Luc Besson (1959- )

“When I make a movie, I want to transport people away from their everyday lives.”
– Luc Besson
O roteirista e diretor Luc Besson (1959), um dos principais nomes do cinéma du look francês, construiu desde os anos 1980 uma carreira marcada pela exuberância visual, pelo gosto pelo espetáculo e pela fascinação por personagens marginais ou deslocados. De Subway a Nikita, Léon e The Fifth Element, revelou-se um cineasta de extraordinária imaginação plástica, capaz de criar mundos cinematográficos imediatamente reconhecíveis, combinando ação, música, fantasia, ficção científica e romantismo pop.
Mas sua principal qualidade é também sua principal limitação: Besson pensa antes de tudo em imagens. Possui enorme senso de ritmo, composição e atmosfera, mas frequentemente seus roteiros, diálogos e personagens ficam aquém da riqueza visual. O sentimentalismo, a ingenuidade narrativa e a superficialidade psicológica se tornam particularmente evidentes em suas produções mais ambiciosas. Mas mesmo quando fracassa dramaticamente, Besson dificilmente deixa de ser visualmente inventivo. É, sobretudo, um cineasta do espetáculo e da imaginação, mais próximo da linguagem dos quadrinhos e da fantasia cinematográfica do que do realismo psicológico.
A partir dos anos 2000, a qualidade de sua obra deteriorou-se e Besson dedicou-se mais a escrever e produzir seus roteiros, sendo responsável por numerosos filmes de ação, e ampliando enormemente sua influência sobre o cinema comercial europeu.
Seguem comentário sobre seus melhores filmes:
Subway (1985): Depois de improvisar um assalto à casa de um obscuro magnata, Fred (interpretado por Christopher Lambert) refugia-se no universo surreal do Metro de Paris onde encontra seus diversos habitantes, e os capangas e a jovem esposa desencantada (interpretada por Isabelle Adjani) do magnata. Em seu segundo longa-metragem Besson demonstrava que seu interesse principal não estava na narrativa, mas sim na criação de mundos cinematográficos: o metrô parisiense transforma-se em um universo paralelo. Uma mescla de gêneros – thriller, comédia, romance – que se destaca pela atmosfera visual: iluminação neon, fumaça e sombras, movimentos de câmera fluidos, arquitetura brutalista, cores fortes e pela trilha sonora de Éric Serra incorporada à narrativa. Notar como o enredo se desenrola naturalmente com um mínimo de informação.
La Femme Nikita (1990): Criminosa condenada (interpretada por Anne Parillaud) recebe uma nova identidade e é treinada como uma espiã/assassina ultrassecreta. Entretido thriller que foi o primeiro filme de Besson a obter grande sucesso comercial internacional, projetando-o definitivamente fora da França. A narrativa funciona como uma sombria e violenta versão de Pigmaleão de Bernard Shaw. Besson utiliza figurino, maquiagem, cabelo, postura e enquadramento para contar a evolução da protagonista sem precisar explicá-la constantemente por diálogos. As cenas de ação são quase coreografadas, muitas concebidas como um video-clip. Notar a memorável entrada em cena de Victor “The Cleaner” (interpretado por Jean Reno).
Léon: The Professional (1994): Após ter sua família assassinada por um grupo de policiais corruptos, uma jovem de 12 anos (interpretada por Natalie Portman) pede a ajuda de um assassino ítalo-americano (interpretado por Jean Reno) em busca de vingança. Besson resgata e adapta a personagem Victor de La Femme Nikita nesta impactante filme de ação. Impressionante debut de Natalie Portman e interpretação de Gary Oldman como o policial corrupto. É acionar o suspension of disbelieve e divertir-se com esta inusitada alternativa do arquétipo do mestre e do discípulo. Foi o ponto alto da carreira do diretor.
The Fifth Element (1997): Ex-comando que se tornou taxista do século 23 (interpretado por Bruce Willis) ajuda uma misteriosa jovem (interpretada por Milla Jovovich) a recuperar quatro pedras elementais para destruir uma força maligna antiga que ameça o planeta. Entretida superprodução sci-fi em tom de comédia – foi até então o maior orçamento de um filme produzido fora dos EUA. Besson transformou uma história relativamente simples em uma experiência visual gratificante, remetendo a uma grande história em quadrinhos. Bruce Willis assegura o humor, mais que respaldado por um hilário Chris Tucker como um caricato apresentador de rádio e televisão. Destaque para a apresentação da personagem Diva Plavalaguna, onde Besson integrar música, montagem, ação e espetáculo em uma única sequência.


