Denis Villeneuve (1967- )
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“I think cinema is a tool to explore our shadows.”
– Denis Villeneuve
Denis Villeneuve é um dos cineastas mais conhecidos e aclamados do Canadá. Seus primeiros filmes, visualmente inventivos, atmosféricos e sombrios, centravam-se em temas como trauma, identidade e ética.
Os melhores trabalhos de sua escassa filmografia concentram-se na primeira metade da década de 2010, depois Villeneuve sucumbiu ao pior do atual Zeitgeist com péssimos trabalhos como Blade Runner 2049 (2017) e Dune (2021-2024) nos quais desvirtuou o sentido das obras originais.
Seguem comentários sobre seus melhores filmes:
Incendies (2010): Casal de irmãos gêmeos viaja para o Oriente Médio em busca das origens de sua família e realizar os últimos desejos de sua mãe. Baseado na peça teatral homônima de Wajdi Mouawad. Trama bem construída apesar de alguns exageros nas coincidências do destino. A principal questão do filme versa sobre o valor da verdade a qualquer custo. A mãe poderia ter tentado ajudar seu primeiro filho rompendo seu ciclo de violência sem o envolvimento dos seus outros filhos. Envolver os gêmeos naquela sordidez não produziu nada de positivo, lembrando o imperativo kantiano de dizer a verdade abordado em O Pato Selvagem de Henrik Ibsen.
Prisoners (2013): Pai desesperado (interpretado por Hugh Jackman) faz justiça com as próprias mãos depois que a polícia não consegue encontrar sua filha sequestrada. Excelente thriller que explora dramas psicológicos e dilemas morais na busca por justiça. Bela fotografia de Roger Deakins: a chuva constante, o inverno, os ambientes escuros e as cores dessaturadas criam uma sensação permanente de angústia.
Enemy (2013): Professor universitário (interpretado por Jake Gyllenhaal) investiga a vida de um ator que se parece exatamente com ele. Livre adaptação do romance O Homem Duplicado de José Saramago. Alegoria do homem moderno que não quer assumir responsabilidades. O protagonista não consegue mais encontrar satisfação em sua vida e cai numa espiral de infidelidade, mentira e fuga, sendo incapaz de romper este ciclo.
Sicario (2015): Agente idealista do FBI é recrutada por força-tarefa do governo no combate contra o tráfico de drogas na área fronteiriça entre os EUA e o México. O filme é potente em demonstrar que quanto mais as pessoas caem na esparrela da falsa moralidade (e.g. garantismo legal, desencarceramento) e pacifismo, mais elas se transformam em ovelhas numa terra de lobos. A cena da execução do chefe dos traficantes ao final do filme é antológica.


