Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas


Um por todos, e todos por um.” – divisa ditada por d’Artagnan simbolizando a amizade entre aqueles mosqueteiros


Personagens Principais Charles d’Artagnan – 18 anos, sonha ser um mosqueteiro Athos, Aramis e Porthos – os três mosqueteiros Milady de Winter – diabólica espiã de Richelieu Planchet, Grimaud, Mousqueton e Bazin – valetes dos quatro fidalgos amigos Constance Bonacieux – costureira e confidente da rainha Ana


Personagens Secundárias Cardeal Richelieu – 37 anos, principal ministro de Luís XIII M. de Tréville – comandante dos mosqueteiros do rei Luís XIII – rei da França Ana da Áustria – rainha, 26 anos, esposa de Luís XIII Duque de Buckingham – inconsequente, enamorado de Ana Rochefort – agente de Richelieu Lorde Winter – cunhado de Milady Kitty – criada de Milady M. Bonacieux – burguês, 51 anos, marido de Constance Interpretação Romance de aventura e humor, explora os desejos populares por ideais, glória, conquistas, amizade e amor ao longo da jornada de amadurecimento do jovem d’Artagnan – ao final da narrativa o antes impetuoso gascão terá aprendido a controlar seus impulsos irascíveis e dominar sua concupiscência (controles indispensáveis para uma vida mais sábia).


D’Artagnan entristeceu ao receber a tão sonhada patente de tenente dos mosqueteiro, pois aprendera que conquistar mundos e derrotar o mal não necessariamente assegura a felicidade – com o posto de comando ele seria afastado dos amigos. Mas ele ainda é jovem, e Athos lhe diz que “o tempo cuidará de transformar suas recordações amargas em doces lembranças.” – sugerindo que os valores apreendidos produziram novas alegrias.


À primeira vista, a crueldade de Milady e sua sombria execução parecem deslocadas do tom humorístico do romance, mas ganham significado se a personagem for entendida como símbolo dos desejos ilegítimos – sua morte opera uma forma de purgação a partir da qual os quatro mosqueteiros encaminham suas vidas com mais temperança, abandonando hábitos que, por exemplo, beiravam a gigolotagem. É neste mesmo sentido de desejos ilegítimos que Aramis descreve as mulheres como sido “criadas para nossa ruína, e é delas que provêm todas as nossas misérias.” (como Eva para Adão na Bíblia ou Pandora para Epimeteu na Teogonia).


A narrativa é apinhada de sentenças com origem na sabedoria popular. Seguem alguns exemplos:


“… curioso destino que leva os homens a destruírem-se uns aos outros, em nome dos interesses de pessoas que não conhecem e que geralmente nem sabem que eles existem.” – pensa d’Artagnan depois de vencer Wardes em combate


“… não há amizade que resista a um segredo surpreendido, sobretudo quando esse segredo envolve o orgulho.” – d’Artagnan dissimula conhecer o passado de Athos


“O silêncio é a última alegria dos desgraçados… Os curiosos secam suas lágrimas como as moscas fazem ao sangue de um cervo ferido.” – evite apontar suas dores para quem quer que seja


“A própria vida pode ser resumida em três palavras: Erat, est, fuit.” – Athos sobre o carácter efêmero das coisas materiais


“… o mérito de todas as coisas está na dificuldade.” – Aramis


Notas

  • Alexandre Dumas (1802-1870) nasceu em Villers-Cotterêts, França.

  • Prolifico dramaturgo e romancistas, Dumas é conhecido pelos romances históricos, particularmente, Os Três Mosqueteiros (1844) e O Conde de Monte Cristo (1846) – ambos escritos com a colaboração de Auguste Maquet.

  • O principal objetivo de Dumas era criar fabulações empolgantes com um pano de fundo histórico pitoresco, usualmente nos séculos XVI e XVII. Acurácia histórica e credibilidade dos feitos das personagens não eram muito importantes, ele estava mais preocupado em escrever romances entretidos e lucrar com os mesmos.

  • A ideia para Os Três Mosqueteiros nasce da leitura das Memórias do sr. d’Artagnan, capitão tenente da primeira companhia dos mosqueteiros do rei – narrativa semificcional escrita por Gatien de Courtilz de Sandras (1644-1712) e publicada em 1700.

  • Após o sucesso de Os Três Mosqueteiros, Dumas escreve mais duas sequências: Vinte Anos Depois (1845) e Visconde de Bragelonne (1847-50).

  • Situado no século XVII, o enredo de Os Três Mosqueteiros gira em torno do cerco de La Rochele (1627-28) – encrave protestante e anglófilo em solo francês –, tendo como personagens Luís XIII, Ana da Áustria, Richelieue o duque de Buckingham.