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Creature From Jekyll Island de G. Edward Griffin

há 11 minutos
15 min de leitura

“It is a cartel operating against the public interest.” – G. Edward Griffin define o Federal Reserve



G. Edward Griffin apresenta uma longa investigação histórica, econômica e política do sistema de bancos centrais, concentrando-se sobretudo no Federal Reserve dos Estados Unidos. O autor parte da tese que o Federal Reserve não teria sido criado primordialmente para proteger a economia americana contra crises bancárias, mas como resultado da convergência entre interesses financeiros e o poder político. A instituição funciona essencialmente como um cartel bancário protegido pelo Estado, capaz de criar dinheiro, socializar prejuízos, financiar déficits públicos, estimular ciclos econômicos e ampliar progressivamente o poder governamental. Por isso haveria sete razões pelas quais o Federal Reserve deveria ser abolido: (a) seria incapaz de cumprir seus objetivos declarados, (b) constituiria um cartel contrário ao interesse público, (c) seria um instrumento de usura, (d) produziria uma forma particularmente injusta de tributação por meio da inflação, (e) facilitaria as guerras, desestabilizaria a economia e, finalmente, (f) favoreceria a expansão do poder político em direção ao totalitarismo.


O ponto de partida é a célebre reunião secreta realizada em novembro de 1910 em Jekyll Island, na Geórgia, onde se reuniu um pequeno grupo formado por figuras ligadas ao governo e às grandes instituições financeiras americanas, entre elas, Nelson Aldrich, Paul Warburg, Frank Vanderlip, Henry Davison e outros representantes dos círculos Morgan, Rockefeller e Kuhn, Loeb & Company. Os participantes viajaram para o encontro separadamente, evitavam usar sobrenomes e justificaram a presença na ilha como uma expedição de caça. Ali foi preparado o projeto fundamental que, depois de modificações políticas e terminológicas, resultaria no Federal Reserve Act de 1913. A importância da reunião está em que representantes das maiores forças financeiras do país participaram diretamente da elaboração de uma nova arquitetura monetária destinada a reduzir a competição entre bancos e proteger o setor contra suas próprias crises.


Essa reunião ocorreu em um contexto de extraordinária concentração do poder financeiro, sobretudo nos grupos Morgan e Rockefeller nos EUA e na Europa nos Rothschild e Warburg. A concentração do crédito significava que um pequeno número de instituições tinha capacidade para influenciar empresas, ferrovias, mercados de capitais e, indiretamente, governos. A investigação do Comitê Pujo, concluída em 1913, havia constatado uma forte concentração do controle sobre dinheiro e crédito. É nesse contexto que aquela não era uma simples reunião técnica sobre reforma bancária, mas a elaboração de um mecanismo mediante o qual os grandes bancos poderiam preservar sua posição utilizando o poder do governo – a estruturação de um cartel bancário, cujo projeto teria se tornado a base do Federal Reserve System.


Em sua argumentação o autor faz a distinção entre dinheiro-mercadoria, especialmente ouro e prata, recibos representativos de metal depositado e dinheiro fiduciário (fiat money), cujo valor depende essencialmente da aceitação pública e da imposição legal. A preferência recaí sobre o dinheiro lastreado em metais preciosos, pois a quantidade de ouro e prata não pode ser aumentada arbitrariamente por decisão política. O dinheiro fiduciário, ao contrário, permite que bancos e governos ampliem a oferta monetária sem uma correspondente produção de riqueza real.


É o Mandrake Mechanism do sistema bancário moderno: a criação de dinheiro mediante a expansão do crédito. Quando bancos concedem empréstimos, criam depósitos, quando o Federal Reserve compra títulos da dívida, cria reservas que permitem nova expansão bancária, e quando o governo se financia por déficits monetizados, novos meios de pagamento entram na economia. Assim, a moeda moderna seria fundamentalmente uma moeda baseada em dívida. E quando dívidas são liquidadas ou o crédito se contrai, o dinheiro desaparece. Essa capacidade de expandir e contrair artificialmente a oferta monetária constitui a origem dos ciclos de boom e bust.


A inflação assume, consequentemente, uma importância moral e política. Quando o governo financia suas despesas mediante criação monetária, o poder aquisitivo das unidades monetárias já existentes diminui. O Estado obtém recursos sem aprovar explicitamente um novo imposto, enquanto os detentores de dinheiro e rendimentos fixos perdem poder de compra – a inflação é uma forma de tributação oculta e de transferência de riqueza. O mecanismo permitiria aos governos gastar muito além do que conseguiriam arrecadar diretamente da população, reduzindo a disciplina fiscal que existiria sob um sistema monetário rígido.


