Sydney Pollack (1934-2008)
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“I have been accused of playing [the romance] card too often, but I make no apologies because it engages people. How human beings connect, how they embrace and trust and love, engages people. And once you have that connection, the audience is paying attention and all the rest works.” – Sydney Pollack
Originalmente ator e depois diretor de TV, Pollack começa a dirigir filmes em meados dos anos 1960 para tornar-se um dos mais respeitados diretores e produtores das décadas de 1970 e 1980. Reconhecido como um "diretor de atores", Pollack consistentemente obtinha excelentes atuações de estrelas como Jane Fonda, Dustin Hoffman, Barbra Streisand, Paul Newman, Burt Lancaster e Robert Redford, tendo uma estreita e gratificante associação profissional com este último.
Seus filmes não possuem um estilo visual facilmente identificável. No entanto, suas obras geralmente primam pelo efeito visual total, e ele faz frequente uso de tomadas aéreas. Estruturalmente, os enredos possuem uma forma circular, terminando muitas vezes onde começaram.
O progressista Pollack diversas vezes abordou temas políticos, mas de alguma forma o resultado foi o inverso do planejado, e.g. a suposta crítica ao capitalismo em They Shoot Horses, Don't They? e a fracassada idealização de uma militante comunista em The Way We Were. Em outras oportunidades a propaganda ideológica prevaleceu, prejudicando a arte, e.g. Out of Africa (1985).
Seguem comentários sobre seus filmes mais interessantes:
The Swimmer (1968): Homem (interpretado por Burt Lancaster) passa um dia de verão nadando em todas as piscinas de seu tranquilo bairro suburbano. Baseado no aclamado conto homônimo de John Cheever. Grande alegoria da ascensão e queda de um homem. As estranhas mudanças de estação deixam claro que a jornada do protagonista pelas piscinas (água representado transformação) simboliza sua vida inteira. É a história de alguém que se recusou a reconhecer suas próprias falhas, sendo destruído por insistir em viver numa versão idealizada de si mesmo. Dramático, deprimente e imperdível.
They Shoot Horses, Don't They? (1969): Durante a Grande Depressão (1929-1939 – o filme se passa em 1932) as vidas de um grupo díspar de competidores se entrelaçam em uma maratona de dança cansativa e desumana. Baseado no romance homônimo de Horace McCoy escrito em 1935. A Grande Depressão foi causada pela expansão artificial do crédito promovida pelo governo e pelo banco central, e prolongada pelas intervenções estatais (especialmente o famigerado New Deal) que impediram o ajuste natural da economia. Como sempre o povo pagou pelas indevidas interferências do Estado, e They Shoot Horses, Don't They? é uma representação alegórica deste martírio. Claustrofóbico, sombrio e exaustivo.
Jeremiah Johnson (1972): Montanhês (interpretado por Robert Redford) deseja ser um eremita, mas torna-se o objeto de uma longa vingança da tribo Crow. Lenda cinematográfica inspirada em um personagem histórico real (John Jeremiah Garrison Johnston), combinando elementos documentados, tradições orais e ficção literária. A narrativa remete a impossibilidade da vida completamente autônoma – somos zoon politikon. A lenda de Jeremiah parece querer nos dizer que aquilo que você faz por si mesmo morrerá com você, mas o que você faz pelos outros permanecerá e será imortal. Notar o fechamento do ciclo da jornada do protagonista ao encontrar o mesmo índio com o qual se deparou no início, num dos mais belos finais dos filmes do gênero western.
The Way We Were (1973): História de amor envolvendo duas pessoas marcadamente diferentes, a ativista esquerdista Katie (interpretada por Barbra Streisand) e um escritor talentoso (interpretado por Robert Redford), ambientada de meados da década de 1930 a 1950. Adaptação do romance homônimo escrito por Arthur Laurents. O enredo tenta romantizar os intelectuais de esquerda dos anos 1940, mas acaba demonstrando a patologia esquerdista em estar disposta a sacrificar tudo no mundo concreto em nome de princípios abstratos que historicamente se revelaram nefastos. Enquanto Katie militava sob o comando do Komintern, seus líderes cometiam toda sorte de atrocidades como o Holodomor; depois seguindo o zhdanovismo cultural do Kominform a aloprada militante defendeu traidores dos seu próprio país negando as evidências apresentadas pelo senador Joseph McCarthy, cujo único equívoco foi subestimar a infiltração soviética na cultura e política americana. Katie é a inocente útil que abraça a propaganda comunista por dar-lhe um falso sentimento de superioridade moral sobre os demais. E ela nunca aprende, ao final do filme milita pelo desarmamento do seu país para ficar indefeso diante do inimigo. Alguns daqueles traidores revelados pelo House Un-American Activities Committee trabalharam no roteiro do filme (e.g. Dalton Trumbo) e tentaram, sem sucesso, idealizar Katie, mas de alguma forma a realidade esmagou a propaganda.
Three Days of the Condor (1975): Um investigador estudioso da CIA (interpretado por Robert Redford) volta do almoço e encontra todos os seus colegas de trabalho mortos, e precisa fugir até descobrir em quem realmente pode confiar. Baseado no romance Six Days of the Condor de James Grady. O filme representa o auge do chamado "cinema da paranoia" fomentado pela farsa do Watergate, mas, mesmo assim, funciona como um alerta sobre os perigos de agências governamentais excessivamente autônomas oriundas do poder estatal. Um dos melhores filmes de espionagem da década de 1970: roteiro inteligente e tensão constante sem precisar apelar a cenas de ação espetaculares. Notar o uso da arquitetura de Nova York como elemento dramático.
Absence of Malice (1981): Promotor inescrupuloso vaza informação para uma ambiciosa e arrogante repórter (interpretada por Sally Fields), ameaçando destruir a vida de um inocente (interpretado por Paul Newman). Inspirado na ação legal The New York Times Co. versus Sullivan de 1964. Exemplo do dano que a imprensa descompromissada com a ética pode causar. A narrativa reverbera especialmente agora que o jornalismo, endeusando Mammon, abandonou a busca dos fatos, entregando-se a manipulação da sociedade ao sabor daqueles que buscam o Poder. Um tema extremamente relevante e duradouro. Boa atuação de Paul Newman apesar de ter que contracenar com a fraquíssima Sally Fields (o romance entre ambos chega a ser constrangedor).


