Joker (2019)



Diferentes motivos são insinuados como responsáveis pela transformação da personagem Joker ao longo do filme. Há indícios em linha com a esparrela marxista indicando os ricos como causadores das agruras do palhaço, também citam o fictício “sistema” (seja lá o que isto signifique) como motivador, há ainda referência à ineficiência do Estado ali representado pela falência da segurança social e, finalmente, ao final o próprio Joker aponta a falta de solidariedade e fraternidade na sociedade como provocadores de seus males.


Por mais que o Estado crescentemente totalitário esmague nossa individualidade e a desumanização das relações interpessoais, fruto da perda de religiosidade, sejam males reais, o problema da personagem não passa por eles. O problema de Joker é ele mesmo.

Mais além de tratar-se de um doente mental, seu problema é a incapacidade de lidar com os obstáculos da vida e acreditar ser imperativo encontrar um culpado por seus infortúnios.


O problema de Joker é um crescente mal do nosso tempo: a vitimização. Mal este agravado quando a suposta vítima outorga-se o direito de vigar-se de seus imaginários algozes, e atinge aspecto apocalítico quando este contingente de “vítimas” é instrumentalizado por ideologias totalitárias.


Perdeu-se não apenas a consciência da condição trágica da vida humana, na qual podemos padecer dos piores males sem que ninguém seja responsável, mas também se perdeu a capacidade de lidar com os dramas que nos atingem.


Sim, podemos ser vítimas. Muitas vezes vítimas de nossos próprios erros que podemos reabilitar com o real arrependimento, corrigindo-os e aceitando suas consequências. E quando vitimados por terceiros saber buscar reparação dentro das leis humanas, e acima de tudo, das leis divinas.

Filme Nota 3 (escala de 1 a 5)

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