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La Intervención de Cuba in Venezuela de Maria C. Werlau

  • há 8 horas
  • 13 min de leitura

La Cuba ''revolucionaria’' esencialmente ocupó a Venezuela, no con una gran fuerza militar in situ, sino asimétricamente, colocando activos estratégicamente para tomar el control de las fuerzas de seguridad, la economía, la información, las comunicaciones y la sociedad venezolana en general. – Maria C. Werlau



Werlau abre o livro contextualizando a grave crise humanitária e política da Venezuela por volta de 2018-2019: colapso econômico (queda de mais de 50% do PIB, hiperinflação de milhões por cento, produção de petróleo despencando), êxodo de milhões de pessoas, fome, colapso de serviços de saúde, repressão violenta (milhares de mortes extrajudiciais, segundo relatórios da ONU) e desmantelamento institucional. Ela posiciona Cuba como ator central nessa tragédia, não como simples aliado ou colaborador, mas como força ocupante assimétrica que transferiu seu modelo totalitário para um país muito mais rico em recursos.


Cuba, apesar de ser muito menor, mais pobre e subdesenvolvida, assumiu um papel dominante sobre a Venezuela rica em petróleo graças à sua expertise em inteligência, propaganda, controle social e métodos totalitários refinados ao longo de décadas. Essa ocupação transferiu o modelo cubano (político, de segurança e econômico) para a Venezuela, como parte de um projeto continental de integração revolucionária.


O regime cubano opera sem restrições democráticas (eleições, imprensa livre, contrapesos institucionais), permitindo planejamento de longo prazo, coesão absoluta e uso ilimitado de inteligência, propaganda, vigilância e táticas de influência. Isso constitui a core competency de Cuba, refinada em 60 anos de totalitarismo.


Fidel Castro via a Venezuela como a joia da coroa desde 1959, pela riqueza petrolífera, posição geopolítica (porta de entrada para a América do Sul) e potencial para exportar a revolução. Após fracassos com guerrilhas armadas, Cuba adotou estratégia mais sutil: cultivo de agentes de influência, treinamento e, com Chávez, uma aliança simbiótica que evoluiu para integração profunda (“Cubazuela” ou “Venecuba”).


Chávez é apresentado como peça cultivada pela inteligência cubana. Após sua morte, Cuba orquestrou a sucessão de Maduro (treinado em Cuba e leal desde jovem). Os cubanos chegaram cedo no governo Chávez, ocupando posições em missões sociais (fachada para inteligência), PDVSA, forças armadas, etc.


O caso não é bilateral, mas parte de um projeto continental (ALBA, Foro de São Paulo) com rede criminosa internacional (narcotráfico, lavagem, alianças com Rússia, China, Irã, Hezbollah etc.) – um alerta para ameaças à segurança regional e global.


Capítulo 1: La Intervención de Cuba en Venezuela: Una ocupación estratégica con implicaciones globales Poucos dias após a vitória da Revolução Cubana (janeiro de 1959), Fidel Castro viajou para a Venezuela (com a cúpula do exército rebelde) e se encontrou com o presidente Rómulo Betancourt. Propôs uma aliança radical semelhante à que mais tarde ofereceria a Hugo Chávez. Betancourt rejeitou, mas isso marca o início de uma estratégia persistente.


Nas décadas de 1960-1980, Cuba apoiou guerrilhas venezuelanas com dinheiro, armas, treinamento, refúgio e assessoria (como fez em vários países da região – Brasil incluído – e de outros continentes). Após o fracasso das insurreições armadas, Cuba mudou para uma estratégia mais sutil, de longo prazo: penetração de inteligência, cultivo de agentes de influência em partidos políticos (e.g. PT), forças armadas, instituições e sociedade civil.


O Diretório Geral de Inteligência (DGI) cubano, financiado pela URSS, realizou espionagem, penetração de organizações, treinamento de operativos estrangeiros e compra de influência (inclusive com pagamentos a candidatos presidenciais). Werlau cita testemunhos, como o do ex-capitão do DGI Enrique García, para ilustrar essas operações em toda a América Latina, Caribe e África.


