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Dune I & II (2021 e 2024)


Os filmes Dune I e Dune II dirigidos por Denis Villeneuve correspondem ao primeiro livro da série sci-fi homônima escrita por Frank Hebert (1920-1986) e publicado em 1965 – é o melhor dos seis livros da série publicados até 1985.


Apesar de bem produzido, o filme é demasiadamente longo tornando a experiência cansativa – os dois filmes totalizam 5 horas e 21 minutos de duração, mas poderia apresentar a mesma narrativa em menos de 4 horas. E, uma vez mais, descaracterizaram a obra original para destilar a nociva ideologia que atualmente domina a indústria de entretenimento.


Frank Hebert repercute em sua obra sua visão crítica da natureza psicótica dos políticos (para ele o poder atrairia tais pessoas), da corrupção governamental, da União Soviética (afirmava serem representados pelos Harkonnen em Dune), e da maneira que homem lidaria com a natureza. Crente da teoria evolucionista da humanidade, o autor também abordava temas como as drogas psicodélicas, o Human Potencial Movement, a definição de sanidade, e a relação entre religião e poder.


Apesar dos temas acima já oferecerem diversas abordagens ao gosto dos ideólogos hollywoodianos, Villeneuve introduz a emasculação e o feminismo na receita. O quase andrógino Paul Atreides e um Lex Luthor albino e anorético como Autin Butler (ambos representados por péssimos atores) retratam a efeminação do homem: impotente e submisso diante da figura feminina. Ao passo que a mera concubina Chani dos livros (interpretada pela feiosa e inexpressiva Zendaya) transforma-se no filme em uma feminista, comunista e antagonista da religião, assumindo um papel de destaque.


A única parte interessante dos dois filmes está no final do segundo, após a personagem Paul Atreides beber a Água da Vida (que mais funcionou como um suco de testosterona) e virar homem, começando a falar grosso, puxar briga com todo mundo, assumir sua hereditariedade e sua missão. Paul vence a plutocracia resultante da carcomida oligarquia dominante para instalar uma teocracia – transformando o que parecia ser uma “revolta dos oprimidos” numa guerra santa. Porém a religião professada é totalmente vazia e imanente.


Duna II termina insinuando uma continuação de horrores, com Chani (e talvez também a princesa Irulan) assumindo protagonismo ainda maior para demonstrarem o mal que a religião e o homem branco provocam. Ou seja, dois filmes já foram demais para esta macabra revisão da obra de Frank Hebert.



Dunas I – Filme Nota 1 (escala de 1 a 5) Dunas II – Filme Nota 2 (escala de 1 a 5)

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