A Ilha de Aldous Huxley


Personagens Principais William (Will) Asquith Farnay – jornalista e poeta frustrado, náufrago Robert MacPhil – médico, avô de Mary Susila – nora de Robert e mãe de Mary e Tom, viúva de Dulgald Fátima – rainha-mãe (rami) de Pala Murugan Mailendra – estudante da ciência do solo, filho da rainha-mãe e futuro regente Abdul Pierre Bahu – embaixador de Rendag-Lobo em Pala Personagens Secundárias Coronel Dipa – ditador de Redang-Lobo Joseph Aldehyde – patrão de Will, dono de jornal e visa os recursos naturais da região Molly – já falecida esposa de Will Mary Sarojini MacPhail – menina (9 anos) que encontra Will Tom Krishna – irmão menor de Mary Lakshimi – enferma mulher de Robert Vijaya Bhattacharya – assistente de Robert Rhada Appu – enfermeira Ranga Karakuram – namorado de Rhada


Interpretação Teria a sociedade de Pala aproximando-se da perfeição humana para acabar sendo destruída pela ganância dos poderosos? É A Ilha um libelo humanista contra a burguesia, contra o capitalismo militarista? Muitos pensaram assim, alçando Huxley ao panteão dos gurus da contracultura nos anos 60.

Mas seria aquela sociedade viável? Ela corresponde à natureza humana? Claro que não. Nossa natureza é ambígua. Nossa essência flutua entre um firmamento de luzes e um abismo de trevas, e não há lavagem cerebral e chá de cogumelo que vá alterar isto. Pala quer ignorara a tensão inerente à condição humana. A manipulação pela qual as crianças de Pala passam é criminosa. Educar é capacitar para compreender a realidade, mas aquelas crianças tem seu horizonte de consciência limitado àquilo que os líderes da ilha desejam. Elas têm sua condição humana reduzida a um patamar animalesco.

O sistema de Pala é tirânico forçando todos a seguirem um determinado modelo de conduta. Modelo de reengenharia social messiânico na tentativa de criar um “novo homem” e fazer o paraíso terreno. Os artífices intelectuais de Pala parte do princípio rousseauniano de que o homem é bom, mas é estragado pela sociedade. Porém o homem é um ser gregário, e não existimos sem sociedade. Nunca saberemos como aquele seria sem esta.

Com A Ilha Aldous Huxley volta a criticar o totalitarismo, como já havia feito com Admirável Mundo Novo, irônica e sutilmente apresentando um novo modelo de tirania não-violenta.



Notas

  • Aldous Huxley (1894-1963) nasceu na Inglaterra. Aristocrata de uma família de notáveis.

  • Teve a melhor educação que a Inglaterra oferecia. Formou-se academicamente na prestigiosa Balliol College em Oxford (ligado ao Grupo Milner derivado de Cecil Rhodes).

  • Principais obras: Contraponto (1928), Admirável Mundo Novo (1931), A Ilha (1962) e As Portas da Percepção (1954 – inspirou o nome do grupo de rock The Doors) e O Céu e o Inferno (1956) narrando suas experiências com drogas.

  • Gurus da contracultura nos EUA: Timothy Leary (apologista das drogas), Allen Ginsberg (poeta), Robert Laing ( contra a internação dos loucos), Carlos Castañeda (apologista das drogas), Robert Crumb (cartunista), Hebert Marcuse (filósofo), Jack Kerouac (poeta) e Alan Watts (filósofo). Aldoux Huxley atraiu os hippies por seus livros sobre drogas e A Ilha (que não entenderam) – o mesmo sucedeu com Herman Hesse e seu livro O Lobo da Estepe.

  • A ilha ficcional Pala da narrativa localizar-se-ia cerca da Indonésia. O ano é 1968, portanto seis anos depois da publicação do livro.

  • Temas caros a Pala: psicologia, hipnose, anti-religião, anti-família, comida macrobiótica, promiscuidade sexual, ioga, orientalismo, pacifismo suicida, ecologismo, trabalho comunitário, controle da natalidade, uso de drogas. Todos integrantes do programa da contracultura. Pala é o modelo ideal de mundo da geração de Woodstock, daí sua importância histórica.

  • Sistemas autoritários no máximo agem para conter a conduta humana, mas os sistemas totalitários sonham em modificar a natureza humana.