O dinheiro fiduciário torna possível um Estado muito maior do que aquele que poderia existir se dependesse exclusivamente de impostos e empréstimos genuinamente financiados pela poupança. O problema do banco central, portanto, não é meramente monetário. Ele altera a relação entre cidadão e governo porque elimina parte das restrições econômicas ao crescimento do poder estatal. O governo pode financiar déficits persistentes, programas públicos, salvamentos financeiros e guerras transferindo uma parcela dos custos para o futuro ou diluindo-os por meio da inflação.


Outro problema são os bailouts. Griffin sustenta que o Federal Reserve cria uma situação de risco moral, pois grandes instituições financeiras podem assumir riscos excessivos sabendo que, caso sua falência ameace o sistema, o governo e o banco central terão fortes incentivos para salvá-las. Os lucros permanecem privados enquanto parte das perdas pode ser socializada. O sistema, portanto, tenderia a proteger especialmente instituições suficientemente grandes ou politicamente conectadas. Isso contradiz a imagem do Federal Reserva como defensor imparcial do interesse público – a função prática da instituição seria frequentemente proteger o próprio sistema bancário que oficialmente deveria regular.


O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial podem ser olhados sob a mesma perspectiva: seus empréstimos não seriam simplesmente instrumentos de estabilização e desenvolvimento, mas mecanismos mediante os quais bancos privados e governos de países desenvolvidos conseguem transferir riscos. Países altamente endividados recebem novos recursos para permanecer solventes e pagar credores anteriores; quando os riscos se materializam, os custos acabam sendo transferidos, direta ou indiretamente, aos contribuintes e aos detentores de moeda – crédito criado ou politicamente garantido protege grandes instituições enquanto dispersa os prejuízos pela sociedade.


As guerras modernas de grande escala seriam muito mais difíceis de sustentar sem bancos centrais e moeda fiduciária, pois a tributação direta necessária para financiá-las encontraria resistência popular. A expansão monetária e o endividamento permitem que os custos sejam parcialmente adiados e ocultados – sem a capacidade de criação de dinheiro fiduciário, muitas guerras modernas não teriam ocorrido na escala em que ocorreram.


Griffin examina os Rothschild, a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, o naufrágio do Lusitania, a Revolução Russa e as relações econômicas entre capitalistas ocidentais e regimes comunistas para demonstrar que os interesses financeiros nem sempre coincidem com divisões ideológicas convencionais: bancos e grandes empresas podem financiar governos de orientações políticas radicalmente diferentes quando existem vantagens econômicas ou estratégicas. Assim, capitalismo monopolista, socialismo estatal e grandes estruturas financeiras internacionais poderiam, em determinadas circunstâncias, tornar-se parceiros em vez de inimigos. Seguem alguns exemplos desta cooperação:


Financiamento da Revolução Bolchevique de 1917: banqueiros e empresários ocidentais mantiveram relações com personagens e organizações envolvidos na Revolução Russa, contribuído para fortalecer um movimento que oficialmente os combatia.


Cooperação bancária com a Rússia soviética: depois da Revolução de Outubro, os bolcheviques nacionalizaram grande parte do sistema bancário, mas preservaram determinadas relações financeiras internacionais. Em 1922 foi criando um banco soviético voltado ao comércio exterior com participação de banqueiros estrangeiros, particularmente Max May, executivo do Guaranty Trust, ligado ao grupo Morgan.


Contratos comerciais entre empresas ocidentais e o governo soviético: contratos de fornecimento de alimentos, equipamentos e produtos industriais foram celebrados por empresas americanas e britânicas com a Rússia bolchevique. Os soviéticos utilizaram reservas de ouro para pagar importações e obrigações financeiras, beneficiando instituições ocidentais.


Transferência de tecnologia e desenvolvimento industrial soviético: parcela importante da industrialização da União Soviética dependeu de equipamentos, conhecimentos técnicos e assistência de empresas capitalistas. Essa cooperação ajudou a construir a capacidade produtiva de um regime que se apresentava como adversário do Ocidente.


