Penca de Filmes de 2025
- 7 de jan.
- 20 min de leitura
Atualizado: há 2 dias

Seguem curtas anotações sobre alguns filmes lançados em 2025 (notas dos filmes entre parênteses – escala de 1 a 5):
28 Years Later: Alguns poucos sobreviventes encontraram uma maneira de viver entre os infectados quase três décadas desde que o vírus da raiva escapou de um laboratório de armas biológicas e uma quarentena foi imposta no Reino Unido. O diretor Danny Boyle requenta seu filme de 2002 neste primeiro filme de uma trilogia. Mais do mesmo: filme de zumbi com pueris alegorias críticas ao Brexit, religião, exército, etc. Além distro o filme não tem conclusão, servindo apenas para tentar atrair o espectador para a sequência. (1)
A House of Dynamite: Um único míssil de origem desconhecida é lançado contra os Estados Unidos, dando início a uma corrida para determinar quem é o responsável e como responder. A mesma história repetida de três pontos de vista diferentes sem nenhum desfecho. A primeira rodada até que gera alguma curiosidade, que começa a desvanecer na segunda volta, e é substituída por tédio na terceira repetição, ainda mais quando protagonizada por um ator tão limitado quanto Idra Elba. E no final não se sabe quem lançou o míssil, nem como o ataque será respondido. O filme é ainda impregnado de wokismo: elenco forçadamente multirracial, militares homens brancos malvados discutem com jovens, resgata a corrupta agência FEMA, mulheres e negros bonzinhos, e propaganda antiarmamentista. Uma aberração pacifista dirigida por Kathryn Bigelow cujo roteiro poderia ser assinado por Moscou ou Pequim. (1)
Afternoons of Solitude: Documentário dirigido por Albert Serra seguindo várias corridas do toureiro peruano Andrés Roca Rey (líder o ranking de toureiros) em temporadas na Espanha. Sem narração, entrevistas, comentários ou contexto, o filme centra-se nos preparativos, deslocamentos hotel-praça-hotel, e nas corridas. O filme apresenta, sem filtros ideológicos, tanto a coragem e destreza do toureiro como a luta inglória do touro. O documentário é monótono e, naturalmente, violento. E cada espectador decide se está vendo um reflexo da condição humana, onde o touro (instinto, morte) é dominado pelo homem (razão, beleza), convidando à reflexão sobre coragem, efemeridade e o mistério da existência, ou identifica apenas crueldade com o animal. (2)
April: Uma ginecologista obstetra enfrenta acusações após a morte de um recém-nascido. Enquanto corre uma investigação, ela segue praticando abortos ilegais e clandestinamente distribuindo pílulas anticoncepcionais. Esta produção georgiana da diretora Dea Kulumbegashvili é uma descarada tentativa de defender o assassinato de nascituros. A direção de Kulumbegashvili apela para desgastados clichês art-house como longuíssimas tomadas sem sentido, interpretações e diálogos antinaturais, cenas grotescas, e inserção de elementos surreais. É a atual receita de sucesso junto a crítica: a combinação de tema progressista e direção “visionaria” (termo usado pela crítica para descrever o lixo que querem defender – outro termo muito usados nestes casos é “direção hipnótica”). A diretora insere em algumas cenas uma figura humanoide disforme que diz simbolizar o peso emocional e psicológico acumulado pela protagonista no seu "trabalho", mas esta figura monstruosa mas parece representar sua alma assassina. (1)
Black Bag: Uma agente de inteligência (interpretada por Cate Blanchett) é suspeita de trair a nação, e seu marido, também um agente, enfrenta a questão entre ser leal ao casamento ou ao seu país. O diretor Steven Soderbergh tenta reproduzir o clima das boas adaptações dos romances de John le Carré que destacam-se pela qualidade da narrativa e diálogos ao invés das cenas de ação, porém o roteiro de Black Bag é pobre e os diálogos extremamente artificiais em conteúdo e forma. E o estrago provocado por botox no rosto de Cate Blanchett é constrangedor. (2)
Bring Her Back: Casal de irmãos descobrem um ritual aterrorizante na casa isolada de sua nova mãe de acolhimento. Produção australiana dirigida pelos irmãos Danny e Michael Philippou. Filme de horror moroso, previsível (o título já diz tudo), apelativo (repleto de cenas feitas para chocar que nada agregam a narrativa), e sem nenhuma catarse ao final. Destaque positivo apenas para a atuação de Sally Hawkins como a mãe de acolhimento. (1)
