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Penca de Filmes de 2026

12 de set.
6 min de leitura

Atualizado: 3 de out.


Seguem curtas anotações sobre alguns filmes lançados em 2025 (notas dos filmes entre parênteses – escala de 1 a 5):


Backrooms: Depois que seu paciente desaparece em uma dimensão além da realidade, uma terapeuta aventura-se no desconhecido para tentar salvá-lo. O jovem diretor Kane Parsons ganhou fama com uma série de curta-metragens homônimos no YouTube, e agora traz a mesma narrativa em formato de longa-metragem. Porém, o que aparentemente funcionava em 3 minutos tornou-se tremendamente enfadonho num longa. As personagens não são desenvolvidas (e pessimamente interpretadas por atores fraquíssimos), a narrativa irreal carece de emoção e explicação, e as pretensões filosóficas parecem saídas de um livro barato de auto-ajuda. (1)


Citizen Vigilante: Homem faz justiça com as próprias mãos em função da falha (intencional?) dos governos em proteger seus cidadãos da horda de imigrantes que invade o Ocidente. Sua cruzada faz dele uma estrela na mídia social, mas o coloca em conflito com a Interpol. O diretor Uwe Boll demonstra tino comercial em oferecer catarse a uma sociedade cansada das injustiças provocadas pelas elites globalistas e suas marionetes esquerdistas. O filme consegue se sustentar apesar do baixíssimo orçamento e da narrativa quase didática. Um filme mais educativo e necessário que entretido. Será o início de uma nova franquia como foi Death Wish (1974)? (3)


Crime 101: Ladrão de joias e uma corretora de seguros arriscam tudo contra um detetive obsessivo e um rival volátil. Thriller previsível dirigido por Bart Layton. O roteiro abusa dos clichês woke: ladrão bonzinho que rouba porque foi pobre, instituição policial violenta e imoral, ricos desprezíveis, e empresa de seguro (capitalismo) imoral e machista que explora mulher negra. Ao final os três protagonistas conseguem o que querem e se safam de seus crimes. Narrativa doentia – o suposto mundo mau justifica os crimes – para fabricar delinquentes. (2)


Disclosure Day (2026): Se você descobrisse que não estávamos sozinhos, e alguém te provasse isso, você se assustaria? Steven Spielberg escreve e dirige este sci-fi humanista que fica muito a dever a Close Encounters of the Third Kind (1977). A direção e valores de produção mantêm o padrão de qualidade de Spilberg, mas o roteiro tenta, sem sucesso, abarcar demasiados temas, falta credibilidade aos vilões, e o tom geral é sentimentaloide (e.g. torturas, animais, “listen”). O ponto mais positivo é finalmente ouvir em um filme hollywoodiano uma personagem da clerezia referir-se a existência de extraterrestre em acordo com os pronunciamentos da Igreja Católica. (2)


Mayday: No final da Guerra Fria, avião de piloto americano (interpretado por Ryan Reynolds) em missão de reconhecimento na Rússia é abatido, e ele contará com uma ajuda inusitada para voltar para casa. Buddy comedy em ritmo de aventura que provoca, no máximo, uns poucos sorrisos. As expressões faciais, falas e atitudes snow flake da personagem encarnada por Ryan Reynolds são insuportáveis. A inserção forçada de apologia ao homossexualismo, e a repetição do engodo de que a glasnot era um processo de democratização da URSS em nada ajudam ao filme. (1)


Michael (2026): Apresenta a carreira de Michael Jackson desde a descoberta de seu talento como líder do Jackson Five até o auge com a turnê Bad no final dos anos 1980. Dirigido por Antoine Fuqua, o filme é quase uma hagiografia de Michael Jackson focando em seu sucesso musical e conflito com o pai. O roteiro poderia ter dispensado a falsa alegação de que a MTV recusava exibir mais vezes os video-clips de Jackson (heavy rotation) em função dele ser negro, pois a razão era que a linha editoria da emissora ainda era fortemente orientada para o rock. Inaugurada em 1981, tendo um negro entre seus cinco VJs, a MTV exibiu inúmeros video-clips de artistas negros antes de Billie Jean, como Grace Jones, Donna Summer, Tina Turner, Prince e muitos outros. Mais e mais artistas negros se apresentaram na MTV conforme sua linha editorial abraçou outros gêneros de música pop. Com 27 canções executadas (integral ou parcialmente) ao longo do filme, Michael é um musical para a legião de fãs do falecido astro pop. (3)


Obsession: Jovem romântico faz um misterioso pedido para conquistar o coração de sua paixão conseguindo exatamente o que pediu, mas logo descobre que alguns desejos têm um preço sombrio e sinistro. Em sua segunda direção de longa-metragem Curry Barker faz uma curiosa fantasia de terror que tem o benefício de não ser panfletário. O enredo remete ao romance A Pele de Onagro de Balzac quanto ao desejo ilimitado que acaba consumindo aquele que deseja. O filme poderia ser uns quinze minutos mais curto, mas ainda sim entretém. (3)


