O Saber dos Antigos de Giovanni Reale


Waste and void. Waste and void. And darkness on the face of the deep.” – T. S. Eliot (1888-1965) em Choruses from “The Rock”


Giovanni Reale advoga que o niilismo é a raiz de todos os males que afligem o homem moderno, sendo necessária uma verdadeira revolução espiritual para derrota-lo. A superação do ateísmo “Deus está morto.” – Nietzsche) exige a recuperação de ideais e valores supremos, pois perdemos o sentido daqueles grandes valores que no passado constituíam pontos de referência essenciais, e em ampla medida irrenunciáveis, no pensamento e na vida.


Nietsche observou bem o problema (e equivocou-se totalmente na solução) anunciando o advento do niilismo com a desvalorização e negação dos valores supremos: (a) princípio primeiro, Deus, (b) fim último, (c) ser, (d) bem, e (e) verdade. A “morte de Deus” significa o desaparecimento da dimensão de transcendência, anulação total dos valores ligados a ela, a perda de todos os ideais.


No momento que o homem se vê desprovido de sentido (“estado intermediário” para Nietsche) são propostos novos ideias disfarçados de valores supremos que vão do saber científico à práxis social (“niilismo incompleto” para Nietzsche). E é este o cenário atual dominante, repleto de obscuras ameaças e perigos.


Reale elenca dez dos principais males e vários disfarces niilistas dos valores perdidos, receitando o resgate do saber dos antigos para, se não eliminar, ao menos mitigar tais males.


(1) Reducionismo Cientificista da Razão Um dos maiores males do homem hodierno é o cientificismo, e o tecnicismo que o acompanha, que o levam a crer que só é verdadeiro aquilo que pode ser demonstrado com base em cálculos matemáticos e comprovado pelas ciências experimentais – o cálculo e a medida seriam os únicos métodos legítimos de adquiri conhecimento sobre a realidade.


Os desenvolvimentos tecnológicos, frutos ou não de avanços científicos, dão a sensação ao homem que tais avanços poderão solucionar todos os problemas humanos. Impondo o binômio ciência-técnica como autoridade absoluta no seio social.


Porém a ciência é capaz de apenas avaliar recortes da realidade, partes específicas do ser, sendo incapaz de explicar o homem e o mundo. Ela não pode substituir a metafísica, pois apenas esta considera o ser “inteiro”. A metafísica distingue-se das ciências particulares não pela forma de conhecimento (pelos métodos formais que utiliza), mas pelo próprio objeto sobe o qual recai: a lógica das partes não pode ser estendida ao inteiro.


Ao seguir cegamente a ciência o homem moderno decai num reducionismo ontológico. É preciso recordar Aristóteles que disse que “todas as outras ciências serão mais necessárias do que esta (metafísica), mas nenhuma lhe será mais importante”. Por isso o homem não pode prescindir da metafísica quando pensa a realidade e pretende dar uma resposta as suas indagações mais profundas.


(2) Ideologismo e o Esquecimento do Verdadeiro O conceito de ideologia ganha destaque com Marx que submete as ideias a práxis materialista. As ideias dominantes seriam as ideias da classe dominante (ou daquela que está por tomar o poder) traiçoeiramente apresentadas como ideias universais – não seria mais do que expressão ideal das relações materiais dominantes.


Os marxistas levaram este conceito ao extremo de transformar todas as expressões do espírito humano em ideologia (“tudo é ideologia” – afirmação que falsamente “eximisse” de si mesma / discurso autodestrutivo), negando à verdade qualquer objetividade, desprovida de qualquer força própria (para Lênin as ideias podem “esmagar os fatos”). Ideologia é uma argumentação objetivando a tomada ou manutenção de um poder.


A verdade pode ser dolorosa, e a tentativa evitar esta dor é a origem de todas as neuroses. A reengenharia social utiliza esta tensão entre o real e o imaginário para destruir a capacidade das pessoas de terem consciência do real e consciência moral.