Bugonia: Dois malucos sequestram a CEO de uma grande empresa farmacêutica, convencidos de que ela é uma alienígena com intenção de destruir a Terra. Remake do filme sul-coreano Save the Green Planet! (2003) de Jang Joon-hwan. Sátira de uma só longa piada que perde rapidamente a graça. Um exercício de misantropia pouco entretido do diretor Yorgos Lanthimos. Sim, há muitas coisas erradas neste planeta, mas matar todo mundo não é a solução, ainda mais como sacrifício no insano altar à Gaia. Lanthimos faria melhor se apontasse o dedo aos problemas reais, a começar pela perda do sentido de transcendência. (2)
Caught by the Tides: Uma frágil história de amor desde o início dos anos 2000 até os dias atuais. Escrito e dirigido por Jia Zhang-ke que usa cenas de filmes realizados há mais de duas décadas, o que explica o envelhecimento (sem maquiagem) dos atores protagonistas. A desconectada colagem de cenas de diferentes filmes e a quase ausência de diálogos impede que as personagens ganhem vida, impossibilitando qualquer empatia por elas. Sobra apenas uma melancólica visão sobre o impacto da modernização chinesa sobre a vida do povo – com fracasso amoroso do casal representado a desilusão da população. Destaque para a atuação da atriz Tao Zhao, e nada mais. (2)
Direct Action: Documentário francês centrado nas rotinas diárias dos eco-terroristas da gangue ZAD. Um manual incentivando práticas criminosas dirigido por dois declarados esquerdistas. (1)
Downton Abbey: The Grand Finale: Um escândalo e problemas financeiros obrigam os Crawleys a enfrentar mudanças ao adentrar os anos 1930. Quase nada acontece ao longo deste filme que só funciona para os fãs da série familiarizados com as personagens – mesmo para estes pode decepcionar dada a ênfase em feminismo e tolerância com desvios anímicos. E como entender a insistência em apresentar a feiosa e insípida atriz Michelle Dockery como uma mulher atraente? Este “grand finale” não passa de um caça-níquel. (2)
Eddington: Em maio de 2020, o impasse entre o xerife e o prefeito de uma pequena cidade desperta conflitos entre a diminuta população. Escrito e dirigido por Ari Aster que tenta inserir numa minúscula cidade do Novo México quase todos os conflitos hodiernos, e.g. uso excessivo das mídias sociais, manipulação de pandemias, proliferação de seitas, conflitos étnicos, imigração, terrorismo, corrupção politica, ecologismo, etc. Tamanha ambição torna as situações artificiais e as personagens caricatas, meras paródias midiáticas, provocando apenas risos de deboche e nenhuma reflexão. O filme desenvolve-se num crescendo de absurdidades e termina chegado a lugar algum. As personagens são apresentadas desconectando-se da realidade e entrando em conflito entre si, mas nunca aborda a questão fundamental: quem está provocando este comportamento e qual seu objetivo. (1)
Eden: Grupo de estrangeiros se estabelecem em uma ilha remota apenas para descobrir que sua maior ameaça não era o clima brutal ou os animais selvagens, mas uns aos outros. Baseado num caso real conhecido como Caso Galápagos ou Mistério de Floreana. Dirigido por Ron Howard, o roteiro toma liberdades criativas: (a) exagera elementos sensacionalistas como erotismo e intrigas psicológicas, (b) usa belas atrizes para representar mulheres que não eram nem um pouco atraentes, (c) cria situações inexistentes, como o parto durante um ataque de cães selvagens, e (d) aposta em alguns dos muitos especulados possíveis destinos daquelas pessoas, um mistério que nunca será esclarecido. Porém o roteiro mantém o núcleo histórico de como o desejado “paraíso” se transformou num inferno. Apesar dos exageros, é um interessante relato do nefasto destino de todas as ideias utopistas, ainda mais quando idealizadas por um misantropo (Friedrich Ritter) que acreditava ter a chave da existência humana. Ninguém retratou melhor o utopismo de forma ficcional que Dostoiévski em Os Demônios. O Caso Galápagos exemplifica o utopismo, assim como as colônias americanas Jamestown (1607-1611) e Plymouth (1620-1623) revelam o destino do coletivismo, e as infames colônias brasileiras Santa Cecilia (1890-1894) e Afonso Cavalcante (1893-1897) ilustram o fracasso anarquista – todas ideologias destinadas ao fracasso por contrariarem a natureza humana. (3)
