The Upstart Spring: Esalen and the Human Potential Movement de Walter Truet Anderson

Narrativa apologética do Human Potential Movement expressada nos primeiros vinte anos do instituto Esalen (Big Sur, Califórnia).

O movimento nasce no seio dos chamados psicólogos humanistas que não aderiam a visão robótico do homem implícita nas correntes, então dominantes, freudiana e behaviorista. Seus líderes acreditavam que o homem estava diante de um novo salto evolutivo: através do desenvolvimento do "potencial humano", o homem pode experimentar uma qualidade excepcional de vida preenchida com felicidade, criatividade e realização. Como corolário, aqueles que começam a libertar este potencial assumido encontram-se frequentemente direcionando suas ações dentro da sociedade no sentido de ajudar outras pessoas a liberar seu potencial. Os adeptos acreditam que o efeito líquido de indivíduos que cultivam seu potencial trará mudança social positiva em geral.

Principais técnicas empregadas para “libertar o potencial humano”: Gestalt-terapia (Fritz Perls), encounter groups e sensitivity-training (Kurt Levin – Will Schultz em Esalen), e diferentes modalidades de massagens e meditação de origem oriental. Do encounter group originaram-se os grandes grupos de treinamento como est (Werner Erhard).

O movimento floresceu no ambiente de contracultura da década de 60. A liberação do indivíduo implicava em soltar-se das amarras impostas pela sociedade.


Esalen era acusada pelos esquerdistas de individualista e afastada dos problemas sociais, e pelos conservadores pelas razões óbvias.

O problema é que esta suposta liberação inclui as paixões humanas que os mitos e a filosofia grega ensinavam dever ser controladas. O homem assim se afastaria da sua humanidade, aproximando-se da animalidade.

Peter Marin (The New Narcissism) teoriza sobre a fuga das responsabilidades da vida social, as terapias remetem ao interior do indivíduo, alienando-o do mundo. Na mesma linha, Tom Wolfe descreve os anos 70 como the “ME” decade.

Esta linha de pensamento parece alinhar-se com a auto-vitimização da geração Beat (ver This is the Beat Generation de John Clellon Holmes).


Group Encounters e Sensitive Training são usados para discutir em grupo temas pessoais, íntimos, opiniões, valores e crenças através de técnicas de intimidação coletiva (crítica) e autoconfissão visando moldar comportamentos e submeter o indivíduo ao controle do coletivo.

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