Comércio e crédito ocidentais durante a Guerra Fria: instituições financeiras americanas, programas governamentais e mecanismos de garantia de crédito facilitaram a exportação de produtos e tecnologias para países comunistas. Os bancos obtinham receitas com essas operações, enquanto parte dos riscos acabava transferida aos contribuintes.


O Federal Reserve não surgiu do nada em 1913, pois foi a quarta grande tentativa americana de institucionalizar um banco central. O processo começou com as experiências monetárias coloniais, passou pelo First Bank of the United States, pelo Second Bank, pelas disputas envolvendo Andrew Jackson, pelos greenback da Guerra Civil e pelas sucessivas controvérsias entre defensores de moeda rígida e partidários da expansão do crédito. O conflito histórico fundamental seria entre duas concepções: de um lado, dinheiro limitado por algum bem real e bancos sujeitos às consequências de suas decisões; de outro, dinheiro politicamente administrado, crédito expansível e uma instituição central capaz de socorrer o sistema.


Andrew Jackson ocupa posição importante nessa narrativa porque sua luta contra o Second Bank of the United States é apresentada como um precedente da batalha contra o Federal Reserve. O confronto não representava simplesmente populismo anticapitalista, mas uma resistência à concentração do poder financeiro associada ao Estado. A derrota do Second Bank demonstraria que instituições desse gênero podem ser politicamente eliminadas. A criação do Federal Reserve décadas depois demonstraria, porém, que a ideia do banco central sobreviveu e retornou sob uma estrutura institucional mais sofisticada.


Desde sua criação o Federal Reserve, em vez de produzir estabilidade monetária, presidiu períodos de inflação, recessões, depressões, expansão da dívida pública e desvalorização da moeda. A Grande Depressão deve ser interpretada dentro de uma teoria monetária próxima da tradição austríaca: a expansão artificial do crédito durante os anos anteriores teria provocado investimentos insustentáveis e uma bolha especulativa, e a posterior contração monetária transformou o ajuste em catástrofe. O problema, portanto, não teria sido ausência de administração monetária, mas justamente a manipulação anterior do dinheiro e do crédito.


O dólar moderno é dinheiro fiduciário e a maior parte da oferta monetária nasce como contrapartida de dívida. A expansão do crédito aumenta a quantidade de dinheiro; sua contração a reduz. Esse mecanismo permite oscilações que não ocorreriam da mesma maneira em um regime monetário rigidamente vinculado à oferta de um ativo real. Essa elasticidade artificial está no centro dos ciclos econômicos e nenhuma característica estrutural do sistema impede que ele termine como outros regimes históricos de moeda fiduciária. A saída é inequívoca: abolir o Federal Reserve.


Bancos centrais, dívida pública, organismos internacionais e organizações de elite fazem parte de um processo de concentração do poder em escala mundial – a criação ilimitada de dinheiro torna possível financiar uma crescente concentração de autoridade política e, consequentemente, perda de liberdade. Neste sentido o Federal Reserve é um potencial instrumento de totalitarismo.


Griffin constrói um futuro cenário pessimista no qual crises bancárias provocam grandes salvamentos governamentais, financiados pela criação monetária, a inflação se acelera, o dólar perde sua posição internacional, as autoridades respondem às crises aumentando controles e regulamentações, instituições financeiras tornam-se progressivamente dependentes do Estado, e estruturas monetárias internacionais adquirem crescente poder. (a maioria destas previsões se concretizaram nas três décadas posteriores a publicação do livro, e as demais estão em via de se materializarem)


A solução proposta pelo autor seria uma transição para uma moeda que considere real, integralmente lastreada por metais preciosos, acompanhada pela eliminação das leis de curso forçado, liberdade para moedas concorrentes e reservas bancárias muito mais rígidas. Só depois dessa transição seria possível extinguir o Federal Reserve sem provocar o caos que fortaleceria ainda mais o poder governamental.



Quem possui o poder de criar dinheiro adquire, indiretamente, enorme capacidade de comandar recursos reais da sociedade. A criação monetária permite financiar déficits sem tributação imediata, salvar instituições insolventes, sustentar guerras que seriam politicamente difíceis de financiar por impostos, expandir burocracias e transferir riqueza por meio da inflação. Por isso, a questão monetária, aparentemente técnica, torna-se uma questão constitucional: quem deve controlar o dinheiro e quais limites devem ser impostos a esse poder?


