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John Carpenter (1948- )


I have a great feeling for physical movies. I don’t like intellectual films. I love suspense. I want the audience to laugh and cry – an emotional response... I write a scene the way a composer writes a score. Then I take the baton and I conduct it as a director. I'm the happiest I can ever be when I’m on the set directing. – John Carpenter


Os filmes de Carpenter – na maioria retrabalhos de baixo custo e satíricos de situações de ficção científica, terror e suspense corriqueiros nos filmes B dos anos 40 e 50 – estão cheios de despropósitos, mas, no seu melhor, são emocionantes e espirituosos. Mesmo sem originalidade temática Carpenter cria suspense com a alternância de diferentes indivíduos em perigo, e faz bom uso da ameça que inesperadamente surge lateralmente na tela ou de um fundo escuro.


Seus filmes raramente pretendiam ser algo mais do que elegantemente filmados filmes de ação, com personagens pouco desenvolvidos que funcionam perfeitamente no gênero de filme escolhido. Porém, quase sempre podemos ler um comentário social nas entrelinhas, e, o que melhor, sem o dislate progressista.


Carpenter assina a maioria dos roteiros de seus filmes, e também é responsável pelas trilhas sonoras (minimalista, com predomínio do sintetizador), contribuindo para evocar a atmosfera desejada.


Seus melhores trabalhos concentram-se em meados dos anos 70 e começo da década de 80, sobressaindo-se os seguintes:

Assault on Precinct 13 (1976): Segundo longa-metragem do diretor, após a experiência estudantil Dark Star (1974). Inspirado em Rio Bravo (1958), Carpenter explora o então crescente problema das gangues de imigrantes e mandriões com um bem elaborado filme de baixo orçamento.

Halloween (1978): Provocou um verdadeiro revival do filme de terror drive-in no final dos anos 1970, inspirando literalmente centenas de flagrantes imitações. Mas, acometidos da lei dos rendimentos decrescentes (cada vez mais sangue e sexo para provocar algum efeito), nenhuma das imitações alcançou o nível do original. Com orçamento de apenas US 300 mil, Halloween é um dos maiores sucessos financeiros da história do cinema independente. Em meio ao suspense há uma velada crítica à banalização sexual e ao consumo de drogas junto aos adolescentes.


Escape from New York (1981): Aqui o diretor mistura gêneros, i.e. ficção científica, western e horror, com bom resultado. O aspecto social recai da decadência urbana e civilizacional. Há algo de profético. A ilha de Manhattan tornou-se um presídio no qual as autoridades ficam apenas dos muros para fora, idêntico à situação dos presídios brasileiros. E não é muito difícil imaginar o futuro de New York se seguir cegamente com suas políticas progressistas e continuar cedendo espaço aos terroristas do BLM e Antifa. Segundo o protagonista do filme uma civilização assim não merece ser salva.


The Thing (1982): Remake de The Thing from Another World (1951) de Howard Hawks (ambos baseados no romance Who Goes There? de Don A. Stuart). Carpente eliminou o clima de matinée do filme original, substituindo-o por uma atmosfera claustrofóbica de isolamento pessoal e desconfiança, criando uma perfeita alegoria de nossa sociedade crescentemente atomizada e conflituosa.


The Thing foi o último grande filme de Carpenter, suas produções posteriores perderam o frescor dos trabalhos iniciais. Ainda assim, They Live (1988) entretém ao apresentar uma elite globalista, composta de alienígenas e seus cumplicies, explorando o povo manipulado pela mídia. Infelizmente Carpenter cede às críticas de seus filmes não serem progressistas e distorce alguns diálogos para forçar narrativas esquerdistas, mas isto não chega a comprometer o trabalho. Finalmente, Vampires (1998) é a contribuição do diretorà mania de vampiros e profusão de violência nas telas. Carpenter envolve a história num cenário e atmosfera de western para produzir um dos melhores filmes do gênero, com direito a refletir a infiltração do Mal na Igreja (o maléfico Cardinal Alba bem poderia ser o tal Chico argentino).

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