Pressure: Dramatização das 72 horas que antecedem o Dia D, e como o General Dwight D. Eisenhower e o meteorologista Capitão James Stagg precisam tomar decisões sob condições incertas. Adaptação da peça teatral homônima de David Haig competentemente dirigida pelo australiano Anthony Maras. O filme naturalmente faz uso de licenças criativas para manter o nível de suspense numa narrativa de eventos históricos conhecidos. Excelente exemplo da solidão de reais líderes que têm que decidir sabendo que são os únicos responsáveis pelo ônus do resultado independentemente da qualidade de suas assessorias. (3) 


Project Hail Mary: Um professor de ciências acorda sozinho em uma nave espacial. À medida que sua memória retorna, ele descobre sua missão para impedir que uma substância misteriosa mate o Sol da Terra, e que uma amizade inesperada pode ser a chave para salvar a humanidade. Filme arrastado (poderia ter no mínimo 45 minutos a menos que as 2h36 de duração) protagonizado por um ator (Ryan Gosling) sem força para carregar o filme nas costas. O humor chinfrim e o exagero de pieguices também não ajudam. Um sci-fi para a geração snow flake dirigido por Phil Lord e Christopher Miller. (1)


The End of Oak Street: Uma família precisa sobreviver depois que um evento cósmico transporta sua vizinhança suburbana para algum lugar desconhecido. Desastre em todos os sentidos: narrativa frouxa, sem ritmo, personagens desprezíveis e ilógicos, atuações constrangedoras, efeitos especiais medíocres, e wokeness brega – depois do retumbante fracasso de Under the Silver Lake (2018), o roteirista e diretor David Robert Mitchell apelou ao girl power e lesbianismo para agradar a intelligentzia e tentar voltar ao circuito. Um pastiche vazio e dessacrado de Spielberg. (1)


The Invite: Casal com problemas no relacionamento convida seus enigmáticos vizinhos para um jantar. Pretensa comédia dramática que transforma uma crise no casamento em pretexto para promover uma visão progressista da liberdade erótica: o filme apresenta a monogamia e as convenções morais como formas de repressão, enquanto trata a experimentação sexual como caminho de autenticidade e emancipação. Um mero festival de clichês ideológicos da cultura contemporânea sobre sexo, terapia e relacionamentos, em vez de questionar seriamente a desordem moral e afetiva que pretende retratar – confusão de libertação com permissividade e de profundidade psicológica com a simples normalização da revolução sexual. Todos os três filmes até agora dirigidos por Olivia Wilde, uma declarada bissexual, apresentam apenas vulgaridades. (1)


The Mandalorian and Grogu: Outrora um caçador de recompensas solitário, o Mandaloriano Din Djarin e seu aprendiz Grogu embarcam em uma nova aventura de Star Wars. Longo em demasia, ainda mais para um enredo nada envolvente, e sem dramaticidade, The Mandalorian and Grogu nada acrescenta a esta já desgastada franquia. (2)


The Yellow Tie: A vida do maestro Sergiu Celibidache desde a sua infância na Romênia, até ao seu exílio em busca de uma carreira musical, sua luta pela sobrevivência na Alemanha durante a guerra e a sua ascensão, queda e ascensão novamente. Narrativa ficcionalizada do maestro escrita e dirigida por seu filho Serge Ioan Celebidachi. Bem cuidada produção romena, que funciona bem para quem tem familiaridade com o universo da música erudita e com a história de Celibidache. (3)


Tom Clancy's Jack Ryan: Ghost War: Jack Ryan se reúne novamente com seu mentor da CIA para enfrentar um passado que ninguém queria lembrar. O ator John Krasonski encarna uma vez mais a personagem criada por Tom Clancy, agora neste longa dirigido por Andrew Bernstein. O roteiro é tão forçado quanto presumível, patinando na repetitiva narrativa da CIA cuspindo para cima –um filme sem ritmo e emoção. A personagem power girl interpretada por Sienna Miller é risível, e o ator(?) Wendell Pierce consegue estragar todas as suas cenas. (1)


Torrente Presidente: Impagável sátira que zomba dos estereótipos sociais e políticos espanhóis, apresentando paródias de acontecimentos reais e participações especiais da esfera política. Depois de doze anos o ator, roteirista e diretor Santiago Segura traz de volta sua personagem José Luis Torrente, um ex-policial corrupto, racista, machista, xenófobo e profundamente incompetente. É o sexto filme da franquia Torrente, e vale a pena fazer uma retrospectiva vendo todos desde o primeiro lançado em 1998. Em princípio, Santiago Segura concebeu José Luis Torrente como uma caricatura estereotipada e denegrida do espanhol conservador: corrupto, preguiçoso, racista, machista, xenófobo, incompetente e covarde. A intenção declarada do diretor era que o público risse dele, não com ele. Mas a maioria do público naturalmente concorda com muitas ideias da personagem, mesmo desprezando sua conduta. Assim os filmes de Torrente resultaram em uma excelente sátira das loucuras progressistas, exatamente o oposto do que buscava seu criador. (4)


Tuner: Talentoso afinador de piano que sofre de hiperacusia descobre uma aptidão inesperada para arrombar cofres, virando sua vida de cabeça para baixo. Enredo previsível que depende de excessivas coincidências para se desenvolver neste misto de drama e thriller dirigido por Daniel Roher. E mais uma vez a indústria de entretenimento romantiza o crime com a batida fórmula de “ricos fúteis e malvados merecem ser roubados pelo protagonista que precisa de dinheiro para uma boa causa”, uma receita imoral que parte de uma falsa premissa. (2)

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