F1: The Movie: Piloto de Fórmula 1 (interpretado por Brad Pitt) sai da aposentadoria a pedido de um amigo para ajudar no amadurecimento de um piloto mais jovem. Um elaborado comercial para a franquia F1 dirigido por Joseph Kosinski. A narrativa esquemática, a personagem de Pitt pouco desenvolvida, a personagem do jovem piloto representado por um péssimo ator, o exagero no uso de efeitos computadorizados, e o abuso no uso dos regulamentos, especialmente no final, extirparam a emoção do filme. (3)
Flight Risk: Um piloto transporta uma delegada que acompanha uma testemunha a julgamento. Enquanto atravessam as montanhas do Alasca, as tensões cresce e a confiança é testada, pois nem todos a bordo são quem parecem. Thriller eficiente dirigido por Mel Gibson que peca no final em apressar sua conclusão. (3)
Frankenstein: Dr. Victor Frankenstein dá vida a uma criatura em um experimento monstruoso que acaba levando à ruína todos os envolvidos. O diretor Guillermo del Toro usa o romance homônimo de Mary Shelley (escrito em 1818) como desculpa para exercitar sua bizarrice visual. Toro também faz uso de diversos elementos dos dois filmes dirigidos por James Whale nos anos 1930. Esta baralhada e demais desvios da obra original a descaracterizaram, sem acrescentar nenhuma novidade interessante, sobrando apenas personagens ocas (interpretadas por atores medíocres), diversas incoerências e exagerados efeitos visuais. (1)
Hamnet: Depois da morte de seu filho Hamnet, a curandeira Agnes Shakespeare é atingida por uma dor intensa. Ela e seu marido William lutam para aceitar a fragilidade da vida e a crueldade da peste. Baseado no romance homônimo da escritora feminista Maggie O’Farrell, e dirigido pela árdua defensora da ideologia de gênero Chloé Zhao. Toda a narrativa é pura ficção baseada em um único fato: a morte de um filho de Shakespeare chamado Hamnet aos 11 anos de idade. O filme é um exemplo perfeito do que há de pior na Hollywood atual – revisionismo feminista, alegoria estúpida (destrói o sentido da peça Hamlet), e caça ao Oscar na transformação de Shakespeare em um idiota que deve tudo à esposa (personificação da “mãe-terra”). E que dizer dos inúmeros africanos na plateia do Globe Theatre em 1600? Hamnet é um caro e pretensioso desastre. (1)
If I Had Legs I'd Kick You: Ao tentar administrar sua própria vida e carreira, uma mulher à beira de um colapso nervoso deve lidar com a doença de sua filha, um marido ausente, uma pessoa desaparecida e um relacionamento incomum com seu terapeuta. A roteirista e diretora Mary Bronstein alega que o filme é um retrato do estresse e sofrimento da maternidade. Pois é, a vitimização já chegou ao ponto de considerar a maternidade um fardo enlouquecedor – o filme apresenta a mulher só diante de uma sociedade que só cobra mas não ajuda. Será a narrativa um presságio da capacidade da geração snow flake em assumir as responsabilidades da maternidade/paternidade? O filme não passa de duas horas apresentando diversos eventos de uma mulher abjeta perdendo o controle. E pensar que entrou em várias listas de melhor filme do ano por “refletir sobre o inferno atual da maternidade”. (1)
It Was Just an Accident: Um modesto mecânico, ex-prisoneiro do regime iraniano, acidentalmente encontra o homem que suspeita ser seu sádico torturador na prisão. Após capturá-lo, ele busca outros ex-prisioneiros para confirmar sua identidade. Dirigido por Jafar Panahi que ficou preso de meados de 2022 até o começo de 2023. O filme ganhou a Palme d'Or no festival de Cannes deste ano. A mescla de thriller com humor negro funciona o suficiente para capturar atenção nesta denúncia contra o regime islâmico no Irã e o totalitarismo em geral. Em meio a discussões sobre dilemas morais, o final demarca o risco provocado pela vaidade do sentimento de superioridade moral diante de um regime totalitário. (3)
Jurassic World: Rebirth: Uma expedição enfrenta regiões equatoriais isoladas para extrair DNA de três criaturas pré-históricas para um desenvolvimento médico inovador. Franquia requentada enxertada dos piores esteriótipos cinematográficos da atualidade: mulher-macho que protege o pacifista delicado, empresário branco malvado, negro altruísta e latinos amorosos – a exagerada ideologização torna as personagens falsas e desinteressantes. O elenco é de baixíssima qualidade com exceção de Scarlett Johansson, sendo que nem ela consegue salvar uma personagem tão mal desenvolvida. Lixo de cabo a rabo. É o sétimo filme da franquia sendo que apenas os dois primeiros são meritórios. (1)
