As Seis Doenças do Espírito Contemporâneo de Constantin Noica


O homem é constituído de corpo, mente e alma (incluindo o espírito) e temos doenças para cada uma destas dimensões: respectivamente doenças somáticas, psíquicas e anímicas. As patologias do espírito mais facilmente reconhecidas são os sete pecados capitais e seus derivados, e Constantin Noica apresenta-nos aqui outras seis doenças espirituais (ônticas) irrompidas na modernidade e próprias do espírito contemporâneo.


A natureza do homem é tensional. Essa tensão manifesta-se internamente no ser humano, entre as virtudes e as pulsões (paixões ou vícios), ou seja, entre o Espírito e a Matéria (somos feitos a imagem e semelhança de Deus, mas do pó viemos e ao pó retornaremos). E também se apresenta externamente no fato de sermos indivíduos independentes mas também parte da sociedade (zoo politikon).


Esta tensão entre nossa independência e o convívio social apresenta três aspectos do ser, ou seja, (1) na Generalidade (o social, coletivo, ambiente no qual vivemos), (2) na Individualidade (o particular, independente), e (3) na Determinação (conexão entre os dois polos, ação humana na vivência desta tensão). As patologias descritas pelo autor apresentam-se na precariedade do homem em cada um destes aspectos, seja por (1) sua Carência (perda ou impossibilidade entendimento ou ação) ou por (2) sua Rejeição (recusa voluntária e consciente daquele aspecto do ser) – totalizando as seis doenças do espírito contemporâneo.


Segue resumo esquemático das seis doenças do espírito com exemplos de cada patologia extraídos da literatura:





Notas

  • Constantin Noica (1909-1987) nasceu em Vitanesti, Romênia.

  • Filósofo, ensaísta e poeta, Noica nunca deixou a Romênia, diferentemente da maioria dos grandes intelectuais e autores romenos.

  • Viveu a maior parte do tempo preso e/ou vigiado pela Securitate durante o regime comunista.

  • As Seis Doenças do Espírito Contemporâneo foi escrito em 1978 mas publicado apenas após a queda do regime comunista na Romênia.