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Penca de Filmes dos Anos 2000



Seguem curtas anotações sobre alguns filmes lançados ao longo dos anos 2000 (notas dos filmes entre parênteses – escala de 1 a 5):


City of Life and Death (2009): Sobre a massacre perpetrado pelo Japão durante a ocupação de Nanjing (China) em 1937. O diretor chinês Chuan Lu sofreu pesadas críticas por retratar positivamente alguns soldados japoneses. Terror e dor sem emoção. (2)


Coco Chanel & Igor Stravnsky (2009): Só vale pela representação da infame estreia da Sagração da Primavera de Stravinsky em Paris em 1913. De resto muita benevolência para a uma mulher imoral e um homem débil. (1)


El Secreto de Sus Ojos (2009): Correm em paralelo a elucidação de um crime não resolvido do passado e a história de amor não concretizada do protagonista. Prende a atenção e envolve emocionalmente. Guillermo Francella que faz a personagem Sandoval rouba a cena. O filme só peca em exageradamente criminalizar o período militar que salvou o país do comunismo. (4)


Star Trek (2009): Revival da famosa série de TV dos anos 1960. Tinha potencial, mas o jogaram pela janela ao optarem por forçar agendas políticas na narrativa. Teve duas sequências: Star Trek Into Darkness (2013) e Star Trek Beyond (2016) com decrescente interesse e crescente lacração. Muita ação, muito efeito especial, e zero envolvimento emocional. Um só exemplo para ilustrar o desastre: sem nenhuma relação com a história Sulu é apresentado como um sodomita “casado” com um homem, arrancando um sorriso de aprovação e satisfação de Kirk quando os vê juntos. (2)


State of Play (2009): Bom thriller com uma raridade hoje em dia quase utópica: um jornalista honesto! Versão cinematográfica de uma série de TV inglesa. (4)


The Blind Side (2009): Baseado em fatos. Bela história de caridade cristã e superação. E pensar que Julia Roberts recusou o papel principal três vezes por preocupação em representar uma cristã devota. (3)


The International (2009): Bom thriller abordando a ingerência de forças privadas em temas públicos. O melhor: o museu Guggenheim de New York e os horrores que contém sendo destruído. O pior: inventarem um comunista honesto. (4)


Blindness (2008): Baseado no romance de José Samago que inventa toda uma história para repetir a universal narrativa de perda da visão para conseguir enxergar a realidade. O livro é ruim, e Fernando Meirelles consegue fazer um filme ainda pior: cores estouradas e desbotadas, abuso de close-ups, e tomadas de planos médios e gerais errática. Um desastre. (1)


Body of Lies (2008): Agente da CIA persegue um poderoso líder terrorista enquanto fica preso entre as intenções pouco claras de seus supervisores americanos e da Inteligência da Jordânia. A trama demora para capturar atenção e quando o faz já não há mais tempo para se envolver emocionalmente com qualquer uma das personagens. Um filme morno com moralidade obscura do diretor Ridley Scott. (2)


In Bruges (2008): Só vale pelas cenas de Bruxelas. Típico humor negro inglês. Final exageradíssimo. (2)


Jessye Norman: A Portrait (2008): Documentário sobre a grande cantora, com direito a doze interpretações da diva. (3)


Red Cliff I and II (2008-2009): Mais do mesmo comum nos filmes orientais com ênfase nas artes marciais: lutas e mortes coreografadas, feitos impossíveis e filosofia bundalelê. (2)


Revolutionary Road (2008): Personagens forçadas e artificiais criadas para transmitir a ideologia do autor. Paródia de um casal disfuncional (Leonardo DiCaprio e Kate Winslet) propagando feminismo e aborticídio. O diretor Sam Mendes parece odiar os subúrbios. (1)


The Baader Meinhof Complex (2008): Minissérie alemã apologética dos jovens monstros assassinos. Manipula a história ao não mostrar que o assassinato do protestante foi perpetrado por um agente da Stasi infiltrado. (1)


The Hurt Locker (2008): Suicida? Temerário? Adrenalina freak? Não sabe mais viver em sociedade? Não há resposta, pois a personagem principal nunca é construída totalmente. O exército é apresentado de forma caricata. (2)


The Soviet Story (2008): Documentário expondo o carácter assassino e psicótico do regime soviético, algo inerente ao pensamento revolucionário. (4)