Chávez é apresentado como parte de uma conspiração cívico-militar para derrubar a democracia venezuelana, com ligações cubanas conhecidas. Após o golpe fracassado de 1992 e sua libertação, desenvolveu uma relação simbiótica com Fidel. Castro, com dossiês de inteligência, manipulou habilmente as ambições de Chávez. A aliança foi secreta e estratégica desde o início da presidência de Chávez (1999).


Pela riqueza petrolífera, posição geopolítica (porta de entrada para a América do Sul), recursos minerais e importância no Caribe, controlar a Venezuela permitiria financiar a revolução cubana, exportar o modelo e avançar no projeto de integração regional (que culminaria no ALBA).


Capítulo 2: La presencia y el control de Cuba en las fuerzas armadas y los servicios de seguridad venezolanos Detalha como Cuba logrou penetrar e efetivamente controlar as instituições de segurança e defesa da Venezuela, moldando-as segundo o modelo cubano de lealdade ideológica, inteligência política e repressão interna. Não se trata apenas de cooperação ou assessoria técnica, mas de uma subordinação assimétrica onde Cuba, apesar de sua inferioridade material, impõe doutrina, lealdades e métodos de controle.


Cuba influenciou a doutrina militar, a estrutura de comando e a formação ideológica. Isso incluiu a criação ou fortalecimento de milícias populares (inspiradas nas Milícias de Tropas Territoriais cubanas), os “coletivos” armados e estruturas paramilitares para controle social e repressão. O objetivo era garantir que as forças armadas não atuassem como instituição profissional neutra, mas como braço armado da revolução.


Especialmente após o golpe fracassado de abril de 2002 contra Chávez, a segurança presidencial passou a ser gerenciada diretamente por especialistas cubanos. Isso se estendeu a Maduro, que teria sido treinado em Cuba e mantido sob forte influência cubana. Testemunhos de desertores e evidências indiretas (viagens, acordos secretos, presença de assessores) sustentam essa afirmação.


O SEBIN (Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional) e outros órgãos foram remodelados com assessoria cubana. Cuba exportou sua expertise em vigilância interna, infiltração de opositores, monitoramento de comunicações e uso de informantes. Técnicas refinadas durante décadas pelo DGI (Diretório Geral de Inteligência cubano) foram transferidas, incluindo métodos de repressão seletiva e fabricação de “ameaças imperialistas”.


Acordos de cooperação em matéria de defesa e segurança foram assinados desde o início do chavismo. Esses acordos permitiram a colocação estratégica de assessores cubanos em posições-chave, sem necessidade de grandes contingentes visíveis (o que caracteriza a ocupação assimétrica). Há referências a generais, coronéis e oficiais cubanos atuando em funções de assessoria e comando indireto.


Cuba ajudou a purgar elementos “não confiáveis” das FANB e a promover oficiais alinhados ao chavismo/castrismo. A doutrinação política, o controle político sobre promoções e a dependência de assessoria cubana criaram uma cúpula militar leal ao projeto bolivariano e, indiretamente, a Havana.


Capítulo 3: Los mecanismos de ingeniería social que usan colaboradores cubanos en misiones sociales y el traslado de la santería cubana a Venezuela Analisa como Cuba utilizou as chamadas “missões sociais” (especialmente as Barrio Adentro, Misión Robinson, Mercal etc.) não apenas como instrumento de cooperação humanitária ou propaganda, mas como ferramenta central de engenharia social, infiltração de inteligência e controle populacional. O subtítulo sobre a santería destaca uma dimensão cultural e psicológica sofisticada da ocupação.


As missões foram o principal veículo de entrada massiva de cubanos na Venezuela (picos estimados em 40-45 mil colaboradores por volta de 2012, com forte presença médica). Werlau documenta que muitos desses “colaboradores” não eram apenas profissionais civis, mas incluíam oficiais de contrainteligência, paramilitares treinados e agentes de influência.