Platão (através da personagem Sócrates) diz em Fedro que o homem precisa saber sofre, condição indispensável para encarar a realidade e não deixar-se iludir, pois o caminho da ilusão (“considerar verdadeiro”) é mais fácil que o árduo e íngreme caminho da verdade. Se esta debilidade humana já era usada pelos sofistas gregos, que dizer do homem moderno que cria mundos irreais para tentar viver mais confortavelmente – presa fácil de ideologias totalitárias.


Não há possibilidade humana de realização sem sofrimento. E o filósofo (para o grego antigo) é quem vive (e morre) de acordo com o próprio pensamento – ser verdadeiro para si mesmo para poder compreender o mundo.


Há uma parte da realidade, da verdade, que não nos é acessível – a rebelião humana contra a verdade, além de buscar o conforto no “considerar verdadeiro”, reduz o escopo da verdade para caber dentro de sua capacidade de apreensão.


É preciso resgatar a evidência de que a realidade existe independentemente de nós, existiu antes de nós e seguirá existindo após nossa morte – evidência atacada por Descartes e, depois, Kant e Hegel (a ideia de que a realidade é uma produção de nossa mente, uma interpretação da “realidade”). Verdade é o que a coisa é – para Sócrates filosofia é olhar e ver o que a coisa é. Tudo que existe é verdadeiro, pelo simples fato de existir.


A construção da verdade inicia-se com a recuperação dos princípios apodíticos (axiomáticos, auto-evidente), e.g. só pode existir aquilo que tem o potencial de existir, A é igual a A e diferente de B. Funciona como um lastro a partir do qual se chega a outras verdades. A perda destes princípios leva a total perda de capacidade de compreensão do que quer que seja.


(3) Praxismo e Produtivismo Tecnológico Praxismo e tecnologismo consideram que só é verdadeiro aquilo que se faz ou se pode fazer, ou seja, só é verdadeira a práxis e a técnica, todos os valores são absorvidos no fazer e no produzir. Perde-se o sentido simbólico de tudo, tudo é dessacralizado, reduzido a sua utilidade.


As raízes deste mal remontam ao Humanismo e Renascimento que professavam a superioridade da vida ativa em relação à contemplativa.


Francis Bacon (1561-1626) com seu “saber é poder” acreditava que todos os problemas humanos seriam resolvidos por “especialistas”. A ciência e a tecnologia portariam a promessa do paraíso terrestre (latria da ciência).


O pensamento tecnomorfo considera a possibilidade técnica de determinado projeto como uma obrigação de realiza-lo – a febre desenvolvimentista gerou espaços urbanos despersonalizados, desagradáveis e degradados.


A mentalidade tecnomorfa casa-se com as mudanças políticas e sociais imposta com a revolução espiritual de “1968”. A sentença e Goethe – “no princípio era a ação” – atualiza-se com o mundo proclamando ser melhor mudar as coisas, mesmo não se sabendo com precisão em que sentido mudaria. O homem deixa de contemplar, o homem perde seu norte.


Porém, nos ensinaram os gregos, o homem não nasceu para fazer, mas para contemplar (bios theoretikos – o homem que contempla). A contemplação permite entender a hierarquia de valores, compreender os melhores modelos humanos e dirigir nossa moral pelos melhores exemplos. O homem tem dúvidas em como agir (dúvida moral), e em dúvida deve tentar agradar a Deus. A vida moral depende da contemplação, de entender a realidade das coisas.


A potencialização das possibilidades humanas depende do quanto se consegue contemplar a verdade. Os seres humanos se diferem pela capacidade de compreender a verdade – capacidade que faz a diferença ontológica entre os homens.


O bios theoretikos conflita com o praxismo do homem moderno, um perturbado herdeiro do Fausto de Goethe.


Verdadeiro problema humano não é “o que fazer”, mas “o que ser”


(4) O Bem-Estar Material, Sucedâneo da Felicidade O homem de hoje substituiu a busca da felicidade pela procura ilimitada de bem-estar social. A felicidade abandonou o plano espiritual e retrocedeu ao mundo material e físico.


