O Arcanjo Negro de Aquilino Ribeiro



Personagens Principais Ricardo Tavarede – advogado de meia-idade Mônica Taverede – jovem esposa de Ricardo Personagens Secundárias Afonso e Carma Ruas – pais de Mônica Luciana Alvarenga – prima de Ricardo Felipe Alvarenga - marido de Luciana Luís Bravo – amigo revolucionário de Ricardo


Interpretação O arcanjo negro que dá título ao livro é descrito por Felipe como os ciúmes presente e futuro (póstumo) que Ricardo tem por Mônica. Mas a enfermidade do protagonista parece ser mais profunda, sendo aquele ciúme doentio apenas mais um sintoma desta.


Ricardo é ateu e inconformado com a própria natureza humana – não aceita o inexorável processo de envelhecimento e morte. Extrapola sua visão política ansiando niilistamente por um novo mundo habitado por um “novo homem”, como explicita nos discurso aos seus correligionários. Desrespeitoso também das regras seculares, rapta dos pais sua futura esposa ainda adolescente.


Ricardo Tavarede é um revoltado metafísico. Neste sentimento de rebelião não há lugar para o amor (no sentido amplo cristão) – simbolizado pelo fracasso amoroso do casal.

Este estado de revolta do homem contra a sua condição e contra sua criação é o arcanjo negro da modernidade – um prenúncio do advento do Anticristo.



Notas

  • Aquilino Ribeiro (1885-1963) nasceu em Carregal da Tabosa em Portugal.

  • Olavo de Carvalho o considera um dos escritores de vocabulário mais ricos, capaz e descrever a vida das personagens de forma que estas seriam incapazes de descrever (por falta do instrumento linguístico) – “ele pega todas as palavras que existem na língua portuguesa e as usa todas. E usa de uma maneira tão genial e tão fantástica, que eu duvido que haja no Brasil, hoje, quem seja capaz de lê-lo”.

  • Ativista político, Aquilino usa desta experiência em O Arcanjo Negroredigido em 1939-40, mas, devido a problemas com a censura, publicado apenas em 1947.

  • A ação decorre em Lisboa e arredores, entre 1925 e 1929. Aquilino retrata o clima insurrecional que crescia no final da Primeira República, descrevendo, pelo menos, duas revoltas fracassadas que, no essencial, visavam restaurar a utopia republicana.

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