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PT em busca do novo discurso

“O pior do comunismo não é a opressão, mas a mentira.”.” Aleksandr Solzhenitsyn (1918-2008) - romancista, dramaturgo e historiador russo


Os pós-marxistas Ernesto Laclau e Chantal Mouffe teorizaram em Hegemonia e Estratégia Socialista (1985) que o agente revolucionário deve elabora livremente a linguagem e o imaginário da sociedade e, através desta elaboração, se apresentar como representante de interesses que não existiam, mas que servem aos seus planos de poder.


O PT aprendeu bem esta lição. Num primeiro instante colocou a corrupção como o problema central do país e auto intitulou-se como o defensor da ética. A ideia de outro enriquecendo, ainda mais ilegitimamente, é particularmente revoltante para um povo cujas características marcantes são o materialismo e a inveja. O discurso prosperou e o PT alcançou o poder.


Tão logo conquistou o Planalto mudaram o discurso lançando o Fome Zero. A ética era deixada de lado e o PT transformava-se no defensor dos “pobres e oprimidos”. O Fome Zero desmoronou diante da evidência que no Brasil a obesidade era um problema maior do que a desnutrição, mas o partido seguiu o novo discurso mergulhando no assistencialismo populista. Como sempre acontece nesta linha de ação, o discurso funcionou até os recursos secarem. O desastroso resultado econômico, somando-se a roubalheira avultada por Lula e seus comparsas aos olhos de um povo educado a ver na corrupção a fonte de todos os malefícios, acabou por tirar o PT do poder.


O que fazer agora? Os ditos intelectuais do partido se revezam nos órgãos de comunicação oficiais da esquerda (Brasileiros, Folha de São Paulo, Caros Amigos, Carta Capital, Veja e tutti quanti) para levantar e defender novos discursos visando ludibriar os incautos. Há de tudo. Uns falam em voltar à defesa da ética, há aqueles que pregam maior aproximação aos ditos movimentos social, outros querem aprofundar a divisão de classes, é também há quem defenda a conquista da classe média. É sobre esta última linha de ação proposta, oriunda da intelligentsia paulistana, que escrevo aqui.


A fórmula para atrair a classe média seria pregar nos políticos petistas a imagem de excelência administrativa e pensamento esclarecido, entendendo este último como a luta pela defesa do meio-ambiente, ideologia de gênero, liberação das drogas, aborto, diversidade, multiculturalismo ou qualquer outro instrumento revolucionário de destruição da tradição cultural propagado pela ONU que esteja em voga no momento. Presenciamos a aplicação desta fórmula na última eleição municipal em São Paulo. Haddad seria um grande administrador por ter reduzida a dívida da cidade enquanto outros municípios e estados debatiam-se em dívida crescente. E sua mente esclarecida seria evidenciada principalmente pela multiplicação de ciclovias que levariam uma vida mais saudável aos paulistanos, e reforçada com sua liberalidade com drogas (e.g. Cracolândia) e apoio irrestrito a ideologia de gênero. Mas alguém em sã consciência acredita nisto? Parece que sim visto que Haddad ficou no segundo lugar nas eleições. Contudo os fatos vão de encontro à imagem que tentam construir para o ex-prefeito.


A redução da divida do município em R$46 bilhões transmite a ideia de que Haddad teria gerado um superávit desta magnitude para efetuar tal redução. Ledo engano. Quem lê os balanços orçamentários da gestão Haddad observa que não houve nenhum superávit, quanto mais da ordem de R$46 bilhões. Na verdade Haddad apresentou o mesmíssimo desequilíbrio entre receitas e despesas de seus antecessores. Haddad foi agraciado pelo governo federal comandado pelo PT com o perdão de parcela da dívida municipal com aquela instância. Este perdão foi permitido pelo Decreto 8.616 emitido pelo Executivo petista visando favorecer os companheiros, não sendo surpresa que mais de 90% do total de perdão concedido via aquele decreto foi justamente para Haddad e a cidade de São Paulo considerada pelo PT como “joia da coroa” e “principal objetivo” nas eleições passadas.


A redução da dívida paulistana nada tem há ver com qualidade administrativa ou habilidade de negociação por parte de Haddad. Para construir o discurso do seu candidato o PT simplesmente reduziu a divida dos paulistanos diluindo-a no aumento da divida de todos os brasileiros. O que era passivo da cidade de São Paulo foi subtraído do minguado ativo do endividado Brasil.


As ciclovias também não passam de discurso. Colocar em risco a vida de ciclistas e dificultar o trânsito dos automóveis não melhora a vida de ninguém como já escrevi em outro momento (ver Idiotas de Bicicleta). Tão pouco o incentivo ao consumo de drogas (ver FHC mente em defesa da descriminalização das drogas) e apologia da sodomia (ver O aberrante casamento gay) melhoraram corpo e alma dos paulistanos.


Mas a estratégia da intelligentsia paulistana pode dar frutos apesar da falta de suporte no mundo real que sustentem a construção do seu discurso. Cooperam para isso a falta de educação (no sentido do latim ex ducare) de um povo obrigado a votar, e uma mídia corrompida por ideologias fermentadas na inveja e no messianismo. Um dos principais sinais do avanço deste grupo nefasto é a penetração midiática forjada para os Três Patetas da filosofia (Clóvis de Barros, Leandro Karmal e Mario Sergio Cortella) que destroem mentes inaptas com suas ideias pueris e nocivas visando a preparação de corações e mentes para o novo discurso.


(Escrito em 14/12/2016)

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