Todos os participantes das missões eram obrigados a colaborar com os serviços de inteligência cubanos, monitorar a população, reportar dissidentes e promover a lealdade ao projeto bolivariano-cubano. Eles atuavam como rede de vigilância descentralizada em bairros pobres, hospitais, escolas e comunidades.


As missões serviram para (a) criar dependência populacional do Estado chavista (distribuição de comida, saúde e educação em troca de apoio político); (b) infiltrar e controlar setores-chave da sociedade (saúde, educação, registro civil, etc.); e (c) gerar divisas para Cuba (Venezuela pagava bilhões em petróleo por esses “serviços”, enquanto os cubanos recebiam frações mínimas – um modelo de exploração laboral).


As missões implantaram o modelo cubano de controle social: polarização (“nós vs. eles”), vigilância comunitária (comitês de defesa semelhantes aos CDR cubanos), doutrinação ideológica e desmantelamento de instituições independentes. Os cubanos ajudaram a criar estruturas paralelas ao Estado (coletivos, milícias, circuitos bolivarianos) que permitiam controlar territórios e reprimir oposição.


Cuba promoveu ativamente a expansão da santería (religião afro-cubana sincretizada) na Venezuela como ferramenta de influência cultural, psicológica e de controle social. A santería foi usada para (a) enfraquecer o catolicismo tradicional e outras crenças que poderiam fomentar resistência moral ou individualismo; (b) criar redes de lealdade e dependência espiritual ligadas ao regime (padrinhos, rituais, etc., que geram compromissos emocionais e materiais); e (c) facilitar infiltração e inteligência (santero como figura de autoridade comunitária que acessa informações pessoais).


Werlau vê isso como parte de uma estratégia totalitária refinada: não apenas controle político ou repressivo, mas transformação cultural e espiritual da sociedade para torná-la mais compatível com o modelo cubano de submissão e lealdade ao líder/Estado.


Capítulo 4: La ciberocupación cubana  Aborda o controle assimétrico da informação, das comunicações e dos sistemas tecnológicos como ferramenta essencial para manter o domínio cubano sobre a Venezuela. Depois de assegurar o controle das forças armadas/segurança e da engenharia social/população, Cuba passa a dominar os nervos do Estado moderno — dados, telecomunicações, vigilância cibernética e narrativa pública.


Cuba obteve influência decisiva sobre a Companhia Anônima Nacional de Telefones de Venezuela (CANTV), principal operadora estatal de telefonia fixa, móvel e internet. Assessores cubanos participaram da gestão, manutenção e configuração de sistemas, permitindo acesso privilegiado a dados de usuários, tráfego de comunicações e capacidade de interrupção seletiva. A presença cubana em portos, aeroportos, sistemas de imigração, registro civil e bases de dados governamentais permitiu o controle de fluxos de pessoas, documentos e informações sensíveis.


Vigilância cibernética e inteligência digital vigiam e controlam a população:


  • Transferência da expertise cubana em cibersegurança e vigilância (refinada pelo DGI e com apoio histórico soviético/russo). Werlau documenta a implantação de sistemas de monitoramento massivo, filtragem de conteúdo, identificação de opositores online e censura seletiva.

  • Colaboração com agências venezuelanas para criar um aparato de vigilância semelhante ao cubano: monitoramento de redes sociais, e-mails, telefonia e uso de trojans ou backdoors em sistemas estatais.

  • Uso de “colaboradores” cubanos em posições técnicas-chave para garantir lealdade ideológica e reportar diretamente a Havana.


Controle da narrativa e propaganda:


  • Influência sobre meios de comunicação estatais (VTV, Telesur etc.) e importação do modelo cubano de propaganda centralizada.

  • Doutrinação através de educação e conteúdo cultural, com assessoria cubana na produção de narrativas que polarizam (“inimigo imperialista”, “revolução bolivariana”) e ocultam a crise.

  • Capacidade de “desligar” ou restringir internet e comunicações durante momentos de protestos ou eleições, como observado em várias ocasiões.