Apesar de a tecnologia ter ampliado o conforto material acima dos sonhos de nossos até mais recentes antepassados, o homem nunca este tão insatisfeito. A abundância de bens materiais não preencheu o homem, mas o esvaziou, comprometendo sua consistência e densidade moral (o reino da quantidade guenoniano). O progresso tecnológico atomizou os indivíduos, fazendo com que perdessem antigas solidariedades. O modelo de vida tornou-se rotineiro e estressante (casa / metrô / escritório).


O esquecimento da felicidade e sua substituição por bens de consumo produzidos pela técnica têm raízes no niilismo. Nietzsche considerava a ideia de felicidade um absurdo, uma contrafação. O hedonismo desenfreado vem desde a antiguidade (ver Górgias de Platão), Nietzsche e a cultura praxístico-tecnológica exacerbaram a busca por uma vida de prazeres.

Para os gregos, sobretudo Aristóteles, o homem mais realizado é o homem contemplativo, em grego spoudaios (homem maduro) – capaz de contemplar o universo. Esta seria a areté humana. A eudaimonia (felicidade) consiste não no que você tem, mas no que você é.


No catolicismo a felicidade é um prêmio por um sacrifício realizado (santidade advém da capacidade de renúncia). Mas no Brasil quer-se criar uma civilização com valores corporais, valores dos sudras (luxúria, gula, fruição dos sentidos – Roberto Freire (1927-2008 – psiquiatra) escreveu Sem tesão não há solução).


(5) A Difusão da Violência Dentre os males do homem de hoje sobressai a sistemática elevação da violência, seja como método de solução de problemas, explosão emocional, gratuita ou diabólica. Está-se cumprindo a profecia nietzschiana de que “a aniquilação pela mão acompanha a aniquilação com o juízo”, recordando a personagem Cálicles no Górgias de Platão, para quem “em seu próprio favor, os fracos estabelecem as leis” como forma de protegerem dos mais fortes que naturalmente teria direito de explorar os mais fracos.


No mito citado por Protágoras no diálogo platônico Critão, vemos o homem, carente da arte da política, destruindo-se mutuamente. Para salvar aquela humanidade Zeus solicita a Hermes que distribua a justiça igualmente entre todos, e que em seu nome “estabeleça como lei que aquele que não sabe compartilhar o respeito e a justiça seja morto como um mal para a cidade”. E Platão conclui que não se deve fazer o mal nunca e tão pouco devolver o mal por vingança.


Mas é em Górgias que o pensamento moral grego atinge seu ápice quando Sócrates responde a Cálicle que “precisamos nos precaver mais de cometer uma injustiça do que de sofrê-la”.


(6) A Perda do Sentido da Forma Para Nietzsche a beleza era uma ilusão criada pelo homem. A beleza é relativizada, estaria “nos olhos de quem a vê”. Afastado do belo desde a tenra idade o homem padece de aperokalia, incapaz de apreciar a beleza. O belo foi afastado do bem (no mundo platônico das formas ideais os atos perfeitos compartem a mesma perfeição das formas perfeitas).

Perdeu-se o sentido da forma (sua dimensão ontológica), e com ela o sentido da beleza. A arte tornou-se in-forme e dis-forme. Não somente a forma, mas também o conteúdo decai.


A única legitimidade da arte moderna é representar o decadente espírito moderno materialista. Apenas esporádicos gênios (eles existem em todas as épocas) conseguem emprestar beleza na arte hodierna.


Para piorar, a arte sofre um processo de ideologização com todos os resultados negativos que ele comporta – a arte vira instrumento de propaganda política, perdendo sua universalidade.


A percepção do belo é gestáltica, uma intuição humana natural – a imposição da feiura é uma violência contra o homem. A perda do sentido do belo (sentido da forma) é também a perda do sentido de Deus, a perda de nossa humanidade.


O modelo de beleza para o grego baseia-se no pensamento platônico da representação de um ideal (ainda que imperfeito, busca a aproximação do ideal), ou aristotélico de que a forma representa a essência, a alma. Policleto busca no Cânone estabelecer as regras da representação humana, a música ensina a harmonia que busca o belo. Estabelecer a ordem (do caos a ordem) é estabelecer relação de proporção entre as coisas.


