Franklin J. Schaffner (1920-1989)
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“Take your stinking paws off me, you damned dirty ape!” – Taylor (Chalton Heston), primeiras palavras ditas por um humano aos macacos
Famoso e inovador diretor de TV que fez poucas incursões no cinema, mas realizou quatro grandes adaptações da literatura para as telas entre 1968 e 1978 que merecem ser revisitadas:
Planet of the Apes (1968): Depois de ser mantido em hipersono durante uma longa expedição ao espaço profundo, uma tripulação de astronautas aterrissa no século 40 em um planeta onde macacos falantes escravizam os humanos. Baseado no romance de Pierre Boulle, que também assina o roteiro junto com Rod Serling. Um dos filmes de ficção científica mais entretidos já produzidos. Tem ação, suspense, humor, e um dos finais mais surpreendentes da história do cinema. Mesmo o fato da narrativa ser repleta de alegorias políticas e sociais algo rasas não prejudica a diversão. Protagonizado por Chalton Heston que sozinho eleva a qualidade do filme a um patamar inimaginável sem ele. O sucesso foi tamanho que gerou mais quatro sequências entre 1970 e 1973: Beneath the Planet of the Apes (1970), Escape from the Planet of the Apes (1971), Conquest of the Planet of the Apes (1972), e Battle for the Planet of the Apes (1973) – porém sem nunca sequer se aproximar da estatura do primeiro filme (nenhum deles dirigido por Schaffner). Em 1974 lançaram uma série de TV com 14 episódios (Planet of the Apes), e uma séria animada com 13 episódios no ano seguinte (Return to the Planet of the Apes) – ambas dispensáveis.
Patton (1970): A campanha do polêmico general americano George S. Patton na Segunda Guerra Mundial. Baseado na biografia de Patton escrita por Ladislas Farago: Patton: Ordeal and Triumph. Talvez o melhor filme sobre guerra já realizado: celebra o espírito guerreiro lembrando-nos de que devemos estar sempre prontos para morrer por alguém ou algo que amamos. Roteio e direção soberbos pontuados com a pujante trilha sonora de Jerry Goldsmith. Imperdível do grande discurso inicial até a última cena. O filme arrebatou sete Oscars, incluindo melhor filme, direção, roteiro adaptado e melhor ator – Scott recusou seu prêmio por sempre professar que toda e qualquer atuação é única, e atores não deveria competir entre si. Para Scott a cerimônia do Oscar era “a two-hour meat parade, a public display with contrived suspense for economic reasons.” Historicamente o general Patton estava corretíssimo em desejar empurrar os soviéticos de volta para Moscou, livrando os europeus orientais da mortal canga comunista. Mas o coletivista FDR fez de tudo para favorecer Stalin, e milhões sofreram (e ainda sofrem) por isso.
Papillon (1973): Condenado francês Papillon (interpretado por Steve McQueen) na década de 1930 faz amizade com um colega criminoso (interpretado por Dustin Hoffman) numa colônia penal na Ilha do Diabo na Guiana Francesa, e juntos planejam fugir. Baseado no romance autobiográfico semi-ficcional homônimo de Henri Charrière. Apesar do grande sucesso junto ao público o filme é demasiadamente sombrio, e a suposta celebração da busca da liberdade é manchada pelo fato de que Papillon era culpado do crime que o levou à prisão. É um trabalho inferior aos outros três aqui listados.
The Boys from Brazil (1978): Um caçador de nazistas no Paraguai descobre uma conspiração sinistra e bizarra para reerguer o Terceiro Reich. Entretido misto de thriller e sci-fiction baseado no bestseller homônimo de Ira Levin. É ativar o suspension of disbelief e navegar ao longo da tensão envolvendo a gradual revelação do mistério. Schaffener acerta em dar mais relevância às questões éticas envolvidas do que à especulação científica. Oportunidade de ver os já veteranos Laurence Olivier, Gregory Peck e James Mason juntos.


