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Argentina, 1985 (2022)



O que poderia ser uma boa representação de um fato histórico argentino transformou-se num melodrama maniqueísta – num passe de mágica (e perfídia) terroristas viram anjos injustiçados.


Várias organizações terroristas emergem na Argentina em 1969 na esteira do desgastado governo militar instaurado em 1966, com destaque para a peronista Montoneros e a leninista-marxista Ejército Revolucionario del Pueblo (ERP), que infligem 1.587 ataques e 1.635 protestos violentos até 1972 quando são realizadas novas eleições gerais. Em 1973 assume a presidência o peronista Héctor José Cámpora com ampla maioria no congresso que imediatamente anistia todos os terroristas independentemente dos crimes cometidos, e na sequência abdica em favor de Juan Domingo Péron.


Apesar da anistia, do retorno a normalidade democrática e do peronismo ao poder, as organizações terroristas recrudescem seus ataques que se tornam mais numerosos (2.605 ataques entre 1973 e 1976), letais e cruéis. Não faltam declarações vangloriando-se dos assassinatos e sequestros, e pronunciamentos de guerra contra o “capitalismo” e o “imperialismo”. Comandos armados de até mais de 100 combatentes atacavam alvos civis e militares. União Soviética, China e Cuba davam suporte logístico, militar e financeiro aos terroristas evidenciando o objetivo de instaurar um governo socialista-comunista no país. Neste clima de guerra e flagrante ataque a soberania nacional ocorre novo golpe militar em 1976. O novo governo desmantela as organizações terroristas que não empreendem mais nenhum ataque a partir de 1979 (“apenas” 243 ataque ocorreram entre 1977-1979).


Terrorismo é uma “guerra suja” onde não há uniformes e regras, e o governo militar fez uso dos mesmos métodos dos terroristas para acabar com o caos imperante. E aí mora o erro dos militares, pois esperava-se que eles fossem melhores que os esquerdistas (vide o exemplo brasileiro que eliminou a guerrilha num processo quase sem reais incidentes ilegais).


Em vez de ponderar sobre todos os fatos, o filme prefere ser uma peça de propaganda esquerdista e repetir seus mantras relatando, de forma hiperbólica, apenas um aspecto da história.


O roteiro celebra a condenação de Jorge Rafael Videla (morreu na prisão em 2013), mas não faz nenhuma referência aos assassinos terroristas como Luís Mattini (líder ERP) que fugiu da Argentina em 1977, e regressou livre e solto em 1987 para publicar inúmeros livros com sua versão da história. Também nada se fala do líder dos Montoneros, Mario Firmenich, condenado à prisão perpétua em 1988 para logo ser perdoado pelo presidente Carlos Menem em 1990, e seguir livre como professor universitário para envenenar mentes jovens.


E como isto já não fosse o suficiente, qualquer um citado como contrário ao terrorismo e seus planos macabros é logo jocosamente descartado como “fascista” – repetindo um simplismo já comum entre mentes limitadas. Sim. A esquerda venceu na Argentina comandando o país quase ininterruptamente desde 1984, e o resultado é visível a todos que querem enxergar.

Filme Nota 1 (escala de 1 a 5)

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