Kontinental '25: Na capital da Transilvânia, Cluj-Napoca, uma oficial de justiça precisa despejar um sem-teto de um porão, desencadeando um problema moral que ela busca resolver. Escrito e dirigido por Radu Jude que se inspirou em Europe '51 de Roberto Rosselini. Mas enquanto no filme de Rosselini a culpa era expiada através do amor incondicional e sacrificial inspirado em São Francisco de Assis, a protagonista de Kontinental '25 se debate futilmente para aliviar seu sentimento de culpa. Mais parecendo querer recuperar sua autoestima (exagerar a culpa é vaidade disfarçada), ela vai conversar longamente com familiares, amigos, colegas, um padre ortodoxo e até um ex-aluno, buscando consolo em debates sobre política, nacionalismo, capitalismo, Gaza, Ucrânia, religião e supostas injustiças sociais. Nestas conversas, artificiais e cacetes, o filme revela-se uma crítica ao capitalismo pós-socialista, mas não convence, restando apenas um rol de posições ideológicas carentes de realidade. Isto não surpreende visto que, em entrevistas, o romeno Radu Jude descreve a transição da Romênia como “da ditadura comunista para algo pior”, fingindo não saber o que foi o seu país durante o socialismo sob o comando de Gheorghiu-Dej e Nicolae Ceaușescu. O sem-teto do filme foi o único responsável por seu destino, mas os sequiosos por um Estado onipotente procuram transferir todas as culpas para a sociedade, e apresentarem-se como a solução de todos os males se lhe outorgarem todo o poder. (1)
L'aventura: Uma menina prestes a completar 11 anos registra suas venturas durante uma viagem em família à Sardenha. Produção francesa dirigida por Sophie Letourneur. Pior que um vídeo caseiro de viagem de férias da tia que você detesta. Nada sobre nada. A única diversão é ver o contorcionismo dos críticos da Cahiers du Cinema para incluir este lixo entre os dez melhores filmes do ano: “filmar o nada revela o tudo”, hilário. (1)
Late Shift: O turno de uma dedicada enfermeira sobrecarregada com a falta de uma integrante da equipe. Um tanto esquemático e melodramático, com um final sobrenatural forçado, visando enaltecer a profissão de enfermagem e chamar atenção para a escassez de profissionais nesta área. Uma visão idílica que não apaga a realidade das enfermeiras dançando nos hospitais vazios durante o engodo do vírus chinês, ou as enfermeiras muçulmanas postando vídeos nas redes sociais afirmando que mataria um paciente judeu. A atuação de protagonista Leonie Benesch salva esta produção suíça escrita e dirigida por Petra Volpe. (3)
Marty Supreme: Jovem com um sonho que ninguém respeita, faz de tudo para alcançar seu objetivo. Cinebiografia essencialmente ficcional da juventude do excêntrico campeão de tênis de mesa Marty Reisman (o filme foi criticado pela família de Reisman por humilhar sua memória). Uma longa sequência de situações forçadas envolvendo personagens abjetas e unidimensionais. O diretor Josh Safdie parece ter uma predileção por este tipo de personagem como visto no péssimo Uncut Gems (2019). A bela cena final na maternidade quase redime o filme. O diretor diz que seu objetivo era inspirar reflexão sobre como os sonhos nos transformam, mas acaba glamorizando o comportamento ignóbil do protagonista. (2)
Mickey 17: Durante uma expedição humana para colonizar o espaço, Mickey 17, um funcionário dito “dispensável”, é enviado para explorar um planeta gelado. Baseado no romance homônimo de Edward Ashton. Tentativa fracassada de comédia sci-fi dirigida pelo coreano Bong Joon Ho. Poderia ser um filme sobre memento mori e a busca por dignidade e autorrespeito, mas Joon descamba para anticapitalismo, luta de classes, colonialismo, pseudo-religião, populismo, promiscuidade, feminismo, lesbianismo... uma verdadeira sopa woke que leva o filme a lugar algum. (1)
Mirrors No. 3: Depois que um acidente de carro no qual seu namorado morre, a estudante de piano Laura é acolhida por Betty, que testemunhou o acidente. Mas o comportamento da família de Betty é estranho. Produção alemã escrita e dirigida por Christian Petzold. Singela narrativa de como as pessoas emocionalmente feridas podem encontrar reparação apoiando-se umas nas outras – um conceito que Heinrich von Kleist (1777-1811) formulou ao observar o arco romano onde as pedras se sustentam pelo “desejo” mútuo de cair. (3)