(7) Esquecimento do Amor Esvazia-se o sentido do amor, substituindo-o, por exemplo, por sexo – limita-se ao aspecto quantitativo do amor (sensorial).


A recuperação do sentido do amor demanda também o resgate do próprio sexo como símbolo da reunificação da multiplicidade com o Uno – união complementar das diferenças entre homens e mulheres. Mais que a subsistência da espécie, o sexo é um processo de unificação metafísica.


Platão apresenta Eros como um intermediário entre as formas perfeitas, a beleza transcendente no mundo divino, e as tentativas de cópia no mundo sensível. Não possuímos a beleza divina, mas a desejamos por lembrança (reminiscência – Fedro) através de nossa origem do divino – quanto mais belo mais próximo da forma original e da divindade.


Eros deve ser uma força adquirida que enriquece o homem e o faz subir a níveis cada mais elevados.


(8) Individualismo Levado ao Extremo Depois de negar sua origem transcendente, o homem passa a ser uma realidade meramente física – características espiritual como epifenômenos do físico (a genética tenta explicar todas as ações humanas). Puro homo faber, mero elo da cadeia entre produção e consumo. E diferentes instrumentos serão criados para manipular a “manada” humana através da educação, mídia e entretenimento, transformando-a em instrumento vivo de produção.


A morte de Deus resulta na morte ontológica do homem e nascimento do gnóstico revoltado que deseja substituir a ordem divina por uma nova ordem humana. Do existencialismo ao candomblé o homem afasta-se de Deus, produzindo uma existência para qual ele não possui a necessária autonomia, tornando-se presa fácil de suas dúvidas, enganos, medos e fantasmas.


Cresce o individualismo. Homens e mulheres trocam o amor de doação pelo amor de aquisição. Os grandes valores esmaecem. A atomização da sociedade fatalmente leva a completa solidão.


Platão pregava a reunião ao Uno através do reencontro das partes na busca do Bem em si. Nossa alma teria sede de valores intelectuais e morais. O homem moderno deve abandonar o relativismo individualista da máxima de Protágoras (“o homem é a medida de todas as coisas”) e retomar as palavras de Platão no diálogo As Leis: “deus é a suprema medida de toda a realidade”.


(9) Perda do Sentido do Fim Atualmente entende-se o mundo como algo caótico, retroalimentando o relativismo e pensamento gnóstico. Perdemos o sentido tradicional de fim do mundo, e com isso, a finalidade da própria existência individual. Surge o determinismo histórico (Hegel, Marx e Conte) messianicamente desejoso de dar um sentido à história, e o indivíduo decai na materialidade hedonista.


Comentando a gênese do cosmo no diálogo Timeu, Platão lembra-nos que o mundo foi gerado por um Artífice inteligente que rege o cosmo com um propósito. O caos primordial foi substituído pela ordem divina cuja compreensão total não cabe em nossa dimensão humana.


A volta aos caos é um retrocesso ontológico. Somente quem já escavou em seu próprio espírito um vazio absoluto vê no cosmo (e em todas as coisas) um vazio absoluto.


(10) Materialismo e Esquecimento do Ser O materialismo ontológico formulado a partir do século XVII reduz o ser e todas suas possíveis manifestações à dimensão do físico – numa horizontalidade corpórea onde nem o bem (ou o mal), e outros valores morais, tem espaço. Dando sequencia a eliminação do ser metafísico, Marx e Engels reduziriam e essência do homem àquele que realiza seus meios de produção.


O homem esqueceu o que Platão demonstrara no Fedão: a racional existência de um ser suprassensível e transcendente, que dá sentido ao ser sensível em todas as suas formas – que o cosmos nasceu da ordem impressa ao caos. A “Segunda Navegação” platônica ainda é a etapa mais importante da história do pensamento ocidental. Com Platão, a filosofia atingiu o mundo inteligível, mas o homem moderno esqueceu a lição.