A criação do Federal Reserve, em 1913, não deve ser compreendida como um acontecimento isolado, mas como uma etapa de um processo histórico de criação de uma Nova Ordem Mundial, i.e. um projeto de concentração progressiva do poder econômico, monetário e político em instituições supranacionais, cujo resultado seria a substituição da soberania dos Estados nacionais por um governo mundial de orientação coletivista.


O controle do dinheiro constitui um instrumento de dominação mais eficiente que a força militar. Exércitos podem conquistar territórios, mas o domínio monetário permitiria influenciar permanentemente a atividade econômica, o comportamento dos governos e a vida dos cidadãos. O processo culminaria na criação de um banco central mundial, capaz de emitir uma moeda fiduciária internacional, de aceitação obrigatória pelos países participantes. Essa instituição assumiria progressivamente as atribuições dos bancos centrais nacionais, retirando dos Estados a capacidade de conduzir autonomamente suas políticas monetárias. Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial constituiriam os embriões desse sistema. O primeiro evoluiria para um banco central mundial, enquanto o segundo funcionaria como seu instrumento de financiamento e influência econômica. A consequência seria a transferência de uma parcela fundamental da soberania nacional para uma autoridade supranacional.


Nos países menos desenvolvidos, os empréstimos internacionais fortaleceriam governos dependentes de recursos externos. Seus dirigentes, habituados a receber financiamento, tenderiam a aceitar condições políticas e econômicas impostas pelas instituições credoras. Já nos países industrializados, o financiamento dessas operações, associado ao crescimento da dívida pública e à expansão monetária, contribuiria para enfraquecer a economia e reduzir a capacidade de ação independente. O resultado seria uma convergência: países pobres se tornariam dependentes dos financiamentos internacionais, enquanto países ricos perderiam progressivamente sua autonomia econômica – os países estariam sendo conquistados pelo dinheiro, e não pelas armas.


A Sociedade Fabiana foi uma importante fonte intelectual do projeto. Sua estratégia seria promover transformações graduais nas instituições, evitando rupturas revolucionárias que provocassem resistência popular. Nos Estados Unidos, o Council on Foreign Relations (CFR) teria a função de promover essa orientação entre dirigentes políticos, financeiros, acadêmicos e diplomáticos. A estratégia consistiria em enfraquecer progressivamente a soberania americana, promovendo a integração econômica internacional e a transferência de competências para organismos supranacionais.


Existem inúmeras manifestações que evidenciam se tratar de um projeto político coordenado. Seguem alguns exemplos:


John Foster Dulles (1888–1959) foi um dos primeiros dirigentes americanos a defender publicamente a limitação da soberania nacional em favor de uma nova ordem política e econômica internacional. Em uma declaração publicada no The New York Times em 28 de outubro de 1939, sob o título Dulles Outlines World Peace Plan, ele argumentava que seria necessário algum enfraquecimento do sistema tradicional de soberania dos Estados e que a construção de uma ordem político-econômica internacional exigiria sacrifícios das nações mais poderosas, especialmente dos Estados Unidos com a substituição do dólar por uma moeda internacional comum.


Zbigniew Brzezinski (1928–2017) foi um intelectual e estrategista político que teriam contribuído para a construção da Nova Ordem Mundial. Em seu livro Between Two Ages: America's Role in the Technetronic Era (1970), Brzezinski descreve uma sociedade profundamente transformada pela informática, pelas telecomunicações e pelos meios eletrônicos de comunicação, o que ampliaria a capacidade de governos e instituições de reunir informações, influenciar comportamentos e exercer controle social.


Richard Newell Cooper (1934–2020) foi outro que defendeu abertamente a criação de uma moeda internacional para substituir as nacionais num artigo publicado na revista Foreign Affairs, em 1984, intitulado A Monetary System for the Future. Ele também escreveu um estudo intitulado The Evolution of the International Monetary Fund Toward a World Central Bank, publicado originalmente em 1983 e posteriormente reunido em livro em 1987.