A ciberocupação se estendeu a sistemas financeiros, contábeis e operacionais da estatal petrolífera. Assessores cubanos ajudaram a opacificar transações, facilitar a venda de petróleo em esquemas de barter (petróleo por serviços) e criar economias paralelas que beneficiavam Cuba e redes aliadas.


A ciberocupação não é isolada: ela complementa o controle físico (segurança) e social (missões). Juntos, formam um sistema de dominação total que permite reprimir dissidência, manipular eleições (via CNE — Conselho Nacional Eleitoral) e manter o regime no poder apesar do colapso econômico.


Capítulo 5: Cubazuela o Venecuba. El proyecto de integración profunda Analisa a fusão estratégica entre os dois regimes, a criação de uma entidade híbrida (“Cubazuela” ou “Venecuba”) e o projeto de integração regional mais amplo. A Venezuela deixou de ser um aliado e passou a funcionar como uma extensão ou colônia assimétrica do modelo cubano.


O termo “Venecuba” (atribuído a Fidel Castro por volta de 2005) reflete a visão de uma Venezuela transformada em base de sustentação econômica, logística e geopolítica para o projeto cubano. “Cubazuela” seria a visão inversa: uma Venezuela colonizada pelo modelo político, de segurança e de controle social cubano.


A integração foi tão profunda que os dois Estados operavam em muitos aspectos como uma única entidade: Cuba fornecia o software (ideologia, inteligência, métodos de controle) e a Venezuela o hardware (petróleo, recursos financeiros, território e população maior).


Os mecanismos de integração incluíam acordos bilaterais desde 1999-2000 (Convenio Integral de Cooperação, Petrocaribe, ALBA etc.) que permitiram a transferência maciça de petróleo venezuelano para Cuba (milhares de barris diários a preços subsidiados ou em troca de serviços) – a Venezuela enviou bilhões em petróleo e divisas para Cuba, enquanto recebia “colaboradores” cubanos em condições de exploração laboral (muitos recebiam apenas uma fração do que o Estado venezuelano pagava a Havana). Esta economia paralela era opaca, facilitando corrupção e contrabando.


A integração era reforçada pela presença cubana em instituições-chave venezuelanas (PDVSA, bancos, registro civil, CNE, ministérios) e vice-versa: assessores venezuelanos em Havana e coordenação direta entre as cúpulas; bem como pela criação de estruturas paralelas e supranacionais que diluíam a soberania venezuelana (ex.: ALBA-TCP como plataforma de integração ideológica e prática).


Paralelamente o chavismo adotou sistematicamente elementos do sistema cubano: economia de comando centralizado, controle estatal dos meios de produção, doutrinação ideológica, repressão seletiva, milícias populares e polarização social, e.g. a estatização progressiva da economia, o uso de missões como ferramenta de clientelismo político e a militarização da administração pública.


A relação bilateral era parte de uma estratégia regional de longo prazo. A Venezuela serviu como vitrine e financiadora para expandir o modelo a outros países (Bolívia, Nicarágua, Equador, Brasil, etc.). Tendo a ALBA como um instrumento de integração política, econômica e de segurança sob liderança cubano-venezuelana, com forte componente antiamericano e neomarxista, incluindo a coordenação com o Foro de São Paulo para alinhar partidos de esquerda na região.


Capítulo 6: La red criminal de aliados externos Expõe as implicações internacionais da aliança Cuba-Venezuela: o projeto não se limitando a uma relação bilateral ou mesmo regional, mas evolui para uma rede criminosa transnacional com forte componente ideológico, econômico e de segurança, envolvendo atores estatais e não estatais.


A ALBA serviu como uma plataforma que facilitou e encobriu atividades ilícitas em grande escala: narcotráfico, lavagem de dinheiro, corrupção, contrabando, extração ilegal de recursos (ouro, coltan, etc.) e tráfico de pessoas. A Venezuela, com sua riqueza petrolífera, serviu como caixa registradora e lavanderia do esquema. O petróleo subsidiado para Cuba e aliados foi trocado por serviços, lealdades políticas e cobertura para operações ilícitas.