Misericordia: De retorno a vila rural francesa Saint-Martial (que podia se chamar Viadolândia) para o funeral de seu falecido chefe, a estadia de Jérémie com a viúva Martine descortina o próprio inferno. Narrativa imoral cuja única mensagem é: somos todos pecadores, então pequemos mesmo. É inacreditável que um filme tão ruim e desinteressante figure na lista dos melhores do ano das revistas Film Comment e Sight & Sound, e do site Indie Wire. A desconexão da crítica com o mundo real já é patológica. A única coisa que, indiretamente, faz sentido no filme é o título: Deus tenha misericórdia deste mundo! (1)
Mission: Impossible – The Final Reckoning: IMF enfrenta uma IA que se infiltrou na rede mundial. Com o governo e um inimigo do seu passado perseguindo-o, Hunt (uma vez mais interpretado por Tom Cruise) luta contra o relógio para salvar o mundo. Conclusão da história iniciada em Mission: Impossible - Dead Reckoning Part One (2023). Previsível e longo, difícil de não dormitar durante o filme. De todos os oito filmes da franquia, apenas o primeiro de 1996 dirigido por Brian De Palma foi entretido, apesar de ter começado a desconfigurar a série televisiva. Todos os demais aprofundaram esta desconfiguração migrando de estratagemas e trabalho em equipe para ação física e foco em Hunt, até esta final quase beatificação desta personagem. Apesar da fortuna investida em efeitos especiais e elenco estelar, os filmes empalidecem diante da série televisiva original Mission: Impossible (1966-1973). A retomada da série televisiva em duas temperadas entre 1988 e 1990 é descartável. (2)
No Other Choise: Depois de um longo período desempregado, um homem elabora um plano inusitado para garantir um novo emprego: eliminar a concorrência. Comédia de humor negro coreana satirizando a potencial obsolescência da maioria dos empregos em função da automação impulsionada pela inteligência artificial. O diretor Park Chan-wook poderia ter realizado o filme com menor duração, pois é repetitivo e sem tensão, e com um final menos imoral. (2)
Nouvelle Vague: Representação dramatizada dos bastidores das filmagens de Breathless (1960), de Jean-Luc Godard. Homenagem do diretor Richard Linklater ao movimento Nouvelle Vague. O filme é superficial e idealiza demais a figura de Godard. Mas entretém quem assistiu Breathless, e conhece o que foi a Nouvelle Vague. (3)
One Battle After Another: Um revolucionário fracassado (interpretado por Leonardo DiCaprio) sobrevive clandestinamente com sua filha até que um inimigo do passado ressurge. Agitprop marxista que promove uma violenta revolução comunista, incluindo o assassinato de nascituros e imigração ilegal. Longo, monótono, tiradas humorísticas inaptas, e repleto de personagens mal construídas e desagradáveis. Há quase duas décadas sem emplacar um sucesso, o diretor Paul Thomas Anderson apela a todo o manual de idiotização esquerdista para conquistar a crítica: retrata uma conspiração racista branca como sendo cristã, apresenta igrejas católicas heréticas favorecendo a imigração ilegal e cultivo de maconha, promove o consumo de drogas e homossexualidade, insinua que a violência em protestos favoráveis a imigração ilegal é forjado pela polícia, ataca a instituição policial, e prolifera mais de 150 obscenidades – o filme busca incitar a violência comunista contra os EUA, incluindo caucasianos, cristãos e conservadores. A natureza propagandista da narrativa revela-se nas primeiras cenas ao mostra um centro de triagem de imigrantes ilegais quase que só com mulheres e crianças, quando é fato que a esmagadora maioria dos ilegais são homens em idade de serviço militar. (1)
Orwell: 2+2=5: Documentário que pretende apresentar a vida, obra e influência duradoura do escritor George Orwell, conectando suas ideias ao mundo contemporâneo. Intelectualmente desonesto e extremamente tendencioso, o documentário não faz nada para lançar luz sobre a manipulação de informações, preferindo mirar naqueles que deseja demonizar e proteger tudo que é islâmico-socialista, ignorando o autoritarismo, o sofrimento e o derramamento de sangue que cada uma dessas ideologias tem fomentado. Um panfleto raso, desconexo e mal editado. (1)
