All the President's Men (1976)
- 31 de jul.
- 2 min de leitura

“O pior do comunismo não é a opressão, mas a mentira.”
– Aleksandr Solzhenitsyn"
Os repórteres do The Washington Post, Bob Woodward (interpretado por Robert Redford) e Carl Bernstein (interpretado por Dustin Hoffman), investigam os detalhes do escândalo Watergate que levou à renúncia do presidente Richard Nixon.
Peça de propaganda dirigida por Alan J. Pakula muito badalada quando do seu lançamento. O filme promove uma mitificação política, retratando Woodward e Bernstein como heróis enquanto ignora relevantes aspectos do caso Watergate: (a) todos aqueles que planearam o assalto ao escritório do DNC no caso Watergate estavam ligados à CIA e os perpetradores eram cubanos já utilizados pela agência em black ops; (b) o repórter Bob Woodward era um oficial da CIA que se tornou jornalista poucos meses antes de revelar o escândalo Watergate; e (c) Deep Throat, o homem anônimo que revelou o escândalo a Woodward, era o diretor-adjunto do FBI, Mark Felt.
Fato é que o célebre trabalho de Woodward e Bernstein, pela qual foram considerados os dois mais competentes jornalistas deste lado da galáxia, não foi mais do que a sucessiva publicação de informações entregues pelo FBI através do seu diretor-adjunto. E o que dizer da confiabilidade jornalística baseada em um informante anônimo esgueirando-se numa garagem de madrugada?
Todas as pesquisas davam como certa a reeleição de Richard Nixon, como de fato aconteceu. Mas Nixon nutria uma profunda desconfiança em relação à CIA e ao FBI, vendo-os como burocracias ineficientes, politicamente enviesadas (especialmente liberais na CIA) e nem sempre leais ao presidente eleito. Ele criticava sua autonomia excessiva, falhas de inteligência, e tendência a proteger interesses próprios ou do establishment. O Deep State o queria longe da Casa Branca, e um conluio entre a CIA, o FBI, o corrupto juiz John J. Sirica, a imprensa e os poderes subterrâneos de Washington alinharam-se para destituir sua presidência. Qualquer semelhança com a falsa “interferência russa” na primeira eleição de Trump não é mera coincidência – os motivos e até os principais atores do embuste eram os mesmos.
All the President's Men é um filme lento e maçante, e que ajudou a criar o mito dos jornalistas como salvadores ao mesmo tempo em que a imprensa se afundava no pântano da ideologia e da corrupção. Tal glorificação de trapaceiros só colaborou para o galopante esfacelamento do jornalismo.
O filme intrujão de Pakula não é exceção. A indústria de entretenimento é mestre em ornar o imaginário coletivo em respaldo a manipulação da opinião pública em operações políticas nefastas. Em 1971 lançaram o filme Sacco e Vanzetti apresentando aqueles anarquistas assassinos como inocentes; em 1976 Bob Dylan mentia descaradamente para livrar da cadeia o assassino e lutador de box fracassado Rubin “Hurricane” Carter; em 2013 era a vez do filme Mandela: Long Walk to Freedom pintar o ex-terrorista, comunista e mais corrupto dos presidentes da África do Sul como um herói; recentemente no Brasil tivemos os embusteiros Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025)… a lista é interminável.
Filme Nota 1 (escala de 1 a 5)