Os aliados regionais e não estatais incluíam as FARC e guerrilhas colombianas, havendo fortes evidências de colaboração logística, refúgio e coordenação com o regime chavista. A Venezuela tornou-se retaguarda e base de operações para grupos armados. Também o Hezbollah e redes iranianas eram aliados, com a presença documentada de células do Hezbollah na Venezuela e na região, e com ligações a setores do governo chavista na operação de triangulação financeira, lavagem via empresas de fachada e uso de identidades falsas. Outros aliados incluíam ELN, dissidências das FARC e redes de narcotráfico mexicanas e centro-americanas.


Entre as potências extrarregionais participavam:


  • Rússia: Cooperação militar, inteligência, venda de armas e suporte político. Assessores russos atuaram em paralelo ou em coordenação com os cubanos.

  • China: Investimentos estratégicos, empréstimos opacos, controle de infraestrutura e cooperação em vigilância tecnológica.

  • Irã: Aliança ideológica e prática, especialmente em contorno de sanções, troca de petróleo, e cooperação nuclear e militar.

  • Coreia do Norte e outros países em esquemas de evasão e contrabando.


Essa rede representa uma ameaça à segurança hemisférica e internacional: exportação de instabilidade, narco-terrorismo, proliferação de influência autoritária e erosão de instituições democráticas. A Venezuela deixou de ser um Estado soberano normal e tornou-se uma central de atividades ilícitas com ramificações em vários continentes.


Capítulo 7: La competencia distintiva de Cuba revolucionaria Explica como Cuba conseguiu dominar assimetricamente um país muito maior, mais rico e populoso como a Venezuela. Não se trata de sorte ou apenas da fraqueza venezuelana, mas de uma capacidade única, refinada ao longo de seis décadas de regime totalitário.


Ao longo de mais de meio século de ditadura, Cuba desenvolveu uma core competency em dominação assimétrica, influência política e guerra não-convencional.

Apesar de ser um país pequeno, pobre em recursos e com economia falida, Havana possui vantagens comparativas que lhe permitem projetar poder de forma desproporcional à sua capacidade material. Essa competência é o software que foi exportado para a Venezuela.


A natureza totalitária do sistema cubana facilitou este desenvolvimento. Sem eleições livres,

imprensa independente, contrapesos judiciais ou limites de mandato, o comando é vertical, centralizado e absoluto. Os ditadores cubanos têm capacidade de planejar a longo prazo (décadas), sem alternância de poder ou accountability; e flexibilidade extrema para usar táticas cruéis, secretas ou imorais sem custo político interno.


O DGI (Diretório Geral de Inteligência) e os serviços de segurança cubanos são altamente profissionais, com experiência acumulada desde os anos 1960 em África, América Latina e outras regiões. Cuba tem o domínio das técnicas de infiltração, cultivo de agentes de influência, vigilância massiva, propaganda e engenharia social – capacidade de criar redes de informantes e estruturas paralelas (como os Comitês de Defesa da Revolução – CDR).


Além disto Cuba apresentava forte coesão interna e lealdade ideológica. Os donos do poder eram altamente motivados e unificados em torno do projeto revolucionário que os mantêm no poder enquanto enriquecem; e o controle absoluto sobre a população, permite mobilizar recursos humanos sem resistência interna significativa.


Capítulo 8: La respuesta internacional al viraje de Venezuela hacia la dictadura Analisa como a comunidade internacional permitiu a transformação da Venezuela em ditadura e a ocupação assimétrica cubana.


Apesar de evidências crescentes de violação de direitos humanos, fraude eleitoral, repressão e colapso humanitário, as respostas por parte de governos democráticos, organizações internacionais (ONU, OEA – organizações corruptas) e potências ocidentais foram majoritariamente verbais, com sanções parciais ou inexistentes.


