Cabra Marcado Para Morrer (1984)


Cabra Marcado Para Morrer é mais um filme documentário de cunho ideológico esquerdista com o objetivo de falsear a história em prol da “revolução”, e nunca esclarecer os fatos e ampliar o horizonte de consciência do espectador. O documentário retorna ao cenário onde em 1964 foram interrompidas as filmagens sobre a vida do agitador comunista camponês João Pedro Teixeira.

O tom documental que inicialmente procura enaltecer as Ligas Camponesas, de criação do PCB, e o filme então interrompido, descamba para o destino da viúva de João Pedro Teixeira e seus filhos, com as mais piegas cenas de exploração da miséria humana. A tentativa de ocultar as evidentes raízes internacionais do movimento é ridiculamente desmascarada no próprio documentário que mostra um dos filhos de João Pedro como bolsista em Cuba. E a fanfarrice de tudo ter origem na “gente sofrida do campo” desmorona com jargões como “latifundiário”, “companheiros tombados” e “a luta continua” que brotam da boca da viúva.

João Pedro Teixeira era um “quadro” assalariado do Partido Comunista e líder das Ligas Camponesas de Sapé, na Paraíba. À época, João Pedro e outros ativistas das Ligas, segundo Antonio Dantas, um dissidente do PCB na região, eram mantidos pelo ouro da KGB, a partir, sabe-se hoje, de remessas repassadas pelo Serviço de Inteligência da antiga Comunista Tchecoslováquia (StB), braço estratégico de Moscou para manter acesa a “guerra revolucionária”, via Cuba, no Brasil e outros países da América Latina.


Violente e cruel, João Pedro Teixeira e seus capangas, forçavam os trabalhadores rurais reticentes a entrarem na associação enfiando uma canga de bode ou um chocalho de boi no pescoço do indefeso. Em seguida, para desmoralizá-lo publicamente, arrastava-o estrada afora às vistas de sua família e para apupos da horda debochada.


Outro método diabólico, disseminado nos manuais de Mao para dobrar o proprietário rural, consistia em ocupar suas terras, durante meses, pela prática de improvisados “mutirões”. O ativista das Ligas, ao lado de 100 ou 200 liderados, todos de foice em punho, aparecia numa fazendola e dizia ao proprietário que precisava de suas terras, sem remuneração, para colher uma agricultura de subsistência. Muitos fazendeiros, acuados, aceitavam a ocupação; outros não. Daí eclodia o conflito, quase sempre sangrento. Um desses conflitos, o da Fazenda Miriri, resultou numa carnificina braba, com a morte de camponeses e policiais, um deles trucidado a golpes de foice pelos invasores.

Mas é claro que o diretor Eduardo Coutinho não fala de nada disso. Afinal, seu documentário é pura peça de propaganda, cujo único aspecto positivo é deixar na mente do espectador, dotado de um mínimo de inteligência e conhecimento da história brasileira, a certeza do acerto do exército em acabar com tudo aquilo. Tarefa facílima visto que os mentores intelectuais do movimento fugiram e se esconderam feito ratos.

Filme Nota 1 (escala de 1 a 5)