Alexander Nevsky (1938) & Ivan, o Terrível (1944 e 1958)



Sergei M. Eisenstein, talvez inspirado por D.W. Griffith, tem momentos brilhantes na tomada de cenas e montagem de seus filmes. Pena que a temática abordada é deturpada pela ideologia soviética – Eisenstein era um empregadinho do Partido que só pode filmar conquanto agradasse aos líderes comunistas.


A história de Alexander Nevsky e a batalha sobre o lago Peipus em 1242 foi resgatada como instrumento de propaganda em diferentes níveis: ataque contra a Igreja, levante dos camponeses incluindo envolvimento de mulheres no frente de batalha, banimento dos “burgueses”, e propaganda anti-germânica já pensando na estratégia stalinista conhecida como Icebreaker (ver Viktor Suvorov). Em meio a tantos objetivos panfletários perde força um importante elemento cultural russo representado naquele evento histórico: na hora do desespero o povo entrega-se a um líder com força para prometer paz e uberdade, remetendo ao mito fundador russo (no século IX as aldeias locais entregam-se aos vikings – referidos como rus’ (aquele que rema) – dando início ao que viria a ser a federação Kievan Rus). Filme Nota 1 (escala de 1 a 5)


Ivan, o Terrível apresenta outro momento crucial na história russa: declaração do primeiro Czar (César) representante da Terceira Roma (após a queda de Roma e Constantinopla) legitimada pelo casamento com uma herdeira do Império Bizantino (adoção da cultura bizantina – alfabeto, arquitetura, símbolos (e.g. águia de duas cabeças), etc). Ivan é bem menos panfletário que Alexander Nevsky, e, por isso mesmo, um filme muito superior e este. Filmado nos anos 40 como uma trilogia, a exibição do segundo filme foi suspensa por Stalin, sendo liberada somente após a morte deste (o terceiro filme nunca foi terminado). Filme Nota 3 (escala de 1 a 5)

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