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Perfect Days (2023)


Hirayama (muito bem interpretado por Koji Yakusho) parece satisfeito com sua vida simples como limpador de banheiros em Tóquio. Fora de sua estruturada rotina diária, ele demonstra paixão pela música, livros e árvores. Uma série de encontros inesperados revela gradualmente algo do seu passado, mas sem explicar nada – ele parece querer fugir de algum passado nunca revelado.


É o melhor filme de Wim Wenders em décadas, o que não é necessariamente muita coisa já que o diretor alemão não fez nada que prestasse desde seus melhores anos nas décadas de 1970 e 1980.


Uma longa e monótona narrativa para demonstrar duas verdades negligenciadas: (1) devemos cercar-nos de ordem e beleza mesmo nos degradantes ambientes cosmopolitas, e (2) devemos sempre executar nossas tarefas (por mais simples que sejam) da melhor forma possível.


O filme também parece querer contemplar os prazeres simples da vida, celebrar a descoberta do contentamento em todos os aspectos do cotidiano. Mas será que isto basta para a felicidade de Hirayama? O final parece indicar que não, seu rosto expressa a tentativa de sorrir que mais parece um engolir do choro. O que mudou dos (perfeitos) dias anteriores?


Aparentemente a visita da sobrinha evidenciou-lhe sua solidão e seu isolamento da família. A natureza humana é gregária (zoon politikon) e o isolamento cobra o seu preço. E o zen-budismo da personagem lhe tolhe o consolo de ter Deus como companhia.


Pobre Hirayama.



Filme Nota 3 (escala de 1 a 5)


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