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Ainda Estou Aqui (2024)

  • Foto do escritor: Cultura Animi
    Cultura Animi
  • há 2 dias
  • 7 min de leitura

O pior do comunismo não é a opressão, mas a mentira.

– Aleksandr Solzhenitsyn



Alegando basear-se em fatos históricos, a narrativa versa sobre uma mulher, casada com o conspirador comunista Rubens Paiva durante o regime militar no Brasil, que é forçada a se reinventar e traçar um novo rumo para sua família após seu marido ser preso. Inspirado no livro homônimo escrito por Marcelo Rubens Paiva, filho do casal.


O filme tem trama desconexa, falta-lhe ritmo, e as personagens são pouco desenvolvidas. O diretor Walter Salles tenta algumas escolhas visuais artísticas que são mais confusas que significativas. Mas estes são os menores problemas de Ainda Estou Aqui, pois o que tenta se vender como um drama histórico não passa de uma peça panfletária.


É risível ver Rubens Paiva sendo pintado como um pacato pai amoroso na arrastada primeira meia hora do filme. Em nenhum momento identifica-se quem realmente ele era. Paiva sempre foi envolvido com o comunismo, já na faculdade fazia parte do movimento estudantil. Depois se filiou ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), mudando mais tarde para o PTB brizolista pelo qual elegeu-se deputado federal em 1962. Em fevereiro de 1964, ele participou do lançamento da Frente de Mobilização Popular que pretendia reunir forças de esquerda para resistir ao que chamava de “ameaça golpista”.


Durante um tumulto ao fim daquele evento agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) levaram presos um professor da USP e sua mulher. Rubens Paiva, empunhando um revólver, subiu no capô da viatura e deu uma carteirada para impedir que eles fossem levados. “Sou deputado federal! Soltem o casal que está nessa perua!”, ele gritava. Sem querer criar um incidente com uma autoridade da República, os militares liberaram o casal. Muito pacato o bonachão Paiva.


Tem mais: na pasta de objeto nº 11.778 nos arquivos da StB em Praga, há duas cartas com relatórios oficiais sobre Rubens Paiva, ambas escritas em 27 de março de 1964 por um oficial do serviço secreto comunista tchecoslovaco, que operava no Brasil, de codinome Moldán (Josef Mejstřík).


Nestas cartas o agente identificava Paiva como pertencente à ala mais esquerdista do partido, estando sob a influência do PCB, sendo o então deputado classificado como um esquerdista radical. Moldán estava convencido de que poderia usá-lo para realizar Operações Ativas (ações destinadas a influenciar, manipular ou desestabilizar outros países, governos e sociedades) envolvendo sua atuação no parlamento. Porém, felizmente para o povo brasileiro, nos dias seguintes daquele ano veio o contragolpe, Paiva teve o mandato cassado e foi exilado, indo morar na comunista Iugoslávia (um dos muitos focos de treinamento de terroristas naqueles anos).


Mas em menos de um ano Paiva voltou do exílio, mudo de São Paulo para o Rio de Janeiro, e começou a prestar auxílio aos terroristas como no financiamento da fuga de Helena Bocayuva para o Uruguai (integrante do MR-8 que participou do sequestro do embaixador americano em 1969), escondendo caixotes de armas a pedido de filiados do PCB, e auxiliando na comunicação entre exilados e terroristas ainda no território brasileiro. Rubens Paiva conspirava para derrubar o governo brasileiro e submeter o país ao imperialismo soviético nos moldes de Cuba.


Eunice Paiva também não era flor que se cheire. No livro Ainda Estou Aqui seu filho narra como ela teve papel fundamental na decisão de ilegalmente interromper a gravidez de sua namorada, então com 18 anos: “Ela nem pensou duas vezes. Não deu lição de moral, uma dura, não reagiu emocionalmente, usou a razão, como sempre. Deu o dinheiro, apoio, e ainda exigiu o melhor”. A esposa de Paiva “usou a razão” para assassinar seu neto nascituro. E pelo orgulho com que o filho narra o episódio nota-se que o mal permeia toda a família.


Finalmente, também não dá para não deixar de rir do já batido fantasioso exagero sobre a violência no período militar, como na blitz no início do filme e, principalmente, no interrogatório no quartel que, no filme, mais parecia a prisão de Pitesti na Romênia comunista.


Na guerra contra o terrorismo houve excessos, como o uso de tortura, mas nunca no nível alardeado pelos esquerdistas que mentiam descaradamente para indispor a opinião pública contra o governo. Por isso é importante sempre ter um mente o seguinte depoimento de 2011 da jornalista e ex-terrorista Mírian Macedo:


Eu, de minha parte, vou dar uma contribuição à Comissão da Verdade, e contar tudo: eu era uma subversivazinha medíocre e, tão logo fui aliciada, já caí (jargão entre militantes para quem foi preso), com as mãos cheias de material comprometedor.


Despreparada e festiva, eu não tivera nem o cuidado de esconder os exemplares d'A Classe Operária, o jornal da organização clandestina a que eu pertencia (PC do B/AP-ML/, linha maoista, a mesma que fazia a Guerrilha do Araguaia, no Pará). Não houve filiação formal, mas eu estava dentro, era assim que eu sentia.


Os jornais estavam enfiados no meio dos meus livros numa estante, daquelas improvisadas, de tijolos e tábuas, que existiam em todas as repúblicas de estudantes, em Brasília naquele ano de 1973.


