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Christopher Nolan (1970- )

  • há 1 dia
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I studied English Literature. I wasn’t a very good student, but one thing I did get from it, while I was making films at the same time with the college film society, was that I started thinking about the narrative freedoms that authors had enjoyed for centuries and it seemed to me that filmmakers should enjoy those freedoms as well.” – Christopher Nolan


Os filmes de Christopher Nolan conseguem ser tanto sucessos de bilheteria quanto objetos de apelo cult tornando o diretor uma figura singularmente admirada em Hollywood, ungido como sucessor de Steven Spielberg e Stanley Kubrick.


Técnico magistral, seus filmes costumam apresentar um raro equilíbrio entre entretenimento popular e reflexão séria, resultando em excelentes filmes em suas primeiras duas décadas de carreira. Porém, desde Dunkirk (2017) nota-se uma inflexão em sua obra, com o diretor passando a dialogar mais com temas progressistas como culpa coletiva, instituições e responsabilidade histórica. Essa mudança fez com que a qualidade de seus filmes despenca-se como observado em Tenet (2020) e Oppenheimer (2023).


Seguem comentários sobre seus melhores filmes:


Memento (2000): Um ex-investigador de seguros sofrendo de amnésia anterógrada usa anotações e tatuagens para caçar o assassino de sua esposa. Nolan resgada a ideia de narrativa não linear de seu filme anterior (Following (1998)) e acerta a mão neste thriller engenhoso que constrói o suspense colocando o espectador na mesma condição cognitiva do protagonista. O filme é uma tragédia moral sobre memória, identidade, autoengano e as consequências destrutivas da obsessão, uma belíssima alegoria da danosa tendência humana de preferir narrativas reconfortantes a verdades dolorosas. Memento estabelecia Nolan como um cineasta original e intelectualmente ambicioso.


Batman Trilogy (2005-2012): Trilogia que recuperou a personagem com uma abordagem mais realista e moralmente complexa, em linha com o HQ original. A trilogia é composta por Batman Begins (2005), The Dark Knight (2008) e The Dark Knight Rises (2012) e desenvolve uma narrativa atual e anti-progressista. Testemunhamos a evolução da personagem desde sua queda até sua redenção final. A queda no poço na infância funciona como um pequeno resumo da narrativa: “caímos para aprender a levantar”, pois onde há escuridão também há esperança (luz que vem de cima),e o pai restabelece a ordem resgatando-o. A morte dos pais dispara a jornada onde o protagonista precisará escolher seu caminho entre o Bem e o Mal. Ao longo desta jornada ele se deparará com diferentes antagonistas carregados de simbolismo: Ra’s Al Ghul (e depois Bane) que distorce a busca do Bem com o emprego dos meios equivocados; o Espantalho com suas drogas (ferramenta revolucionária) e liberação dos criminosos (desencarceramento, bandido como vítima da sociedade, o lumpemproletariado da Escola de Frankfurt como força revolucionária); Coringa como o corruptor de almas demoníaco e niilista (o caos que é contraposto pela ordem representada por Batman); e Miranda como a empresária humanitária de fachada (a elite globalista que fomenta o caos e será devorada pela revolução). O filme também apresenta momentos emblemáticos como a cena de votação sobre destruir a outra balsa, um desmonte da visão utilitarista e recordação de que princípios morais não são objeto de votação, pois a ética está acima da política. Ao final da trilogia Batman dá um salto de fé, desapegando-se de tudo para abraçar sua missão entregando a própria vida. Batman morre redentor, mas Bruce Wayne também se redime, constrói família, e deixa descendência.


The Prestige (2006): Depois de um trágico acidente, dois mágicos de palco na Londres de 1890 se envolvem em uma batalha para criar a ilusão definitiva enquanto sacrificam tudo o que têm para enganar um ao outro. Uma visão de como a obsessão pode cegar as pessoas e provocar danos irreparáveis, Em paralelo, o diretor cria uma alegoria do próprio cinema pois sustenta que fazer um filme e realizar um truque de mágica são atividades análogas: ambas dependem de ocultar informações, controlar a atenção do público, construir uma ilusão convincente e, ao final, oferecer uma revelação que dá sentido a tudo o que foi visto. O espectador sabe que está diante de uma ilusão, mas aceita participar dela justamente pelo prazer intelectual e emocional de ser surpreendido. A narrativa algo confusa e o exagero científico não estragam a diversão.


Inception (2010): Um ladrão que rouba segredos corporativos (interpretado por Leonardo DiCaprio) através do uso de uma mirabolante tecnologia de partilha de sonhos recebe a tarefa inversa de plantar uma ideia na mente de um CEO, mas o seu passado trágico pode condenar o projeto e a sua equipa ao desastre. Com um enredo desnecessariamente complexo vemos o protagonista lutando com a própria culpa que o faz pender entre as imagens de sua falecida esposa, simbolizando o passado do qual ele não consegue se desprender, e os filhos que representam o futuro que ele deseja recuperar. O filme tem o benefício de não reduzir todos os problemas humanos a fatores externos, mas sim localizar o drama principal no interior da própria pessoa, enquanto o percurso pelos diversos níveis do sonho pode ser entendido como uma metáfora da necessidade de enfrentar as próprias ilusões antes de alcançar a liberdade espiritual. O final indica que o protagonista rompe com a prisão psicológica que o mantinha ligado ao passado, mas Nolan preferiu uma última cena para deixá-lo aberto.



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