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Michael Cimino (1939-2016)



Inicialmente cotado para ser um dos dois cineastas mais importantes que surgiram no cinema hollywoodiano dos anos 1970, a carreira de Michael Cimino terminou num retumbante fracasso. Mas será que ele era mesmo promissor, ou sua precoce fama advinha apenas de suas posições ideológicas inseridas nos filmes?


Seu filme de estreia – Thunderbolt and Lightfoot (1974) – é uma mescla de heist e road movie (ambos ainda em moda no início dos anos 70) no qual desenvolve-se a improvável relação paternal entre dois deslocados sociais. Há um trabalho razoável de desenvolvimento das personagens, boas atuações cênica e belos cenários das pradarias de Montana. Mas o roteiro um tanto forçado e a glamorização do banditismo enfraquecem o resultado final.


Em seu segundo filme – The Deer Hunter (1978) – Cimino atinge o nirvana da crítica e fama levando, entre outros, o Oscar de melhor filme e melhor diretor. O filme falhou nos primeiros testes com o público, sendo exibido minimamente, apenas o suficiente para concorrer ao Oscar, e ser lançado em escala comercial somente após a premiação. Foi um dos primeiros casos de “Oscar baiting”, ou seja, uso da premiação para criar uma falsa áurea em torno do filme – funcionou. Excessivamente longo (três horas de duração), o filme gasta a primeira hora na tentativa de estabelecer as personagens, mas o que vemos é unicamente uma deturpação caricatural da masculinidade (elencar atores de mais de trinta anos para representar recrutas do Exército apenas idiotiza ainda mais o comportamento das personagens), para na sequência do filme advogar pela emasculação como renúncia de poder. É um ataque direto ao trabalhador braçal, patriota e conservador que pejorativamente denominam red necks. Este caráter antiamericano é coroado na forçada e inverossímil cena final onde cantam o hino nacional como se fosse a marcha fúnebre. O roteiro rebuscado e inacreditável chega ao cúmulo apresentar uma personagem que ganha a vida ao longo de mais de três anos jogando roleta russa todas as noites (encenada pelo canastra Christopher Walken que incrivelmente recebe o Oscar de ator coadjuvante talvez por seu físico, aparência e comportamento de homossexual histérico). Mais inacreditável que isto só mesmo ver a feia e sem graça Meryl Streep na personagem de “última bolacha do pacote”.


Animado com o sucesso que sua ideologia revolucionária e antiamericana lhe trazia junto a crítica, Cimino volta a carga com Heaven's Gate (1980) onde tenta trazer a luta de classe marxista para o Velho Oeste. Mas o filme é tão ruim que desta vez nem a intelligentzia esquerdista conseguiu salvá-lo. O estrondoso fracasso deste faroeste (uma superprodução que custou US$ 44 milhões – valor astronômico naqueles tempos) foi responsabilizado pelo fim desse gênero por longos anos, pela falência da United Artists, e até o fim daquela breve era na história de Hollywood em que os cineastas desfrutavam de liberdade criativa.


Na sequência veio Year of the Dragon (1985), uma enredo policial mal contato e repleto de deslocados e forçados diálogos sobre Vietnã (tentativa de resgatar os simpatizantes de The Deer Hunter?) e imigração chinesa. Esta lacração disfarçada de filme (que tem o dedo do famigerado Oliver Stone no roteiro) tem personagens muito mal construídas, coroadas com a jornalista interpretada pela estreante atriz Ariane. Como uma atriz tão ruim recebe um papel protagonista é um mistério.


Depois de dois seguidos retumbantes fracasso de bilheteria, Cimino só realizou mais três filmes desprezáveis, o último em 1996. E não consegui mais filmar até sua morte em 2016. Não deixou saudades.

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