Já relatei o que eu fazia como militante. Quase nada. A minha verdadeira ação revolucionária foi outra, esta sim, competente, profícua, sistemática: MENTI DESCARADAMENTE DURANTE QUASE 40 ANOS!


Repeti e escrevi a mentira de que eu tinha tomado choques elétricos (por pudor, limitei-me a dizer que foram poucos, é verdade), que me deram socos e empurrões, interrogaram-me com luzes fortes, que me ameaçaram de estupro quando voltava à noite dos interrogatórios no DOI-CODI para o PIC e que eu passava noites ouvindo “gritos assombrosos” de outros presos sendo torturados (aconteceu uma única vez, por pouquíssimos segundos: ouvi gritos e alguém me disse que era minha irmã sendo torturada. Os gritos cessaram – achei, depois, que fosse gravação – e minha irmã, que também tinha sido presa, não teve um único fio de cabelo tocado).


Eu também menti dizendo que meus algozes, diversas vezes, se divertiam jogando-me escada abaixo, e, quando eu achava que ia rolar pelos degraus, alguém me amparava (inventei um “trauma de escadas", imagina). A verdade: certa vez, ao descer as escadas até a garagem no subsolo do Ministério do Exército, na Esplanada dos Ministérios, onde éramos interrogados, alguém me desequilibrou e outro me segurou, antes que eu caísse.


Quanto aos “socos e empurrões” de que eu dizia ter sido alvo durante os dias de prisão, não houve violência que chegasse a machucar; nada mais que um gesto irritado de qualquer dos inquisidores; afinal, eu os levava à loucura, com meu enrolation. Eu sou rápida no raciocínio, sei manipular as palavras, domino a arte de florear o discurso. Um deles repetia sempre: “Você é muito inteligente. Já contou o pré-primário. Agora, senta e escreve o resto”.


Quem, durante todos estes anos, tenha me ouvido relatar aqueles 10 dias em que estive presa, tinha o dever de carimbar a minha testa com a marca de “vítima da repressão”. A impressão, pelo relato, é de que aquilo deve ter sido um calvário tão doloroso que valeria uma nota preta hoje, os beneficiados com as indenizações da Comissão da Anistia sabem do que eu estou falando. Havia, sim, ameaças, gritos, interrogatórios intermináveis e, principalmente, muito medo (meu, claro).


Torturada?! Eu?! Ma va! As palmadas que dei em meus filhos podem ser consideradas “tortura inumana” se comparadas ao que (não) sofri nas mãos dos agentes do DOI-CODI.


Que teve gente que padeceu, é claro que teve. Mas alguém acha que todos nós – a raia miúda – que saíamos da cadeia contando que tínhamos sido “barbaramente torturados” falávamos a verdade?


Não, não é verdade. A maioria destas “barbaridades e torturas” era pura mentira! Por Deus, nós sabemos disto! Ninguém apresentava a marca de um beliscão no corpo. Éramos “barbaramente torturados” e ninguém tinha uma única mancha roxa para mostrar! Sei, técnica de torturadores. Não, técnica de “torturado”, ou seja, mentira.


Mário Lago, comunista até a morte, ensinava: “Quando sair da cadeia, diga que foi torturado. Sempre.” Na verdade, a pior coisa que podia nos acontecer naqueles “anos de chumbo” era não ser preso. Como assim todo mundo ia preso e nós não? Ser preso dava currículo, demonstrava que éramos da pesada, revolucionários perigosos, ameaça ao regime, comunistas de verdade! Sair dizendo que tínhamos apanhado, então! Mártires, heróis, cabras bons.


Vaidade e mau-caratismo puros, só isto. Nós saíamos com a aura de heróis e a ditadura com a marca da violência e arbítrio. Era mentira? Era, mas, para um revolucionário comunista, a verdade é um conceito burguês, Lênin já tinha nos ensinado o que fazer.


E o que era melhor: dizer que tínhamos sido torturados escondia as patifarias e “amarelões” que nos acometiam quando ficávamos cara a cara com os "ômi". Com esta raia miúda que nós éramos, não precisava bater. Era só ameaçar, a gente abria o bico rapidinho.


Quando um dia, durante um interrogatório, perguntaram-me se eu queria conhecer a “marieta”, pensei que fosse uma torturadora braba. Mas era choque elétrico (parece que “marieta” era uma corruptela de “maritaca”, nome que se dava à maquininha usada para dar choque elétrico). Eu não a quis conhecer. Abri o bico, de novo.


Mas a tática da mentira deu certo. Até o lançamento de Ainda Estou Aqui os terroristas, familiares e simpatizantes já tinham expropriado mais de R$ 18 bilhões (sem correção monetária) do povo brasileiro através de indenizações via a famigerada Comissão da Anistia (retroalimentada pela malevolente Comissão da Verdade). O custo anual das indenizações está presentemente na casa de R$ 1,2 bilhão, estimando-se o custo total chegará a casa dos R$ 30 bilhões. Este será o valor expropriado para recompensar aqueles que conspiraram com nações estrangeiras contra o povo brasileiro para implementar a “ditadura do proletariado”.


Também vem sendo bem lucrativa a exploração artística deturpada dos eventos que sucederam o contragolpe de 1964: os governos esquerdistas financiam as obras (com dinheiro do povo), a intelligentzia aplaude, e a máquina de festivais internacionais woke premia. E às favas com a Verdade.



Filme Nota 1 (escala de 1 a 5)

©2019 by Cultura Animi

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