Um novio para mi mujer (2008): Divertida comédia argentina com tipos impagáveis. Uma forma alegre de lembrar o “Prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te e sendo-te fiel em todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe”. (3)


Breach (2007): Baseado na captura do espião Robert Hanssen que traiu seu país desde dentro do FBI. O filme não é ruim, mas parece mais preocupado em explorar a hipocrisia religiosa e moral do espião do que seus métodos e razão de aliar-se com a KGB. (3)


Michael Clayton (2007): Sujeito em conflito pessoal encontra seu caminho durante caso de indústria de pesticidas corrupta. George Clooney não sabe atuar e não constrói a personagem, final sem impacto (o flashback não funcionou). (2)


The Minst (2007): Visão pessimista do comportamento humano em situação crítica. Final surpresa. Fica um alerta, aparentemente involuntário, ao erro da eutanásia. (2)


Tropa de Elite (2007): O filme acerta em cheio ao colocar bandidos e viciados no seu devido lugar. Daí seu sucesso junto ao público que, mesmo inconscientemente, incomoda-se com a política e midiática bandidolatria. (4)Porém, depois de levarem um pito da turminha bundalelê de Ipanema, o diretor e ator principal de Tropa de Elite vieram com a medonha sequencia Tropa de Elite 2: O inimigo agora é outro (2010). Parece mais um panfleto para fecharem a Câmara e Senado e darem o poder total ao PT então na presidência. Tem até jornalista esquerdista pegando a esposa do policial, e a ridícula afirmação do ex-herói de que não sabe porque mata assassinos que atiram nele. Realmente “o inimigo agora é outro”, o inimigo passou a ser a inteligência da audiência. (1)


300 (2006): Pastiche da narrativa de Herôdotos com muitas imperfeições. A linha em geral não se choca com a história, mas espartanos como defensores da liberdade é demais. A traição do caminho entre as montanhas e da luxúria oriental estão demasiadamente romanceadas e o Xerxes metrossexual é ridículo demais. (3)


Children of Men (2006): O diretor Alfonso Cuarón trucidou o romance homônimo de P.D. James para fazer um panfleto pró imigração que repete todos os talking points liberais. (2)


Flight 93 (2006): Tentativa de descrever o que aconteceu no voo 93 naquele fatídico 11/09/2001 com base nos contatos telefônicos travados entre as vítimas e seus familiares. Pessoas comuns tentando fazer o certo. (3)


Hacking Democracy (2006): Documentário que desnuda os perigos de fraude nas urnas eletrônicas nos EUA. Imaginem aqui no Brasil sobre a tutela dos soretes togados do nosso corrupto sistema judiciário? Informação importante. (3)


Idiocracy (2006): Sátira futurista retratando uma humanidade idiotizada que tem mais graça na ideia teórica (mesmo que falhe na premissa causal da idiotização) que nas cenas efetivamente. (3)


Lucky Number Sleverin (2006): Thriller potencialmente entretido que se perde no excesso de obscenidades, violência e cenas de sexo. Apresentar assassinos como good guys também não ajuda. (2)


O ano em que meus pais saíram de férias (2006): Os dias vividos por um garoto deixado sozinho com o avô durante a Copa de 1970 enquanto os pais terroristas se escondem do governo militar. Quase nenhuma emoção, nem mesmo nostálgica para quem viveu aquele período. O enredo é fraco e equivoca-se historicamente ao retratar os pais terroristas como vítimas. O diretor Cao Hamburger nunca deveria ter saído dos estúdios de TV. (1)


The Black Dahlia (2006): Dois policiais veem suas vidas pessoal e profissional desmoronarem durante as investigações do assassinato de ‘Dália Negra’ Elizabeth Short. Baseado no romance homônimo de James Ellroy publicado em 1987. Exagerado, confuso e melodramático noir que não funciona. Mais um fracasso do diretor Brian De Palma que ainda faria três outros péssimos filmes antes de se aposentar. (1)


The Da Vince Code (2006): O romance homônimo de Dan Brown, é uma peça de propaganda pagã/feminista que calunia Jesus Cristo, a igreja e os cristãos – tal postura levou a intelligentzia a exaltar o livro, daí seu sucesso de vendas. A história do filme/livro envolve a busca de um professor de Harvard e uma criptologista francesa pelo túmulo escondido de Maria Madalena. Sem ritmo, atuações apagadas e direção medíocre, o filme foi mal recebido até pela crítica. A personagem Robert Langdon voltaria em mais dois filmes, ambos baseados em livros do mesmo autor: Angel & Demons (2009) e Inferno (2016). As duas sequências conseguiram ser ainda piores que The Da Vinci Code. (1)