No mundo que se divide cada vez mais, seja no plano político ou ético, irrompendo a desordem, é imperativo resgatar a justa medida platônica – a medida axiológica da adequação aos valores irrefutáveis que o homem de hoje em grande parte esqueceu. Única forma de levar ordem à desordem.



Precisamos da “conversão” platônica (periagoghe), ou seja, um volver de alma inteira, mediante a razão, para a luz da ideia do Bem que é a origem de tudo. Distanciar-nos das aparências (da multiplicidade desordenada – do aqui e agora) e aproximarmo-nos da Verdade. Desligar-nos do sensível e voltarmo-nos ao suprassensível. (René Guénon diria afastar-se da Quantidade e voltar-se à Qualidade)


Recuperemos a oração que Platão expressa através de Sócrates em Fedro: “Querido Pã e outros deuses que estais neste lugar, concedei-me a beleza interior e fazei que meu exterior se harmoniza com tudo que carrego dentro de mim. Que eu possa considerar rico o sábio e possa ter uma quantidade de ouro (i.e. conhecimento) que só o temperante conseguiria tomar para si ou levar consigo.



Notas


  • Giovanni Reale (1931-2014) em Candia Lomellina, Itália.

  • Historiador de filosofia com ênfase em Platão. Obra magna: Para uma nova interpretação de Platão (1984).

  • Admirável Mundo Novo de Huxley e 1984 de Orwell são exemplos ficcionais do desastre social no qual podemos desabar.

  • Neurose é uma mentira que você contou para si mesmo para não enfrentar ou amenizar a realidade, e depois esqueceu que era mentira (vive a mentira como verdade inconscientemente). Fritjof Schuon dizia que ser sincero e honesto é morrer um pouco.

  • Mito de Cassandra: ter conhecimento da verdade não é garantia de credibilidade. O mundo presta mais atenção em mentiras (que lhe tragam um aparente conforto) que na verdade (que tende a ser dolorosa). A verdade pode custar o isolamento social.

  • Desde o Iluminismo o intelectual passou a ser uma profissão. Ele estará a serviço do Estado ou daqueles que ambicionam tomar o Estado.

  • Paradoxalmente, um mecanicista acredita na perfeição da natureza e não crê em Deus, ao passo que aqueles que veem imperfeição na natureza tendem a ser pio (natureza não tem leis mas hábitos – somente Deus é perfeito).

  • Foi o pragmatismo inglês que produziu a Revolução Industrial e não a disponibilidade do carvão.

  • Quinta Essência (Elemento) – Quintessência: expressão alquímica, o elemento que une os outros quatro (terra, fogo, água e ar) fazendo-os funcionar – é o mais importante, máximo, extremo.

  • O critério de desenvolvimento de um país não deve ser absoluto, pois depende do seu potencial. O Brasil é subdesenvolvido porque sua produção (PIB) está muito aquém do seu potencial. Também não é justo comparar com outros países mais desenvolvidos que não enfrentam as dificuldades, por exemplo, topográficas ou de dimensão que tem no Brasil.

  • Países e povos limitam-se quando definem sua vocação com base apenas nos aspectos físicos, quando vocação quem tem são as pessoas.

  • A partir a geração baby boomer extinguiu-se a velhice – não querem mais envelhecer. Rebelaram-se e romperam com seus pais.

  • Edgar Morin (1921-), filósofo francês, compreendeu o problema praxista tecnológico mas suas soluções são de cunho totalitário (ingerência do Estado na vida do indivíduo).

  • Os verdadeiros intelectuais tendem a uma grande solidão – sua capacidade de enxergar a realidade é desconsiderada (mito de Cassandra).

  • Clichês: repetições que perdem valor dramático (termo emprestado da tipografia).

  • A Torre de Babel simboliza a dispersão de uma língua única em diferentes versões decadentes. O português é uma forma decadente do latim. As línguas antigas são mais sofisticadas que as modernas. O idioma inglês é demasiadamente simples e precário.

  • Ética e Moral definem a mesma coisa, diferem na origem da palavra, latina e grega respectivamente.

  • O Brasil padece da falta de modelos imitativo-altos, desprezamos a religiosidade e nossa história.