Peter Hujar's Day: Recriação verbatim de uma entrevista feita em 19 de dezembro de 1974, em um apartamento de Nova York, onde (ao longo de 76 minutos) o fotógrafo Peter Hujar descreva detalhadamente tudo o que fez no dia anterior. Não há drama, tensão ou graça, apenas banalidades, ganância, e imoralidades (Hujar era sodomita e fala de temas sexuais despudoradamente no filme). O diretor Ira Sachs também é sodomita e tenta fazer aqui uma aberrante glorificação da boêmia e depravação da intelligentsia do East Village e Lower East Side dos anos 1970 – um cenário que seria dizimado pela AIDS nos anos seguintes. Um filme insuportável. (1)
Pillion: Sujeito perdido na vida torna-se submisso a um motociclista numa relação sadomasoquista. Baseado no romance Box Hill de Adam Mars-Jones, e dirigido por Harry Lighton – ambos, romancista e diretor, são declaradamente sodomitas. O filme é tão abjeto que é impossível assisti-lo até o fim. Uma doentia normalização da sodomia e do sadomasoquismo. (1)
Predators: Documentário abordando a polêmica série americana da NBC (To Catch a Predator) que capturava pedófilos com elaboradas operações de flagrante. O documentário critica a abordagem midiática, e, incrivelmente, argumenta que os direitos dos criminosos estariam sendo violados. Por mais que o show em questão da NBC e suas cópias sejam de mau gosto, nada justifica uma equiparação entre as reais vítimas e seus algozes. Tudo não passa de mais uma peça na elaborada na busca da normalização da pedofilia, tal qual já foi feito com a homossexualidade – mais um passo em direção à bestialização do ser humano. (1)
Rental Family: Solitário ator americano (interpretado por Brendan Fraser) em Tóquio consegue um trabalho incomum: trabalhar para uma agência japonesa de “aluguel de família”, interpretando papéis substitutos para estranhos. Escrito e dirigido pela diretora japonesa Hikari. O filme aborda um tema relevante: a crescente solidão num mundo de famílias degradadas e ausência de reais conexões humanas. Porém lhe dá um tratamento que resvala na pieguice, e faz desnecessária apologia ao lesbianismo e panteísmo, elementos que acabam contribuindo para aquela solidão. (2)
Roofman: Criminoso fugitivo (interpretado por Channing Tatum) se esconde em uma loja de brinquedos enquanto busca uma forma de deixar o país. Lá, ele adota uma nova identidade e se envolve com uma funcionária (interpretada por Kirsten Dunst), iniciando um relacionamento tão improvável quanto arriscado. Versão romanceada da vida do presidiário Jeffrey Manchester. Caracterizar um criminoso como um homem encantador e de boas qualidades é inegavelmente preocupante. No entanto, aparentemente, Manchester era realmente mais gentil do que o criminoso comum. Comédia romântica bem engendrada, com boa química entre os protagonistas românticos. Dirigido, escrito e produzido por Derek Cianfrance. (3)
Sentimental Value: As irmãs Nora e Agnes reencontram seu pai distante, o renomado diretor de cinema Gustav, que oferece à atriz de teatro Nora um papel em seu próximo filme. Drama bem construído e interpretado sobre a incapacidade de Gustav comunicar-se diretamente com Nora para ajudá-la em seus sentimentos de depressão, raiva reprimida, ansiedade e comportamento autodestrutivos. Mais que a cadeia de consequências traumáticas iniciada com o suicídio da mãe de Gustav que impactado se torna emocionalmente distante, afetando Nora, há uma herança inconsciente ancestral moldando o seu destino como uma força compulsória (ver Introdução à Psicologia do Destino de Leopold Szondi). Através de sua arte (o roteiro do filme) Gustav consegue comunicar-se com Nora e romper o ciclo compulsivo. Produção norueguesa escrita e dirigida por Joachim Trier, com destaque positivo para a atuação de Elle Fanning, e negativo para a gratuita exibição de lesbianismo. (4)
Sinners: Irmãos gêmeos gangsters retornam à sua cidade natal para abrir um “inferninho”, e acabam inadvertidamente convidando vampiros para a inauguração. Arrastado filme de vampiro que nada agrega a este já esgotado subgênero – a trama de Sinners repete elementos de From Dusk Till Dawn (1996) e Salem's Lot (2004). O filme poderia deixar uma mensagem positiva caso relaciona-se os pecados dos irmãos e os desvios da personagem do guitarrista com a invocação do mal, e com o retorno do guitarrista a religião como a salvação. Mas prefere o contrário, promovendo o vodu e os blues como a salvação enquanto coloca o cristianismo no mesmo saco que os vampiros. O roteiro escrito por Ryan Coogler, que também dirige o filme, é um balaio de gatos que ainda inclui diversos revisionismos históricos e comentários racistas, tornando o filme um forçado panfleto ideológico que poderia ser assinado pelos criminosos do BLM. Por todos estes defeitos o filme é naturalmente idolatrado pela intelligentzia que segue empurrando o cinema para o fundo do poço. (1)
