Conflagração Social
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“A decadência não é um acontecimento, mas uma atmosfera.” – Nicolás Gómez Dávila (1913-1994), filósofo colombiano
Há uma tendência moderna (especialmente na esquerda, nas universidades e na cultura progressista) de priorizar sentimentos subjetivos sobre a realidade objetiva, invertendo a hierarquia entre fatos e emoções.
Isso faz parte de um processo mais amplo de declínio da razão, da verdade objetiva e do empirismo, substituídos por ideologias utópicas, relativismo moral e “verdades” pessoais. Vemos a manifestação deste fenômeno em temas como família, identidade de gênero, multiculturalismo e política identitária, onde a evidência inconveniente é distorcida ou descartada para se adequar a narrativas emocionais ou ideológicas, fomentando toda forma de vitimismo.
As pessoas não suportam a desconexão entre a realidade objetiva e sua própria situação pessoal, e procuram encaixar a realidade em seus sentimentos subjetivos – os sentimentos pessoais superam a evidência objetiva. Esta substituição da verdade objetiva pela experiência subjetiva já transformou até a ciência em um ramo da irracionalidade – a individualidade e a emoção pessoal tornam-se o árbitro supremo da realidade.
Há uma erosão dos fundamentos judaico-cristãos que valorizavam razão, evidência e autoridade externa aos sentimentos individuais, dando lugar a um mundo onde tudo é opinião e percepção individual, no qual sentimentos superam os fatos.
Este tipo de ambiente é ideal para ideologias utópicas (multiculturalismo, ambientalismo radical, política de gênero, relativismo moral) que sacralizam uma ideia de perfeição do mundo, emprestando as estas pessoas uma sensação de superioridade moral. E qualquer evidência contrária não é apenas considerada equivocada, mas a própria encarnação do mal, levando a uma espécie de totalitarismo cultural onde a verdade se torna um conceito extremista, e.g.:
quem discorda de alguma política ambientalista, ou até mesmo de crimes cometidos por militantes ambientalistas, é visto como alguém que quer destruir o planeta e condenar à morte as próximas gerações;
quem discorda de leniência nas políticas imigratórias é tachado de xenófobo, inimigo da paz entre os povos;
quem discorda de ações afirmativas é visto como racista (potencial criminoso), defensor da escravidão;
quem rejeita a homossexualidade é homofóbico (potencial criminoso), um obstáculo para a felicidade alheia;
quem é contrário a políticas distributivas, inclusive a aumentos de impostos, é visto como inimigo dos mais necessitados, obstáculo para o bem-estar do povo.
A confrontação no meio social é inevitável, e fica fácil entender o comportamento irracional e raivoso dos militantes de ideologias messiânicas – aquele que se opõe aos seus sentimentos e visão abstrata do mundo deixa de ser visto como um ser humano, mas apenas algo de merece ser destruído.
Em resumo, as pessoas impõem sentimentos subjetivos sobre a realidade objetiva por uma combinação de conveniência pessoal, culpa, ressentimento social, compromisso ideológico e/ou recusa em aceitar verdades desconfortáveis, resultando em uma sociedade cada vez mais desconectada da realidade, fragmentada, que produz políticas que exacerbam o conflito social.
Tempos sombrios se avizinham.