World Trade Center (2006): Lento, entediante e com efeitos visuais paupérrimos – quase um insulto aos que perderam a vida naquele drama e seus familiares. Será que o diretor Oliver Stone, uma antiamericano assumido, não errou propositalmente? (1)


Good Night, and Good Luck (2005): Nos anos 1950 o jornalista de radiodifusão Edward R. Murrow ataca o senador Joseph McCarthy e sua cruzada para revelar a infiltração soviética nos EUA. Hoje sabemos que McCarthy tinha razão, e que a infiltração soviética era muito maior do que ele expôs. Sabemos isto com provas sobejadas desde da década de 1990 com a desclassificação dos documentos do Projeto Venona, com a publicação dos arquivos Mitrokhin e com a parcial abertura dos arquivos da KGB. Mas a mentira continua e em pleno século XXI desavergonhadamente lançam um filme como este. Quanto a George Clooney (ator e diretor deste filme) espero que um dia tenha a honestidade de Humphrey Bogart que ao menos confessou ter sido “usado como um idiota por organizações comunistas”. (1)


Kingdom of Heaven (2005): Panfleto político de Ridley Scott. Os templários são apresentados como fanáticos estupradores e assassinos, a luta por Jerusalém não tem sentido e só acarreta morte. Também, para os protagonistas, inclusive os hospitaleiros, que eram monges cavaleiros, Deus não existe. Há um desequilíbrio de concepção. As únicas figuras positivas são as que se afastam de sua época: o ferreiro-cavaleiro Balian, o rei leproso e tolerante, o magnânimo e desencantado Saladino, que encarnam os valores que Scott gosta e que artificialmente transplantou ao século XII. O desequilíbrio mais grave está precisamente nisto: transportar ao passado o que pensa o progressista diretor, pretendendo que seja crível. (1)


The Constant Gardner (2005): Baseado no romance de John le Carré quem desde os anos 90 não conseguiu mais produzir bons livros, transformando a ambiguidade moral de suas obras anteriores em acusações estridentes ao Ocidente. E é o que vemos neste filme: uma militante insuportavelmente presunçosa, um marido emasculado, e africanos sendo usados ​​como adereços para progressistas insinuarem seu status moral superior em relação aos outros ocidentais (em nenhum momento ouve-se a voz dos nativos). Ainda cita positivamente um remédio problemático (Nevirapine) enquanto usa um medicamento fictício nas atividades criminais da trama. Muito estranho. E cinematograficamente o diretor brasileiro Fernando Meirelles faz um desastre: fotografia, tomadas e edição tornaram a experiência ainda mais irritante – Meirelles precisa voltar à escola de cinema para aprender as regras básicas de narrativa antes de tentar quebrá-las. (1)


The Lost City (2005): A saga de uma família cubana na ilha da revolução dos irmãos Castro. Um pouco lento, mas ajuda a visualizar aquele período negro que se estende até hoje. Dirigido e protagonizado pelo ator cubano Andy Garcia cuja família teve que fugir do inferno castrista. Quando Fidel Castro morreu em 2016 Garcia expressou a tristeza que sentia “...por todo o povo cubano, dentro e fora de Cuba, que padeceu as atrocidades e a repressão causadas por Fidel Castro e o seu regime totalitário. As promessas da sua chamada revolução do pluralismo e da democracia seguem sendo uma promessa falsa e uma traição a todos os direitos humanos básicos.” (3)


Downfall (2004): Excelente produção alemã sobre os últimos dias de Hitler. Para entender o que pode acontecer quando os psicopatas coletivistas chegam ao poder. Forçam a barra ao tentar mostrar todo tipo de aberração alemã ocorrida antes da queda de Berlim, mas isto não chega a prejudicar o todo. (4)


Team America: World Police (2004): Sátira do politicamente correto. Tem cenas hilárias, principalmente as referentes aos esquerdopatas hollywoodianos. (3)


