Interstellar (2014)


A fantasia corre solta nesta aventura intergaláctica. A inclusão de um físico na equipe de produção e o uso abusivo de termos técnico não torna os eventos mais críveis ou possíveis do que as viagens no tempo em De Volta Para o Futuro.

A ultrassecreta instalações da NASA ao alcance de um passeio de carro de pai e filha, e a tão providencial quanto inesperada chegada do piloto que faltava para a missão fundamental para sobrevivência da raça humana também demandam o correr solto da nossa imaginação. Menos mal que as escassas explicações sobre o estado do mundo diante das pragas agrícolas não descambam para o engodo do aquecimento global ou outra bobagem sobre o homem destruindo seu habitat.

Mas até aí tudo bem, pois se trata apenas de uma aventura de ficção-científica. O que surpreende é ler criticas dando um cunho filosófico ao filme. Só se for filosofia de botequim. Afinal o homem como criador e salvador de si mesmo remete ao humanismo que apenas rebaixa a condição humana. É o homem colocado no lugar de Deus. O filósofo romano Boécio já apresentara no começo do século VI a ideia de que apenas Deus tem a habilidade de presenciar passado, presente e futuro simultaneamente, pois Ele não está restrito a condição temporal, explicando Sua onisciência apesar do nosso livre arbítrio.

Portanto o conceito de "espaço de cinco dimensões" é tão velho quanto os ostrogodos reinando na antiga Roma. Só sobra mesmo a bobagem pré-adolescente de querer ser Deus. Mas o filme não é de todo mal. O que o salva é a velha e boa relação humana de perda, dor, luta e redenção, aqui representado na relação entre pais e filhos. Vale também para observar um tipo cada vez mais comum nos dias de hoje: o sujeito que amam a humanidade mas odeiam o homem de carne-e-osso ao seu lado, retratado nas personagens Prof. Brand e Dr. Mann – tipo pusilânime e letal na vida real quando encarnado por cientistas, políticos, acadêmicos e intelectuais.

Filme Nota 3 (escala de 1 a 5)