Richard N. Gardner (1927–2019) foi mais um dos intelectuais que formularam publicamente uma estratégia de construção gradual da chamada Nova Ordem Mundial, sobretudo num artigo publicado em abril de 1974 na revista Foreign Affairs, intitulado The Hard Road to World Order. No artigo, Gardner reconhece que a criação imediata de um governo mundial seria politicamente inviável. Propõe, por isso, uma abordagem pragmática: criar instituições e acordos internacionais de competência limitada, voltados a problemas concretos, que gradualmente ampliariam a cooperação e as obrigações dos países. Entre os campos examinados estão o comércio internacional, os assuntos monetários, o direito do mar, os direitos humanos, o meio ambiente e a segurança coletiva. Em vez de exigir que os governos renunciassem de uma só vez à soberania, cada acordo implicaria uma concessão específica de autoridade. A soma dessas concessões produziria a Nova Ordem.


A Nova Ordem Mundial não corresponderia propriamente à vitória do capitalismo sobre o comunismo, mas à convergência dos dois sistemas em uma nova estrutura coletivista. A dissolução da União Soviética é especialmente reveladora neste sentido: muitos antigos dirigentes comunistas conservaram posições de poder, adotando uma linguagem social-democrata e participando de novas instituições políticas e econômicas. Essa transformação teria facilitado a integração dos antigos países comunistas ao sistema financeiro internacional, especialmente por meio do FMI e do Banco Mundial – o desaparecimento da confrontação ideológica entre os blocos teria removido um obstáculo à formação de uma autoridade mundial.


A implementação do projeto mundialista exige o enfraquecimento dos EUA, o que estaria sendo realizado através do crescimento da dívida pública, inflação, transferência internacional de recursos, redução do poder aquisitivo, dependência financeira e progressiva perda da soberania monetária – uma crise econômica e social suficientemente profunda poderia levar a população americana a aceitar instituições internacionais como alternativa ao colapso interno. Nesse cenário, a perda de soberania não seria apresentada como uma imposição, mas como uma solução necessária para restaurar a estabilidade.


As duas grandes armas da Nova Ordem Mundial seriam a formação de um poder militar supranacional – uma estrutura internacional de comando que progressivamente subordinaria os exércitos nacionais e os principais armamentos a uma autoridade mundial, sob a justificativa da paz e do desarmamento –, e um poder monetário supranacional – um banco central mundial, apoiado no FMI e no Banco Mundial, que controlaria a emissão monetária e o financiamento internacional, sob a justificativa do desenvolvimento econômico e da estabilidade financeira. O segundo instrumento seria mais importante que o primeiro, pois o controle monetário permitiria exercer influência sobre as sociedades sem recorrer continuamente à coerção militar.


A estrutura construída em torno das Nações Unidas é coletivista, burocrática e centralizadora, transformando os indivíduos em dependentes de uma autoridade política cada vez mais distante e menos sujeita ao controle democrático – é o modelo de concentração de poderes coercitivos, fiscais e monetários em instituições que não poderiam ser efetivamente controladas pelos cidadãos.





Notas


  • George. Edward Griffin (1931- ) nasceu em Detroit (MI), EUA.

  • Escritor, conferencista, documentarista e comentarista político americano, conhecido principalmente por suas críticas ao sistema bancário central, ao intervencionismo estatal e à concentração internacional do poder. Fundou a Freedom Force International, organização dedicada à defesa do individualismo, da propriedade privada e da limitação do poder governamental.

  • A lista de seus livros mais relevantes também inclui The Fearful Master: A Second Look at the United Nations (1964), The Great Prison Break: The Supreme Court Leads the Way (1968), The Grand Design: A Lecture on U.S. Foreign Policy (1968), e The Capitalist Conspiracy: An Inside View of International Banking (1971).

  • The Creature from Jekyll Island foi publicado em 1994.

  • Comitê Pujo (Pujo Committee) foi uma comissão de investigação da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que, entre 1912 e 1913, examinou a concentração do poder financeiro nas mãos de um pequeno grupo de banqueiros de Nova York, conhecido na época como Money Trust.

  • Leis de curso forçado são normas que determinam que determinada moeda deve ser aceita como meio de pagamento para a quitação de obrigações monetárias, mesmo que o credor preferisse receber outra forma de pagamento, como ouro, prata ou moeda estrangeira. Em sentido monetário mais estrito, a moeda circula por imposição legal sem que seu emissor seja obrigado a convertê-la em ouro ou outro ativo a uma paridade fixa.

  • O naufrágio do Lusitania, em 7 de maio de 1915, teria sido deliberadamente facilitado por autoridades britânicas, com a conivência de setores do governo americano, para provocar a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial e proteger interesses financeiros ligados ao banco J. P. Morgan (a vitória tedesca ou uma paz negociada favorável à Alemanha colocaria em risco o pagamento de empréstimos e os negócios de Morgan junto a França e Inglaterra.).

