exército (Guerra do Vietnã), comporta-se como adolescente diante da vida, sem entender seu sentido ou o porquê das coisas não serem sempre do jeito que ele gostaria. Normal um jovem ter estranheza diante do devir, o problema é quando ele não amadurece e continua sentindo-se assim e acreditando que este sentimento o torna alguém especial. (2)


More (1969): Filme funciona como denúncia às drogas, mas é artisticamente fraco. O único aspecto interessante é a música de Pink Floyd. (2)


Bullitt (1968): Grande filme de ação explorando o policial lobo solitário contra tudo e contra todos. O diretor Peter Yates soube explorar a presença de McQueen. Jacqueline Bisset, como namorada do herói, atrapalha um pouco o ritmo do filme, mas compensa com sua beleza. Marcante música tema de Lalo Schifrin. Um clássico. (5)


Casino Royale (1967): Numa das primeiras paródias de espionagem, o idoso Sir James Bond sai da aposentadoria para enfrentar a SMERSH. Desperdício de um grande elenco em frustrada tentativa de satirizar 007. Só a canção The Look of Love na voz de Dusty Springfield e arranjo de Burt Bacharach se salva do desastre. (1)


Les Aventuriers (1967): Alain Delon e Lino Ventura levam uma vida de aventuras buscando tesouros – quem nunca sonhou com isto? Boa química entre os heróis. (3)


Peppermint Frappé (1967): Carlos Saura conta o drama psicológico de dois supostos amigos em meio a obsessão, fetiche, e ciúmes. Entre eles duas mulheres: a original e a cópia. (3)


Point Blank (1967): História de bandido contra bandido, a relativização moral dos anos 1960 nas telas dos cinemas. Tem algumas boas tomadas, mas a edição tentativamente inovadora ficou estranha. Dirigido por John Boorman. Paybak (1999) com Mel Gibson foi baseado neste filme. (3)


The Producers (1967): Dirigido por Mel Brooks. Comédia com alguns bons momentos. Quando loiras burras e homossexuais afetados eram divertidamente ridicularizados. (3)


Wait Until Dark (1967): Policial inusitado pela cegueira da personagem principal (interpretada por Audrey Hepburn), mas um tanto cansativo na construção da narrativa. (2)


Harper (1966): Paul Newman no papel do detetive Lew Harper das novelas de Ross Macdonald. Herói pouco empático, o filme não empolga. (3)


The Deadly Affair (1966): Psicologicamente conturbado (corno manso) agente do governo precisa desvendar suposto suicídio – má representação da personagem George Smiley posteriormente tão bem encarnada por Alec Guiness. O filme tem pedigree: argumento de John la Carré, direção de Sidney Lumet, música de Quincy Jones e atores como James Mason, Maximillian Schell e Simone Signoret. Mas seria melhor se não fosse tão previsível. (3)


La decima vittima (1965): Dirigido por Elio Petri, com Marcello Mastroianni, Ursula Andress e Elsa Martinelli. História futurista onde a violência é canalizada num esporte mortal. Antevê os famigerados reality shows. (2)


The Ipcress File (1965): Michael Caine encarna o agente inglês Harry Palmer pela primeira vez. Em plena guerra fria o filme apresenta o Ocidente e soviéticos no mesmo nível de padrão moral. Stalin, do túmulo, agradeceu. Caine fez mais dois filmes baseados nos romances de Len Deighton: Funeral in Berlin (1966) e Billion Dollar Brain (1967) – ambos no mesmo baixo nível do primeiro. (2)


Red Line 7000 (1965): A história de três pilotos e suas namoradas constantemente preocupadas com a vida deles. Roteiro original de Hawks que envereda pela corrida de carros. Obra menor do grande diretor. (2)


The Cincinnati Kid (1965): Um dos melhores jogos de poker no cinema. Steve McQuenn virando lenda. (3)


The Sandpiper (1965): Filmado em Big Sur, único aspecto positivo do filme. Libelo feminista, anti-família e anti-religião. Propaganda escancarada assinada pelo roteirista e agente comunista Dalton Trumbo. Vincente Minnelli dirige o casal Richard Burton e Elizabeth Taylor. (1)


That Man from Rio (1964): Vale pela curiosidade de ver imagens do Rio de Janeiro e de Brasília de 1964. De resto apenas a inusitada forma de verem o Brasil. Com Jean-Paul Belmondo. (2)


Zorba the Greek (1964): Apolínio herdeiro inglês contrata dionisíaco grego. O segundo predomina sobre o primeiro de forma relativamente saudável. Como no livro, o aspecto revolucionário nos costumes diminui o filme. Vale mais para ver Irene Papas. (2)


Les Tontons Flingueers (1963): Comédia francesa onde ainda havia papel para homens serem homens. Grande presença de Lino Ventura. (3)


The Great Scape (1963): Prisioneiros de guerra aliados planejam fuga de um campo alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Clássico repleto de patriotismo, momentos lúdicos, situações de risco e suspense. A trilha sonora encaixa-se perfeitamente na história e nas situações de perigo das personagem. O filme também tem momentos icônicos de Steve McQueen em sua motocicleta. (4)


The Raven (1963): Comédia de terror que usa o poema de Edgar Allan Poe como ponto de partida. Dirigido por Roger Corman , com Vincent Price, Peter Lorre, Boris Karloff e Jack Nicholson. (2)


Barravento (1962): Glauber Rocha disse a que veio neste seu primeiro filme: fazer propaganda política. A história de como um elemento nocivo faz do fim revolucionário uma justificativa para subverter uma sociedade de pescadores parece extraída de um manual de Lenin. Notar o ataque à empresa pesqueira portuguesa – uma narrativa que inibiu a indústria pesqueira no Brasil e reduziu/encareceu o alimento no país (ver O País dos Coitadinhos). (1)


How the West Was Won (1962): Grandes diretores, atores e locações. Mas a saga das duas Prescotts não empolga, e há varias figuras demasiadamente caricatas (e.g. o responsável pela estrada de ferro). (3)


To Kill a Mockingbird (1962): Alabama em 1932 segundo o romance homônimo de Harper Lee. Vemos o Bem e o Mal através dos olhos de uma menina de seis anos. A situação é um tanto forçada, mas transpira bons valores. (4)


The Guns of Navarone (1961): Clássico, bem feito mas datado. (3)


The Innocents (1961): Interessante adaptação do romance The Turn of the Screw de Henry James. (3)


One, Two, Three (1961): Boa comédia explorando todo tipo de estereótipo envolvendo a guerra fria e a vida corporativa. Já valeria só por Billy Wilder e James Cagney, e ainda tem as cenas de uma Berlim em reconstrução. (3)


House of Usher (1960): Não faz justiça ao conto de Edgar Allan Poe apesar dos icônicos diretor Roger Corman e ator Vincent Price. (1)


The Magnificent Seven (1960): Sete pistoleiros são contratados por camponeses mexicanos para libertar a sua aldeia de bandidos opressores. Não é ruim, mas (muito) inferior ao original Seven Samurai (1954). (3)


The Time Machine (1960): Em 1900, H.G. Wells chega atrasado para seu próprio jantar e conta aos convidados sobre suas viagens em sua máquina do tempo. Entretida história na qual o protagonista aprende que o progresso contínuo é apenas um mito modernista. (4)

Comments


bottom of page