Os fatores explicativos incluem interesses econômicos (petróleo, dívida), ideologia (encobrimento pela esquerda internacional via Foro de São Paulo), medo de instabilidade migratória, inércia burocrática, e subestimação da ameaça cubana. Enquanto o Ocidente hesitava, países como Brasil, Rússia, China e Irã, apoiaram ativamente o regime chavista.


O papel da Noruega como mediadora em negociações venezuelanas (especialmente em 2019, com o governo Guaidó e Maduro) foi vergonhoso. A Noruega tem uma longa e estreita relação com Cuba (cooperação econômica, diálogos políticos, apoio em fóruns internacionais) e facilitou a entrega do povo venezuelano nas mãos dos facínoras cubanos.



Sob a influência cubana a Venezuela embarcou na experiência socialista-comunista, colhendo as mesmas consequências do país caribenho: (a) ditadura longeva e cruel, (b) perda das liberdades individuais, (c) dependência estatal, (d) severo retrocesso econômico, (e) aumento exponencial da miséria, e (f) fuga em massas da população.


O PT e seus satélites apoiaram e financiaram este calvário do povo venezuelano. O poder absoluto e enriquecimento pessoal consequente sempre seduziram a esquerda e o estamento burocrático tupiniquim: Lula clama que na Venezuela “há democracia demais”, e Gilmar Mendes encarna a esquerda e o estamento burocrático quando diz “nós todos somos admiradores do regime chinês”.


É inegável que aos solavancos o Brasil dirigi-se ao abismo coletivista desde que Ernesto Geisel assumiu a presidência em 1974. A velocidade deste processo por aqui é arrefecida pelo pragmatismo rapinante em “não matar a galinha dos ovos de ouro”. Neste sentido é emblemático o conselho de Lula a Chávez (relatado por Werlau) em não destruir, nem romper completamente com o empresariado, mas sim a coexistir com ele e utilizá-lo para manter a economia funcionando e expropriar os resultados mediante impostos crescentes, i.e. adotar o modelo socializante nazifascista. Chávez, porém, seguiu progressivamente um caminho mais conflitivo e estatizante, influenciado sobretudo por Fidel Castro.


O estudo de Maria C. Werlau é relevante para identificar os instrumentos de dominação utilizados pela esquerda latino-americana. Observa-se que muitas destas ferramentas já foram implementadas ou estão sendo empreendidas no Brasil, como:


  • doutrinação e ocupação das Forças Armadas,

  • ocupação do Judiciário,

  • ocupação da Igreja Católica,

  • cabresteamento da mídia,

  • colossal aumento de impostos desde Geisel, primeiro via inflação, seguido de taxação crescente desde FHC (a Reforma Fiscal aprovada em 2025 acabou de vez com o sistema federativo),

  • Programa Mais Médicos (por hora revertido – não se sabe quantos agentes cubanos/chavistas infiltraram-se no Brasil via o êxodo venezuelano),

  • controle crescente das redes sociais.

  • fim da liberdade de expressão,

  • controle e manipulação do processo eleitoral,

  • doutrinação nas escolas e universidades,

  • aliança cada vez mais estreita com Rússia, China e Irã,

  • multiplicação de “bolsas” e assistencialismo, nossa versão das “missões sociais”,

  • retórica polarizante (“nós vs. eles”),

  • perseguição aos adversários políticos via o sistema jurídico cabresteado.


Em maior ou menor grau praticamente todo o arsenal de ações implementadas na Venezuela está sendo experimentado no Brasil. Dada a natureza hedonista, individualista, pusilânime e ignara do povo brasileiro a capitulação do país a um regime totalitário é questão de tempo.





Notas


  • Maria C. Werlau (1959- ) nasceu em Havana, Cuba.

  • Diretora executiva do Cuba Archive, é uma investigadora cubano-americana especializada em direitos humanos e no regime cubano.

  • La Intervención de Cuba en Venezuela: Una ocupación estratégica con implicaciones globales foi publicado em 2020.

©2019 by Cultura Animi

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