  • John Foster Dulles foi secretário de Estado dos Estados Unidos durante o governo de Dwight Eisenhower (1953–1959).

  • Zbigniew Brzezinski (1928–2017) foi conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter entre 1977 e 1981. Foi, junto com David Rockfeller, um dos criadores da Comissão Trilateral em 1973.

  • Richard Newell Cooper (1934–2020) foi um economista americano, professor da Universidade Harvard, especializado em economia internacional e política monetária. Exerceu o cargo de subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos no governo Jimmy Carter, entre 1977 e 1981, e integrou o Council on Foreign Relations (CFR).

  • Richard N. Gardner (1927–2019) foi professor de Direito e Relações Internacionais na Universidade Columbia, diplomata americano e membro do Council on Foreign Relations (CFR). Serviu como embaixador dos Estados Unidos na Itália e na Espanha.

  • Segue a descrição do processo de criação de dinheiro mediante operações de crédito: É importante distinguir a emissão de moeda pelo banco central da criação de depósitos bancários pelos bancos comerciais. Ambas podem aumentar a quantidade de dinheiro na economia, mas funcionam de maneiras diferentes. Como um banco comercial cria dinheiro: Imagine que uma pessoa obtenha um empréstimo de R$ 100 mil de um banco. Ao conceder o crédito, o banco registra simultaneamente dois lançamentos contábeis: Ativo: um direito de receber R$ 100 mil do cliente; Passivo: um depósito de R$ 100 mil na conta do cliente. O depósito é dinheiro bancário novo, que o cliente pode utilizar para efetuar pagamentos. Não é necessário que outro correntista tenha retirado R$ 100 mil de sua conta para que esse depósito seja criado. O dinheiro passa a circular quando o cliente realiza pagamentos. Essa operação é uma característica fundamental do sistema bancário moderno. O banco não cria riqueza real com o lançamento contábil: cria simultaneamente um meio de pagamento e uma obrigação financeira. Quando o empréstimo é amortizado, o dinheiro bancário correspondente ao principal pago é destruído. Os juros, por sua vez, constituem receita do banco. Como o banco central cria moeda fiduciária: O banco central cria moeda de banco central, que compreende o papel-moeda em circulação e as reservas mantidas pelos bancos comerciais junto à autoridade monetária. Uma das formas de criação ocorre quando o banco central compra títulos financeiros, como títulos públicos, e paga por eles mediante a emissão de novas reservas. Por exemplo, suponha que o banco central compre R$ 1 bilhão em títulos públicos de um banco comercial. No balanço do banco central é registrado como Ativo os títulos públicos e como Passivo as reservas bancárias. O banco comercial troca um ativo (os títulos) por outro (as reservas). O banco central, por sua vez, expande simultaneamente seu ativo e seu passivo. O dinheiro foi criado contabilmente, sem necessidade de extração de ouro ou impressão de cédulas. Isso não significa que o banco central adquiriu riqueza gratuitamente: ele assumiu um passivo monetário e recebeu um ativo em contrapartida. Quando o banco central vende títulos e recebe reservas como pagamento, ocorre o movimento inverso, reduzindo a quantidade de reservas no sistema. The Mandrake Mechanism e o encadeamento entre dívida pública, emissão monetária e expansão do crédito: O governo emite títulos de dívida → o Banco Central adquire títulos e cria reservas → as reservas entram no sistema bancário → os bancos concedem empréstimos e criam depósitos → os depósitos são utilizados em pagamentos e circulam na economia. Em um exemplo simplificado, uma expansão inicial de US$ 1 milhão poderia sustentar, sucessivamente, US$ 900 mil, US$ 810 mil e novas rodadas de depósitos, até um limite teórico de US$ 10 milhões no total. Essa é a conhecida explicação do multiplicador monetário, utilizada historicamente em manuais de economia. Quando a quantidade de dinheiro e crédito cresce mais rapidamente que a capacidade de produção de bens e serviços a moeda se desvaloriza, pressionando os preços. A inflação reduz o poder aquisitivo da população e pode funcionar como uma forma de tributação indireta, beneficiando determinados agentes antes que os preços se ajustem. No sistema monetário moderno, grande parte do dinheiro utilizado diariamente surge de operações de crédito, e não da impressão física de cédulas.

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