A Montanha Mágica de Thomas Mann

Personagens Principais Hans Castorp – jovem, sem iniciativa, vai transformar-se ao longo da narrativa Joachim Ziemssem – militar, primo de Hans Castorp Ludovico Settembrini – ao redor de 35 anos, intelectual italiano Leo Naphta – professor de línguas, marxista hegeliano (paródia de George Lukács) Clawdia Chauchat – moça que desperta o interesse de Hans Mynheer Peeperkorn – alcoólatra, amante de Clawdia Ellen Brand – jovem dinamarquesa com alegados dotes paranormais Personagens Secundárias Edhin Krokowski – 35 anos, médico do sanatório Berghof em Davo-Platz Dr. Behrens – médico do sanatório Karolina Stöhr – encrenqueira hospede do sanatório Marusja – jovem russa que atrai Joachim Adriatica von Mylendonk – enfermeira do sanatório Albin – enfermo suicida que sobreviverá muito dos outros hóspedes do sanatório

Interpretação A Montanha Mágica é um romance filosófico que tenta nos dar um conjunto de explicação do mundo. O livro é uma excelente explicação da decadência de nossa época. Mas também pode ser considerado um Bildungsroman, ou romance de formação, de alguém que vive confuso e aos poucos vai descobrindo a verdade sobre si mesmo. Hans Castorp irá se transformar ao longo do romance.


Castorp é um sujeito sem iniciativa, omisso, que deixa a vida leva-lo. Mas ele se transformará nos sete anos que passará no sanatório (o número sete representa o fim de um ciclo e o sanatório está sobre uma montanha – aproximar-se de Deus). Ele sai do devir (da planície) para um plano espiritual mais elevado onde ele será transformado. Castorp ampliou seu horizonte de consciência. Thomas Mann nos está dizendo que determinadas percepções sobre o mundo dependem de um afastamento do devir, do cotidiano – o tumulto do cotidiano dificulta a tomada de consciência.


O elemento unificador de todas as personagens do sanatório é a morte. Há um processo progressivo de esvaziamento daquele grupo até a deflagração da I Grande Guerra. É o processo de morte da civilização europeia (a radiografia de um pulmão enfermo parece o mapa da Europa). Todas as tendências nocivas de pensamento da época estão lá representadas nas personagens. Seguem algumas:

  • Naphta – obscurantismo autoritário, comunismo (o Partido/Estado salvará)

  • Settembrini – otimismo prometeico (o homem salvará a si próprio)

  • Krokowski – psicanálise, psicologismo

  • Peeperkorn – mundanismo

  • Joachim – militarismo

  • Behrens – cientificismo, insensibilidade médica

  • Ellen – parapsicologia, bruxaria, ocultismo

Este pastiche anti-civilizatório, antepondo-se a herança greco-romana e judaico-cristã, levará ao desastre da I Grande Guerra. Uma rebelião metafísica e catastrófica.

Podemos dizer que Thomas Mann transmitiu uma visão pessimista do mundo, mas ele não errou. O mundo de hoje é uma nefasta mistura de Haphta e Settembrini. Nós também precisamos subir a montanha para tomarmos consciência no desastre ao nosso redor e reagirmos.



Notas

  • Thomas Mann (1875-1955) nasceu em Lübeck, Alemanha.

  • Principais obras são: A Montanha Mágica (1924), Doutro Fausto (1947), A Morte em Veneza (1913), José e Seus Irmãos (1933-1943), Buddenbrooks (1901) e Tonio Kröger (1903).

  • Clawdia representa a paixão legítima que Hans Castorp nunca teve.

  • Settembini se diz discípulo de Giosuè Carducci, poeta italiano que fez um hino a satanás (Inno a Satana) por uma vida material, de livre pensar, da razão e do progresso da ciência.

  • Os Dez Mandamentos são como um Manual de Instruções para que a humanidade funcione. Temos que aprendê-los na montanha para viver na planície. A vida só tem lugar na planície.

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