Pai Goriot de Honoré de Balzac



Personagens Principais Eugène de Rastignac – jovem estudante ambicioso Jean-Joachim Goriot (Pai Goriot) – empresário aposentado Jacques Collin, pseudônimo Vautrin (Trompe-la-Mort) – presidiário fugido Delphine da Nucingen – filha de Goriot, mais amoroso que a irmã Anastasie de Restaud – filha de Goriot, mimada e egoísta Viscondessa de Beauséant – prima de Eugène, o introduz na sociedade Horace Bianchon – estudante de medicina, amigo de Eugène Victorine Traillefer – jovem delicada, injustiçada pelo pai

Personagens Secundárias Conde de Restaud – marido de Anastasie, violento e impiedoso Barão de Nucingen – marido de Delphine, banqueiro, não refinado Frederic Taillefer – irmão de Victorine Gobseck – usurário recorrente na Comédia Humana

Interpretação Não se deve buscar muita profundidade em Balzac. Seu grande mérito é interpretar como ninguém a sociedade francesa do século XIX. Otto Maria Carpeaux disse que antes de Balzac o romance era uma história fora do comum, extraordinária, e depois passa a ser um espelho do nosso mundo, dramas que se passam nos nossos apartamentos e quartos.


E o quadro pintado em Pai Goriot não é nada atraente. Reflete uma sociedade guiada pelo dinheiro e poder. Neste cenário Jacques Collin surge como o diabo que tenta Eugène aos atos criminosos para saciar sua ambição. Por outro lado Eugène comovesse com a dedicação de Goriot a suas filhas e enxerga no velho uma linha de conexão com uma vida moralmente mais integra.


Eugène é ambicioso, tem consciência parcial dos erros que comete, mas os faz mesmo assim (esfola mãe e irmãs por uma chance de sucesso por vias escusas). Hesita diante do plano diabólico de Collin, mas não vê nada de errado em viver à custa de uma amante (Delphine). No final, com a morte de Goriot, se vê pronto para encarar aquela sociedade, que ainda ambiciona, mesmo que à custa de seus, já nem tão primorosos, princípios.


A luta interna travada por Eugène entre o que é certo e errado é o ponto central da história. E justamente nesta luta o personagem mostra uma profundidade maior que os outros, quase todos um tanto estereotipados, esquemáticos.


Goriot era um bom pai? Não. Educou mal suas filhas (confessa que as mimou em demasia), protótipos de materialismo e de futilidade. Não soube ler a sociedade na qual vivia e esperou demais delas e seus genros. Logo ele que fez sua fortuna de forma nada abonadora. Um pai não deve anular-se para viver através da vida de seus filhos. As filhas também erraram feio ao evitar o pai para favorecer suas imagens na sociedade.


Jacques Collin é o próprio diabo. Sedutor ao extremo. Sempre falando por meias-verdades. Sua filosofia de vida: já que o mundo é mau, sejamos pior ainda para ter o que queremos (dinheiro e poder).



Notas

  • Honoré de Balzac (1799-1850) nasceu em Tours, França.

  • A Comédia Humana de Balzac é composta de 93 obras (romances, novelas, contos e ensaios) concentradas em Estudos de Costumes (as outras classificações são Estudos de Filosofia e Analíticos). Os Estudos de Costumes dividem-se entre Cenas da Vida Privada, Provinciana, Parisiense, Política, Militar e Campestre.

  • Suas principais obras são: Ilusões Perdidas (1843), Pai Goriot (1834), Eugénie Grandet (1833), Pele de Onagro (1831), Prima Bette (1846) e História da Grandeza e da Decadência de César Birotteau (1837).

  • Balzac não é um escritor profundo, mas conta melhor que ninguém como funcionava a mentalidade da nova classe burguesa, não aristocrática, e com forte interesse nos aspectos econômicos – é o rei da narrativa psicológica deste francês.

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