Sirat: Um pai, acompanhado do filho, vai à procura a filha desaparecida no Norte de África. Curioso filme espanhol dirigido pelo diretor Oliver Laxe. A epígrafe explica o título e, naturalmente, o filme: ponte Sirat, na crença islâmica, é uma ponte estreita e perigosa que toda pessoa deve atravessar no Dia do Juízo para entrar no Paraíso. É descrita como sendo mais fina que um fio de cabelo e mais afiada que uma espada. O filme é uma pesada alegoria da condição humana da qual ninguém escapa. Um tanto moroso, o filme é salvo pela ocorrência de surpreendentes desditas que simbolizam o caráter trágico da nossa existência. (3)
Sisu: Road to Revenge: Um homem volta para recupere a casa de sua família, onde foram assassinados durante a guerra, mas o assassino, um comandante soviético, o persegue. Escrito e dirigido pelo finlandês Jalmari Helander, o filme é óbvio e repetitivo, Conseguiu ser pior que o predecessor de 2022. (1)
Sorry, Baby: Após ser abusada por um orientador na pós-graduação, uma mulher fica só enquanto todos ao seu redor continuam suas vidas naturalmente. O filme é um maçante exercício de vitimismo e misandria, e, como não podia deixar de ser, enaltecido pela intelligentzia. A protagonista não sabe atuar, os diálogos são artificiais e bregas, falta ritmo, as tentativas de fazer rir fracassam, e nenhuma personagem soa minimamente autêntica. A apatia com a qual a protagonista tenta evitar o abuso é absurda, refletindo sua incapacidade de lidar com as adversidades da vida, como se vê na sequência do ocorrido. Se este é um retrato da presente geração que começa a assumi posições de lideranças a atual civilização está irremediavelmente perdida. (1)
Superman: Superman deve conciliar sua herança kryptoniana com sua educação humana como o repórter Clark Kent. Como personificação da verdade, da justiça e do modo humano, ele agora se encontra em um mundo que vê estes ideais como antiquados. Mais um capítulo da desconstrução de longevas franquias. A ideologia é inimiga da criatividade, logo os engenheiros sociais precisam das anosas personagens de sucesso para atrair publico visando destilar seu veneno sobre ele. Nas novas versões heróis masculinos viram mulheres (quando não homossexuais), brancos viram negros, a moral se afrouxa, e as narrativas são carregadas de posições ideológicas. Este desconstruído Superman passa o filme todo apanhando, corre atrás de uma dominadora Lois Lane, de quem só leva bronca, e o herói invencível é o Mister Terrific (uma personagem que nasceu branca em 1946 e virou negra em 1997 pois os recriadores queriam que “o homem mais inteligente do mundo fosse afro-americano”). Superman é agora visto como um imigrante, o país fictício Boravia é uma nada disfarçada calúnia contra Israel, as mídias sociais são apresentadas como raiz das fake news (e não a mídia tradicional), e Lex Luther é um capitalista malvadão (alegoria de Elon Musk?). Tem ainda uma Supergirl bêbada e desbocada substituindo a original heroína otimista e inspiradora. E todo este detrito é embalado para o público infantil como parece indicar o protagonismo do cão Krypto. Mais uma franquia foi para o lixo. (1)
The Chronology of Water: Após uma infância abusiva, uma jovem furta-se através da natação competitiva, da experimentação sexual, dos relacionamentos tóxicos, e do vício antes de encontrar sua voz através da escrita. Baseado na autobiografia homônima de Lidia Yuknavitch. Mais de duas torturantes horas de uma narrativa fragmentada, repetitiva, (mal) estilizada visualmente, e sem profundidade emocional. Esta tentativa frustrada de direção da atriz Kristen Stewart resultou num maçante exercício de vitimização e imoralidade. (1)