Johnny English (2003): Começo da saga do divertido agente secreto do cômico Rowan Atkinson. Ele voltaria duas vezes mais – Johnny English Reborn (2011) e Johnny English Strikes Again (2018) – mantendo o mesmo padrão. (3)


Memories of Murder (2003): Policial coreano dirigido por Bong Joon Ho. Toques de política no pano de fundo – torturas e manifestações – referentes ao período de Chun Doo-hwan que terminaria um ano depois (flime se passa em 1986). O filme seria melhor sem o tipo de humor praticado como comic relief. (3)


Swimming Pool (2003): Tentativa fracassada de fazer um thriller, e ainda piorado com pitadas de erotismo barato. (2)


The Lord of the Rings: The Return of the King (2003): Último episódio da versão cinematográfica de O Senhor dos Anéis de Tolkie. Antes vieram The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (2001) e The Lord of the Rings: The Two Towers (2002). Completa-se a excelente adaptação da obra de Tolkien, tanto na qualidade cinematográfica quanto na manutenção do centro do seu sentido simbólico. Curiosamente este foi a única realização significativa na carreira do diretor Peter Jackson. (5)


The Room (2003): O "pior filme da história do cinema". Maluco que pensa que é gênio dá nisso. Você ri de tão ruim que é. Virou uma espécie de cult movie, e até fizeram um filme sobre ele: The Disaster Artist (2017). (1)


Dog Soldiers (2002): História de vampiros contra uma unidade do exército com roteiro ridiculamente absurdo. (1)


Equilibrium (2002): Distopia de um mundo onde emoções são proibidas, um pastiche de outras distopias. (2)


Insomnia (2002): A ideia até que é boa, mas o filme não empolga. As personagens sempre parecem que tinha algo a mais a dizer (talvez estivesse no livro). Bola fora de Christopher Nolan. (2)


The Bourne Identity (2002): Homem é resgatado por um barco de pesca, crivado de balas e sofrendo de amnésia, e tem que para escapar dos assassinos enquanto tenta recuperar a memória. Uma adaptação livre da personagem literária criada por Robert Ludlum. Entretido thriller com boas doses de ação e intriga. Mas algo niilista ao colocar a CIA em conflito com o próprio país, forçando o protagonista a abandonar a CIA e agir por conta própria. Teve duas continuações que, apesar de algo inferiores, mantêm o interesse: The Bourne Supremacy (2004) eThe Bourne Ultimatum (2007). (4)


The Sum of All Fears (2002): A personagem Jack Ryan é “assassinada” pelo ator Ben Affleck. Destina exagerado poder aos russos quando seu único poder era a mentira. Bomba com efeitos pouco críveis. Governo americano formado por um bando de paspalhos. (2)


Donnie Darko (2001): Excêntrica história de um jovem esquizofrênico. Bem produzida e atuada, tem excelente trilha musical. Vale a pena apesar da batida revisita de diretores adultos ao seu tempo de escola. (3)


Onde a terra acaba (2001): Interessante documentário sobre Mário Peixoto, diretor de Limite (1931), seu primeiro e único filme, considerado pelos críticos o melhor do cinema nacional. Pobre cinema nacional. (3)


Spy Game (2001): O diretor Tony Scott dirige Brad Pitt e Robert Redford neste thriller de espionagem. Interessante, mas repisa a batida visão da CIA suja. (3)


In July (2000): Ocidente está com seus dias contados caso esta produção turco-alemã – direção de Fatih Akin – reflita algum aspecto da juventude europeia. (1)


La Comunidad (2000): Filme espanhol. A comunidade que se mata por dinheiro… lembra as favelas do Rio. Sem graça e com situações demasiadamente forçadas. (1)


Mission Mars (2000): A primeira missão tripulada a Marte se depara com um desastre catastrófico após relatar uma estrutura não identificada. Uma missão de resgate é lançada para investigar a tragédia e trazer de volta possíveis sobreviventes. O filme mais auspicioso e idealista de De Palma. (3)


Nueve Reinas (2000): Versão argentina de The Sting (1973). Entretenimento certo. (4)


The Crimson Rivers (2000): Interessante policial francês, pena que não mantiveram o padrão na sequência Crimson Rivers 2: Angels of the Apocalypse (2004). (3)


Vatel (2000): Serve apenas para ilustrar os exageros da corte de Luís XV – a etiqueta (pequena ética) levada ao extremo na tentativa de diferenciar a nobreza dos demais. (2)

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