  • Francis Bacon criou a ideia de que a ciência deveria produzir riqueza. Hoje sabemos o preço de tudo, mas não sabemos valor de nada.

  • Ontologia = estudo do ser como ser (ideia de ser).

  • Axiologia = estudo dos valores (ideia de valor).

  • A arte é mimesis, é mimética. Arte é analogia a outra coisa, é uma imitação. Os estilos de época são apenas evolução da abordagem mimética. Involuímos da transcendência a imanência total (e.g. merda d’artista).

  • Os estilos de época nas artes variam entre o apolíneo e o dionisíaco.

  • Cândido Portinari era o Jorge Amado das artes plástica (propagandista comunista), mas era um gênio. Outro grande pintor brasileiro: Iberê Camargo.

  • Monet, Degas e Renoir são verdadeiros impressionistas, um movimento de redução da pompa da pintura clássica francesa. Já Gauguin (temática), Cézanne (perspectiva) e, principalmente, Van Gogh (distorção da imagem) criam o movimento expressionista (movimento de transição) que dará origem aos pintores modernos – transgressores, dionisíacos. Beethoven também representa a transição entre a música clássica e a romântica.

  • Três fatores tolhem a liberdade do artista contemporâneo: (a) o marchant que busca modelos comerciais (tema, tamanho) para a burguesia, e.g. Durval Pereira, Calderari, (b) crítico que quer obras que permitam exibir suas teorias e análises intermináveis, e.g. Adalice Araújo, e (c) curador de grandes exibições que buscam obras relacionadas com fenômenos sociais, e.g. Bienal.

  • Alguns escritores ligados ao partido comunista: Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, José Lins do Rego. Dionélio Machado e, o pior de todos, Jorge Amado.

  • Para Benedetto Croce a “arte é a expressão de uma impressão”.

  • Regra infalível da pintura: só o mestre pode modificar a forma – quebrar a forma.

  • As obras de arte não devem ser endeusadas. São formas de expressão e não de conhecimento.

  • Gestalt (alemão) = percepção do conjunto.

  • Idea (grego) = objeto do pensamento (origem idein = ver) / sinônimo de eidos para Platão.

  • Forma (grego) = essência, alma.

  • Cânon (grego kanon) = regra, critério ou norma (escultor Policleto (século V a.C.) escreveu o tratado Cânone versando sobre as proporções e harmonia da forma humana).

  • “Belo é aquilo que envelhece bem.” – Monir.

  • Aletheia (grego) = tirar, o véu, trazer a luz (verdade).

  • O erro de considerar a educação como instrumento de transformação do mundo começa com Comenius. Educação deve ser voltada para o indivíduo e não o conjunto social.

  • Diotina de Mantinéia teria sido a professora sobre a vida para Sócrates (O Banquete).

  • Matheus 21:28 (Parábola dos lavradores homicidas) pode representar o ciclos humanos apresentados no Mavantara.

  • Deísmo = ver Deus de forma diminuída em seu poder e competência.

  • Leibniz criou a linha filosófica (Teodiceia) que estuda os desígnios de Deus.

  • A tentação gnóstica, que provocou a queda de Adão e Eva, nunca abandonou o homem tencionado entre sua semelhança com Deus e origem material. A casa maçônica Illuminati é gnóstica (não aceitam a ordem de Deus) e sua rebeldia fomentou a Revolução Francesa. A Teoria da Evolução aplicada à origem humana é gnóstica. Não há nada mais nuclear na condição humana que a ambiguidade entre nossa santidade (possibilidade de existência eterna num âmbito transcendente) e essa humanidade intrínseca e fugaz que vivemos. Para Platão o homem era intermediário entre Deus e os animais. Tensão ontológica inescapável nada qual o homem decai quando perde a noção da sacralidade da vida – seu maior engano.

  • Para Platão a arte do dizer baseia-se me três pontos principais: (1) conhecer a verdade a cerca do que se quer falar, (2) conhecer a natureza da alma em geral, e dos ouvintes particularmente, e (3) ter consciência do alcance dos meios de comunicação (diferença entre escrita e oralidade).

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