The Gorge: Dois atiradores de elite (interpretados por Miles Teller e Anya Taylor-Joy) são enviados para proteger lados opostos de um desfiladeiro misterioso. Fantasia com narrativa altamente implausível. O início desperta alguma curiosidade e há algumas cenas divertidas entre os protagonistas, mas tudo cai por terra conforme o mistério do desfiladeiro é revelado. A grave limitação dramática dos protagonistas também não ajuda. (2)
The Mastermind: Em 1970, um arquiteto fracassado e seus comparsas roubam um museu em plena luz do dia, mas manter os quadros mostra-se mais difícil do que roubá-los. Escrito e dirigido por Kelly Reichard, o filme é ruim, e o protagonista é propositadamente insosso e desagradável, pois o interesse da diretora é mostrar a dita "fragilidade masculina". E usando como pano de fundo os protesto no contra a guerra no Vietnã, ela quer demonstrar o "individualismo" do arquiteto em contraste com o que ela chama de "necessidade de ação coletiva". O roteiro fraco e a temática ideológica fracassou junto ao público (a bilheteria mundial não cobriu nem o baixíssimo orçamento), mas colocou The Mastermind em várias listas dos melhores filmes do ano junto à "crítica especializada". Um filme pretensiosamente pestilento. (1)
The Perfect Neighbor: Documentário construído com imagens de câmeras policiais e entrevistas sobre um conflito letal entre vizinhos na Flórida. Monótona narrativa de como um conflito banal acaba em assassinato, em vez de aprofundar sobre o desequilíbrio mental e banalidade do mal da assassina, a diretora Geeta Gandbhir prefere implicar com as leis estaduais de autodefesa e insinuar racismo no ocorrido, transformando o documentário em mero panfleto progressista. (1)
The Testament of Ann Lee: O filme retrata a líder fundadora da congregação protestante Shaker proclamada como a mulher Cristo por seus seguidores. A seita surgiu no século XVIII e ganhou fama por seu estilo de culto extático, sua disciplina comunitária, e por defender o celibato absoluto (sem casamento nem reprodução). O matrimônio de Ann Lee foi profundamente infeliz (seus quatro filhos morreram ainda pequenos), contribuindo para sua visão espiritual de que o desejo sexual era a raiz do pecado. Esta maluca utopista pregava o fim dos tempos, ironicamente algo que sua crença no celibato absoluto provocaria. Repleto de anacronismos e distorções, o filme dirigido por Mona Fastvold apela ao presente zeitgeist com feminismo, coletivismo, e ecologismo. Insuportáveis 2 horas e 17 minutos de parvoíces. (1)
The Voice of Hind Rajab: Voluntários do Crescente Vermelho, organização íntima do Hamas, recebem uma chamada de emergência de uma menina de 6 anos presa em um carro sob fogo cruzado em Gaza implorando por resgate. Baseado em gravação de áudio do próprio Crescente Vermelho. Elaborada peça de propaganda dos terroristas do Hamas, podendo tanto ser totalmente fictícia como distorção de fatos para explorar a morte de uma criança. Independentemente do aspecto factual doentio, o filme é mal atuado e carece de qualquer vestígio de tensão. (1)
Train Dreams: Relato ficcional da vida de um madeireiro e ferroviário numa América em rápida transformação no início do século XX. Baseado na novela homônima de Denis Johnson (1949-2017) publicada em 2011. O diretor Clint Bentley tenta, sem sucesso, imitar o inconfundível estilo de Terrence Malick. A narrativa pretende ser uma profunda meditação sobre perda e mudança. Mas a personagem principal é opaca, as abordagens periféricas sobre ecologia e racismo soam forçadas e artificiais, e o final panteísta é ridículo. Um filme longo, monótono e descartável. (1)
Warfare: Pelotão de Navy SEALs enfrenta problemas durante uma missão perigosa no Iraque: o caos e o companheirismo em combate são recontados baseado nas memórias dos combatentes. Os eventos ocorridos em 2006 são apresentados em tempo real. Meritória iniciativa de apresentar um combate de forma mais realista possível. Consequentemente, o resultado é despido de entretenimento, e o evento em si consente limitada catarse à audiência. (2)
Weapons: Todas as crianças de uma mesma classe, exceto uma, desaparecem misteriosamente numa mesma noite, exatamente ao mesmo tempo. Filme de terror escrito e bem executado pelo diretor Zach Cregger, desdobrando a narrativa desde o ponto de vista de diferentes personagens, e instigando a curiosidade sobre o mistério por detrás daqueles desaparecimentos. O interesse diminui a partir do momento que o vilão é revelado, mas Weapons ainda funciona como entretenimento. (3)


