Dois Cavalheiros de Verona de William Shakespeare


Personagens Principais Valentino e Proteu – os dois cavalheiros Sílvia – amada de Valentino Júlia – amada de Proteu

Personagens Secundárias Duque de Millão – pai de Sílvia Túrio – rival grotesco de Valentino Eglamor – companheiro de Sílvia em sua fuga Speed – criado de Valentino Launce – criado de Proteu Luceta – criada de Júlia

Interpretação “O time most accurst! 'Mongst all foes that a friend should be the worst!” – Valentino

Dois Cavalheiros de Verona talvez seja a peça menos apreciada de Shakespeare, principalmente pela mentalidade modernista que só consegue enxergar relações conflituosas entre gerações, classes econômicas ou, como no caso desta peça, entre os sexos.


Numa análise superficial teríamos uma ácida visão do amor coroada com um final surpreendente que, em uma situação de crise, coloca a amizade masculina acima do amor pelas mulheres.


Mas prospectando mais a fundo encontramos a amizade, ou a boa vontade, entre os dois amigos ameaçada pela entrega de ambos as paixões – concupiscência e inveja. Apenas quando recordam a benevolência entre ambos conseguem superar aquelas venetas, e a harmonia volta a estabelecer-se entre todos – amigos e amantes.


Extrapolando a situação particular de ambos para a sociedade lembramos que o equilíbrio social é tênue, e o rompente de paixões facilmente pode quebrar a ordem, trazendo caos e dor. E entendemos o porquê da temperança e a prudência serem virtudes cardiais.




Notas

  • William Shakespeare (1564-1616) em Stratford-upon-Avon, Inglaterra. Era católico num mundo protestante.

  • Shakespeare escrevia, dirigia, produzia e atuava em suas peças. Deixou-nos a maior obra teatral do mundo moderno.

  • Apesar de serem denominadas como Tragédias, as peças de Shakespeare são Dramas. Pois o que caracteriza a tragédia é a inexistência da malicia humana.

  • Críticos fixam 1590 como a data de composição de Os Dois Cavalheiros de Verona. Primeira comédia romântica de Shakespeare.

  • Tudo indica que a peça foi inspirada no romance pastoril Diana Enamorada do português Jorge de Montemor (1520-1561).